Antevisão — Dwars door Vlaanderen - A travers la Flandre ME
A mini Ronde.
Introdução
A "Através da Flandres" é a clássica importante que antecede a Volta a Flandres. Importante para alguns, nomeadamente muitos, e não são poucos, são bastantes. São todos aqueles que não se chamam Mathieu ou Tadej, todos aqueles que não têm chances de vencer no domingo.
Esta corrida realiza-se tradicionalmente na quarta-feira antes da Ronde, e este ano calha no dia 1 de Abril. Uma boa oportunidade para recordar a última edição, até parece mentira.
Já lá vai o tempo em que os candidatos à Ronde usavam esta corrida como preparação, hoje em dia já é uma corrida para as segundas linhas tentarem colocar uma clássica histórica flandriana no CV. Com "apenas" 185 quilómetros de extensão, é também uma oportunidade para os corredores que lidam menos bem com a larga quilometragem.
O percurso
O pelotão sai de Roeselare e tem cerca de 70 quilómetros para digerir o pequeno-almoço até chegar a Oudenaard, passando por Wevelgem.
Vai ser nesta fase, num circuito de 85 quilómetros, que vão encontrar as maiores dificuldades do dia, num percurso progressivamente seletivo onde cada um dos 12 bergs e 7 setores de pavé é uma oportunidade para destroçar os menos aptos — esta edição conta com mais duas subidas do que a anterior. Com a saída do circuito o terreno fica menos agressivo, mas a chegada a Wevelgem é bastante técnica.

O que esperar
Primeiro terço da corrida com a fuga a ser controlada pelo pelotão até chegarmos ao circuito e começarem as sequências de bergs e setores de pavé. À medida que a corrida progride, o pelotão vai-se desfazendo em grupos cada vez menores e são esperados ataques dos favoritos ou das equipas mais fortes, que contam com mais do que uma boa opção.
A Visma, de Van Aert, Laporte, Brennan e Hagenes, ainda não picou o ponto em Flandres e tem aqui três opções de luxo, mas na última edição meteram quatro corredores no top-4 e foi um desastre; A Alpecin, mesmo sem Van der Poel, é uma das melhores equipas da startlist: Philipsen, Del Grosso, e um gregário que vale ouro: Florian Sénéchal; Por falar em Florian, a UAE conta com Vermeersch, Morgado e Politt para conquistar a primeira clássica WT em 2026 sem Pogačar; A Lidl, de Pedersen, Milan e Vacek, ainda não conseguiu um resultado de topo na Bélgica este ano, mas têm mão de obra e know-how para serem protagonistas aqui.
Corredores em blocos menos fortes, mas em boa forma também podem dinamitar a corrida. São os casos de Abrahamsen, Ganna ou Segaert. Sprinters como Lund Andresen ou De Lie estão em grande forma e não vai ser fácil descartá-los.
O cenário mais provável é um sprint num grupo reduzido, mas há aqui muito boa gente que gosta de ganhar a solo. O final em Waregem é inclinado e favorece os ciclistas mais explosivos.
Favoritos
Wout van Aert — Tem aqui uma belíssima oportunidade mais para conquistar uma, das muitas, clássicas flandrianas que ainda não conquistou. Vão trabalhar para ele depois do desastre em 2024?
Jasper Philipsen — 2.º em Bruges, 1.º em Wevelgem. Se o levam para a meta vai ser muito difícil batê-lo. Está melhor do que nunca para Roubaix.
Mads Pedersen — É um dos mais versáteis e eu não duvido que está em boa forma, apesar de ter falhado a Gent-Wevelgem por doença. Como ele disse ao Lang Distance podcast: "Quando estou, é para mim que a equipa corre.".
Florian Vermeersch & António Morgado — Querem ganhar uma clássica na Bélgica? É agora ou nunca. Depois entram ao serviço do patrão. A forma dos dois é excelente.
A não perder de vista
Jonas Abrahamsen — Tem estado bem mas, nunca tem estado perto de vencer. Sinto que pode ser aqui.
Tobias Lund Andresen — Intratável. Venceu o sprint pelo 6.º na E3 e só foi batido por Philipsen em Wevelgem. Está muito difícil droppar o dinamarquês e ainda mais batê-lo na meta.
Matthew Brennan — A opção da Visma para o sprint.
Christophe Laporte — O plano B da Visma em qualquer cenário
Per Strand Hagenes — O plano C da Visma.
Magnus Sheffield — Se for para um norte-americano vencer outra vez.
Apostas falso plano
André Dias — Per Strand Hagenes contra três manos da EF na frente. Este ano a abelha pica ao contrário.
O Primož do Roglič — Tu bias Lund, eu vejo Andresen.
Miguel Branco — Quem não tem cão, caça com Del Grosso.
Miguel Pratas — Tadeu Morgado.
Nuno Gomes — Laporte aberta para a redenção da Visma.
Nuno Silva — A Aert da desforra.
Rogério Almeida — Desta vez ganha Vermeersch. Bora UAE para a vitória.
Vítor Ferreira — Van Aert a famar aura para os Monumentos.