Antevisão Equipas UWT 2026

Saímos da nossa área de conforto, a palhaçada, e tentámos fazer uma antevisão séria ao 2026 de todas as equipas. Pedimos desde já desculpa pelo incómodo causado.

Antevisão Equipas UWT 2026
Antevisão por Equipas 2026 - Masculino.

Introdução

Antes de tudo o mais, queria dizer que isto é culpa do Rafa. O saudoso amigo do falso plano deixou a nu a nossa preguiça quando, casualmente, nos perguntou quando saiam as já tradicionais Antevisões de Época e os respetivos bitaites com os quais nos gosta de humilhar posteriormente. É fácil, falar do sofá, Rafa. As ditas Antevisões, para ser sincero, não estavam planeadas sair. Dão muita trabalho, são muitas equipas e a gente tem de ter tempo para ver a Volta à Omã, há prioridades neste estabelecimento. Perante a sua pergunta, surgiu um incómodo, o incómodo de desiludir uma das duas pessoas que leu isto na integra na época passada, e colocámos mãos à obra no texto escrito a mais mãos da história do falso plano.

A ideia é fazer todo um manual do ciclismo para 2026 antes de começar a época. Como isto atrasa sempre, nós assumimos que a época só começa no 1.º monumento, que já todos os que seguem esta página sabem qual é. Todas as transferências, todas as expetativas, uns nomes para não perder de vista e uns bitaites. O conceito é muito bom, modéstia à parte, só é pena sermos nós a escrever. Se fosse gente que percebe mesmo disto, seria sensacional.

Sigurem-se, 2026 está ai à porta a todo o gás. Pogačar vai pelo 3.º ano consecutivo fazer a "melhor época de sempre"? Vingegaard pode voltar a dar luta? É desta que João Almeida conquista uma grande volta? Paul Seixas e Jarno Widar conseguirão estar à altura das expetativas? Ninguém sabe, nós também não. Mas enquanto esperamos para descobrir vamo-nos entretendo com isto.

Esperemos que gostem. Se não gostarem para a próxima fazem vocês.

Alpecin-Premier Tech

Enquanto tens este rapazinho nas fileiras, muito mal nunca corre. (foto: EscapeCol)


Entradas: Florian Sénéchal; Gerben Thijssen; Hugo Houle; Francesco Busatto; Maurice Ballerstedt; Lindsay De Vylder; Tim Marsman; Jonas Geens; Sente Sentjens; Senna Remijn; Aaron Dockx; Lennert Belmans.
Saídas: Xandro Meurisse; Gianni Vermeersch; Quinten Hermans; Jimmy Janssens; Timo Kielich; Stan Van Tricht; Robbe Ghys; Fabio Van den Bossche; Juri Hollmann; Lars Boven; Samuel Gaze.
Vitórias 2025: 18 no total – 11 no World Tour.
Classificação WT: 9.º.

A Alpecin é das equipas que mais me facilita o trabalho a fazer a antevisão. Todos sabemos o plano, o que não o torna menos bom, diga-se. Mathieu van der Poel nas clássicas, Jasper Philipsen nos sprints. MvdP vem de mais um ano espetacular, onde conquistou dois monumentos, levantou os braços e andou de amarela no Tour. Nada me faz antever uma queda de rendimento do neerlandês para 2026, por isso aquela que é a principal montra da equipa continuará bem exposta. O único problema para o 8x vencedor de monumentos é o insaciável Tadej Pogačar, que teima em colocar-se num caminho que, sem ele, seria fácil para MvdP. Já Philipsen teve uma época assim-assim, com destaque para as vitórias nas primeiras etapas, e consequente liderança da prova, do Tour e da Vuelta.

Apesar das duas grandes estrelas serem as responsáveis por quase todos os sucessos da equipa, há mais gente a merecer o seu destaquezinho. Kaden Groves continua a não ser o mais rápido sprinter do mundo mas a ter uma capacidade incrível de picar sempre o ponto. Este ano venceu no Giro e, a partir de uma espetacular fuga, no Tour. E depois mencionar, claro, a grande revelação da equipa em 2025, Tibor del Grosso. Tem estilo, tem ousadia e, mais importante ainda, tem pernas que nunca mais acabam. Tenho muito esperança neste rapaz a quem ainda falta uma grande vitória, que chegará em 2026 por certo. Há outros ciclistas que, no dia certo, podem dar uma alegria à equipa em corridas de menor dimensão. Plowright, Uhlig, Dehairs é tudo gente rápida.

