Antevisão — Amstel Gold Race

Reza a lenda que o falso plano está a criar uma equipa para participar nesta prova por causa do prémio🍺

Antevisão — Amstel Gold Race
Amstel Gold Race

Introdução

A primeira das três clássicas das Ardenas, Amstel Gold Race pode ser a menos dura e mais recente, mas tem-nos proporcionado sempre muito espetáculo. Para além disso, é ser patrocinada por uma marca que vende um produto muito querido do falso plano: cerveja.

Não é considerada um monumento (ainda) mas é chamada de joia neerlandesa da primavera, dada a importância que esta corrida tem nos Países Baixos. O sonho de qualquer ciclista neerlandês é estar aqui presente. O seu percurso muito ondulante torna sempre a corrida bastante imprevisível. Não é hipérbole aqui: o ano passado tivemos algo muito raro de acontecer: Tadej Pogačar ser batido na meta e ainda para mais perder para Mattias Skjelmose. O Skjel é um ciclista talentoso mas, vá lá, não está no patamar dos que costumam dar alguma luta ao esloveno.

Nem Skjelmose acreditou que conseguiu bater Pogačar e Evenepoel (Foto: Getty Images)

O esloveno deve ter ficado tão traumatizado com esta situação que este ano nem consta dos nomes na grelha de partida, algo muito raríssimo. Esta ausência torna a corrida ainda mais aberta e não nos admirávamos se um Ben Healy desta vida feito maluco atacar de longe e só o vermos após a meta.

O percurso

Percurso tradicional desta corrida; 257,2 quilómetros com praticamente nenhum metro de terreno plano e muito sobe e desce. Grande parte desta corrida vai-se fazer por eliminação; as constantes subidas e descidas vão ser tipo "Operação Verão" e emagrecer aos poucos o pelotão, eliminando os ciclistas com menor condição para disputar a prova. É comum termos já alguns dos candidatos a top-10 a ceder nesta fase, o que provoca logo algumas amarguras no nosso fantasy.

A fase decisiva será perto dos 50 quilómetros para a meta. Gulperberg (1 km a 4,7%), Kruisberg (500 m a 9.4%), Eyserbosweg (600m a 9.2%), Fromberg (800 m a 4.1%) e Keutenberg (1.2 km @ 6.2%) constituem a tradicional sequência de bergs fulcral para a decisão da corrida.

Temos a seguir uma pequena acalmia durante 10 quilómetros até à chegada da subida mais emblemática desta prova: o Cauberg (600 m a 6.3%), seguido imediatamente pelo Geulhemmerberg (900 m a 5.8%) e pelo Bemelerberg (800 m a 4.5%). Por fim, chegamos à ultima subida da prova. Uma última passagem pelo Cauberg e do topo até à meta são 1,7 km. Caso haja um pequeno grupo na frente, podemos ter aqui o ataque decisivo.

Maastricht - Valkenburg (257.2 km)

O que esperar

Se no ano passado tivemos um ataque de Tadej Pogačar demasiado longe da meta, este ano a probabilidade de alguém tentar o mesmo é mais reduzida. Primeiro: se até para Pogačar correu mal, imaginem para um não Pogačar. Segundo: não temos Pogačar. Ainda assim, a presença de Remco Evenepoel, Tom Pidcock ou Ben Healy leva-nos a crer que vamos ter muito fogo de artíficio bem antes da meta.

Acredito que os ataques decisivos se façam na fase dos 50 quilómetros para a meta, mas não sem que antes haja tentativas (Remco, estás a ler?). Se o belga se sentir bem, poderá tentar ainda mais de longe. E se o deixam ir isolado, sabemos que tem um grande motor e não será fácil apanhá-lo.

Vamos ter uma corrida muito partida, com várias equipas a lançarem ataques. Tirando Red Bull, Lidl e eventualmente Pinarello, não vejo mais nenhuma equipa a querer assumir as despesas de controlo da prova, o que a torna muito aberta.

