Antevisão — Cadel Evans Great Ocean Road Race
A época dos cangurus está a acabar, será que Brennan vai ganhar de pernas para o ar?
Introdução
O término da época dos cangurus aproxima-se com a 10.ª edição da Cadel Evans Great Ocean Road Race, uma prova de um dia em homenagem ao mítico Cadel Evans, ex-vencedor do Tour — Evans tinha o hábito de fazer as subidas em posição de sprint.
No ano passado tivemos a vitória de Mauro Schmid, após um ataque dentro de um grupo reduzido que o viu de perto a celebrar na meta por terminarem a apenas três segundos do suíço que corria (e corre) pela equipa da casa, a Jayco AIUla.
É uma corrida bastante aberta que permite não só estes mestres de ataques solo como Schmid, a sprinters puncheurs como Laurence Pithie vencerem. Uma coisa é certa: o espetáculo está garantido. A elevada indecisão em torno da corrida aumenta a expectativa e reforça a ideia de que estamos perante uma prova que vale a pena acompanhar, precisamente porque nada está decidido.

O percurso
No que toca ao percurso não temos propriamente grandes novidades, a organização mantém-se fiel à partida e chegada em Geelong que perfaz um total de 182.8 km este ano.

É uma corrida dividida em duas partes, uma fase inicial marcada por um ou outro falso plano, mas nada particularmente difícil até à primeira passagem pela Challambra Crescent. A partir do quilómetro 111.5 entramos numa nova corrida: os ciclistas fazem a primeira das quatro passagens pelas colinas Challambras Crescent(1.3km @ 8%) e Melville (700m @ 5,2%) e entram no circuito final que será completado três vezes.

Um circuito bem durinho onde a derradeira passagem por estas dificuldades deixa os ciclistas a cerca de quatro quilómetros da meta.
O que esperar
Trata-se de uma corrida decidida na parte do percurso em circuito, marcado por sucessivas colinas e constantes mudanças de ritmo. É uma prova tradicionalmente muito aberta e imprevisível. As edições anteriores mostram um padrão recorrente: a seleção faz-se cedo, com a formação de um pequeno grupo geralmente entre 10 e 15 ciclistas, por vezes até menos, a destacar-se. A partir daí, surgem os ataques e o desfecho pode variar entre uma vitória em solitário, como aconteceu com Mauro Schmidt na última edição, ou um sprint num grupo reduzido, cenário mais frequente no historial da prova.
Pela sua natureza, a Cadel Evans adapta-se tanto a corredores ofensivos, capazes de atacar e sustentar esforços prolongados, como Schmid; como a sprinters-punchers, casos de ciclistas como Laurence Pithie, com boa explosividade e capacidade para superar este tipo de colinas. A combinação entre percurso exigente e formato em circuito dificulta o controlo por parte das equipas, aumentando a incerteza. Mais do que pura força, esta é uma corrida que exige leitura de corrida, inteligência tática e uma pontinha de sorte, fatores decisivos num percurso que promete partir o pelotão e proporcionar um elevado nível de emoção.
Favoritos
Matthew Brennan — Reza a lenda que havia quem pensasse que ele ia ganhar todas as etapas do Tour Down Under. Salvou a honra do convento da Visma na última etapa, mas mesmo assim soube a pouco. Tem novamente aqui uma corrida bem ao seu jeito e se demonstrar as pernas e a atitude da última etapa do TDU é o ciclista vencedor.
Laurence Pithie — Quem me conhece sabe o quanto valorizo ciclistas com bom histórico e em forma. Laurence Pithie é um deles, vencedor da edição de 2024, fez terceiro em 2025 e vem de um bom Tour Down Under. Enquanto este percurso se mantiver, Pithie será sempre um dos crónicos favoritos.
Mauro Schmid — Vencedor do ano passado, esteve a um bastante bom nível no Tour Down Under terminando no segundo lugar do pódio. Com um Plapp a desiludir e um percurso que não se adapta às características de Ben O'Connor, Schmid tem tudo para ser o principal ciclista da Jayco e um forte candidato à dobradinha.
A não perder de vista
Natnael Tesfazion — Já fez 2.º aqui em 2024, vem de um bastante bom Tour Down Under onde deu nas vistas na etapa ganha por Jay Vine. Foi um dos ciclistas mais ativos.
Finn Fisher-Black — Vem de um Down Under estranho onde sobressaiu mais pelas suas qualidades de puncheur do que como trepador. Para esta corrida contam precisamente essas qualidades de explosão e sprint, é um nome a reter.
Aaron Gate — 2.º no ano passado, vem de dois 5.º lugares em sprints no Tour Down Under. É um ciclista que assenta que nem uma luva nesta corrida, pois não só tem capacidade de sprint, como aguenta as colinas e é um ciclista que não tem receio de atacar de longe vencendo isolado como já o fez em corridas passadas.
Tobias Lund Andresen — Vencedor da primeira etapa do Tour Down Under, sabemos que está em boa forma e que é dos sprinters que melhor sobrevive este tipo de dificuldades. O mais forte candidato caso o segundo grupo consiga fazer junção ao grupo da frente após a última subida.
Apostas falso plano
André Dias — Oliver Bleddyn papa isto.
Fábio Babau — Brennan, todo empolgado.
Henrique Augusto — Brennan para mim ganha todas as corridas por isso também ganha esta.
O Primož do Roglič — Lourenço Pithie.
Miguel Branco — Ganha o melhor do Lund.
Miguel Pratas — Mathieu van der Brennan.
Vitor Ferreira — ABrennan alas pro Noddy.
Nuno Silva — Matthew Brennan para desta vez salvar a honra do mosteiro visto que já salvou a do convento.