O ataque que fará a principal diferença será de Remco. Com ele acredito que consigam seguir mais 2 ou 3 ciclistas, a colaboração será boa até terem uma margem confortável para o grupo perseguidor. E a partir daí começam os joguinhos que Remco tanto despreza. Devido a esta situação, Remco vai conseguir seguir isolado até à meta com Tom Pidcock a terminar em segundo logo a seguir arrependendo-se de não ter colaborado mais com o belga. Leram aqui primeiro.

Favoritos

Remco Evenepoel — Com a ausência de Pogi, Remco é o principal candidato a vencer esta prova. Após uma excelente exibição na Flandres, onde fez terceiro à frente de especialistas como Van Aert e Pedersen, é inegável estar em grande forma e este tipo de colinas são o terreno onde se sente melhor.

Tom Pidcock — Após uma queda em descida na Catalunha, Pid retorna à competição. Sabemos que as consequências do acidente podiam ter sido bem piores, mas mesmo assim teve algumas mazelas no joelho e não sabemos qual será a sua condição para esta corrida que já venceu em 2024 (ao milímetro).

A não perder de vista

Mattias Skjelmose — O vencedor do ano passado não pode ser considerado um favorito? A maneira como venceu foi uma grande surpresa e este ano, ao contrário do anterior, ainda não vimos a melhor versão de Skjelmose na estrada. Ainda assim, estará certamente motivado para provar que a vitória do ano passado não foi um acaso e leva um bom bloco com Simmons, Withen Philipsen e Kragh Andersen para o proteger.

Ben Healy — Tal como Skjelmose, ainda não vimos o melhor do marrequinha esta época. Esteve muito ativo no País Basco, mas sempre longe da vitória. Já fez segundo em 2023 e décimo em 2025. É tão certo a seguir à noite aparecer o dia como Ben Healy atacar neste domingo.

Matteo Jorgenson A esperança da Visma para esta prova. Este ano não fez clássicas empedradas na Bélgica para se focar nas Ardenas. A sua última exibição no Tirreno Adriático em etapas com perfil semelhante a esta prova foi impressionante. Tem tudo para figurar entre os melhores apesar de que, para triunfar, terá de ser a solo. O sprint não é uma arma que tenha.

Romain Grégoire As costas de Romain já devem ter tido melhores dias, ao ter carregado sozinho a Groupama-FDJ durante este início de temporada. Fez sétimo o ano passado e tem feito uma boa época. Tem tudo para melhorar o seu lugar na geral.

Kevin Vauquelin — Desempenhos agridoces por parte do francês na nova aventura na INEOS. Ainda assim, tem sido um ciclista ativo. Das 3 clássicas das Ardenas, a Fleche é sem dúvida a mais apetecível para ele. No entanto, também poderá andar bem aqui.

Paul Lapeira — Apenas uma participação em 2024 onde fez quinto lugar. Tem feito uma boa época e a Decathlon não é só Seixas, tal como Lapeira vai demonstrar no domingo.

Tibor del Grosso Apontado por muitos como o sucessor de Van der Poel, continua muito longe desse nível, mas tem talento e tem feito uma época onde se nota progressos face às anteriores.

Mauro Schmid O ciclista do momento da Jayco, nunca fez a Amstel mas tem características para brilhar nesta corrida tal como brilhou em todas as provas em que participou até ao momento.

Apostas falso plano

André Dias — Thomas Bonnet é o melhor entre os ciclistas com nome de potencial merch falso plano.

Fábio Babau — .

Henrique Augusto — Vindo de Saint-Amand-Montrond, 62 quilos de panache com o número 201 nas costas. Juliaaaaan Alaphilippe.

O Primož do Roglič — Remco Evenefuel.

Miguel Branco — Antoine L'Hote. Ansioso por ver em quantos segundos bebe a cerveja no pódio.

Miguel Pratas — Remco.

Nuno Gomes — Capitão América Simmons.

Nuno Silva — Remco embirrenco.

Rogério Almeida — Um Redbull muito fácil.... Thomas Pidcock.

Vítor Ferreira — Essa é muito fácil, é Six/Seven - Oscar Chamberlain. Sim, eu tenho um adolescente em casa.