Quanto às movimentações, destaque para a sangria no bloco de clássicas da equipa. Gianni Vermeersch era o braço direito de Van der Poel no empedrado, Timo Kielich vinha em crescendo e tanto Hermans como Meurisse eram ciclistas úteis. Sabe-se que a Alpecin não tem dos maiores budgets do mundo, e como o gasta todo nas estrelas as segundas linhas estão, habitualmente, numa roda-vida incessante. Para colmatar as saídas, foram buscar 10 pinos mesmo à estilo Alpecin, que meio que ninguém sabe quem são, mas que saberão exatamente o seu trabalho de colocação de lideres e lançamento de sprints. As contratações de destaque parece que foram feitas pelo Undertaker, é só tentativas de ressuscitar pessoal. Florian Sénéchal, classicómano e lançador de grande nível mas muito apagado nos últimos anos; Francesco Bussato, grande promessa, vencedor da Liège sub-23, que parecia perdido na perdida Intermarchè e Gerben Thijssen que, enfim, vem para terceiro sprinter e vamos descobrir se ainda é sprinter. Nota para a curiosidade de Hugo Houle andar sempre atrás das equipas patrocinadas pela Premier Tech, assim é fácil fazer carreira. Continuam também com a sua filosofia marcada de "se sabes subir, podes ir dar uma 'granda volta que aqui não entras" e há uma certa beleza nisso. É proibido escalar montanhas rápido.

Para 2026, espera-se mais do mesmo e o sucesso será depois medido nos grandes momentos, ou seja, nos monumentos e no Tour. Esta é uma equipa dos grandes momentos. Eu gosto do perfil. Sabem ao que vêm, têm os seus objetivos definidos e o caminho bem marcado. Além disso têm todos ótimos cabelos. Com doping também eu.

Ciclistas a ter em atenção: Tibor del Grosso. Ter em atenção na estrada e nas redes sociais, que ele é muito divertido; Emiel Verstrynge que espera confirmar na estrada o potencial óbvio que demonstra no ciclocrosse.

Bitaite falso plano: Silvan Dillier vai fazer 250 quilómetros na frente do pelotão na Milão-Sanremo; Francesco Busatto vai fazer pódio numa clássica WT; Van der Poel vai chegar aos 10 monumentos antes de Tadej Pogačar.

Bahrain - Victorious

Primeira provas por etapas, primeiro ataque. Afonso Eulálio mostrou ao que vinha logo so Santos Tour Down Under. (foto: Sapo)


Entradas: Attila Valter; Alec Segaert; Pau Miquel; Jakob Omrzel; Alessandro Borgo.
Saídas: Andrea Pasqualon; Jack Haig; Fred Wright; Torstein Træen; Nicolò Buratti; Sergio Tu; Finlay Pickering.
Vitórias 2025: 10 no total – 3 no World Tour.
Classificação WT: 10.º.

A Bahrain parece um pouco perdida nos últimos anos. É compreensível, a saída de Mikel Deus Nosso Senhor Landa afetaria qualquer um. Uma equipa que é principalmente focada na GC mas que não tem tido grande sucesso na GC e parecia um pouco envelhecida.

Apesar desta introdução pessimista, acho que a equipa está a dar os passos certos para inverter a tendência. Lenny Martinez chegou na época passada e, apesar de não ter tido uma super época, começou desde logo a vencer, e em corridas importantes. A equipa colocou, publicamente, a fasquia do curto/médio prazo muito alta, ao falar sobre vencer o Tour, e isso pode prejudicar a perspectiva que temos sobre um ciclista tão jovem e que já demonstra, com consistência, tanta qualidade entre os melhores do mundo.

Este ano deu novo passo neste sentido de rejuvenescimento, e que passo. Jakob Omrzel chega à equipa depois de, entre outros impressionantes resultados, vencer o Giro Baby. É preciso ter calma e não pedir tudo ao miúdo já nesta época, embora eu acredite que ele possa desde já entregar alguns resultados interessantes. E queria deixar-lhe um abraço, porque o puto teve o azar de nascer no mesmo espaço geográfico que o melhor ciclista da história, pelo que irá constantemente ser comparado a ele, algo que é um pouco injusto.

Continuando no departamento sub-25, há mais boas noticias para a Bahrain. Tiberi falhou nas grandes voltas em 2025 mas está a iniciar 2026 com qualidade, o que são bons sinais para o italiano que este ano se deverá estrear no Tour em busca de um top-5 que será complicado de atingir. Afonso Eulálio teve uma super época de estreia no WT e tudo indica que este será um ano onde terá espaço e liberdade para crescer, despertando muita curiosidade sobre o que o português poderá fazer, sobretudo no Giro.

Santiago Buitrago parece não ir cumprir tudo o que um dia cheguei a pensar que podia, mas é um ciclista sólido e que vai continuar a entregar bons resultados para a equipa. E ele que se deixe de GC – fugas e clássicas são onde o colombiano pode encontrar o seu ouro. Pello Bilbao e Damiano Caruso continuam a lutar contra o tempo e ainda podem ser úteis, quer com resultados quer com a transmissão da sua imensa experiência para os mais jovens nesta equipa. São dois elementos fundamentais nesta transição que a formação atravessa.

Mohorič o ano passado esqueceu-se que era ciclista, vamos ver se volta ao ativo em 2026. É um ciclista atacante, louco e classicómano que seria muito bem vindo de regresso.

Há outros nomes, como Zambanini, Bauhaus e os recém chegados Alec Segaert, Pau Miquel e Atilla Valter que, aqui e ali, podem conseguir uns pódios nos seus terrenos prediletos, mas o foco da equipa 2026 será voltar a afirmar-se como uma equipa sólida na GC e perigosa nas fugas através dos nomes acima citados.

A progressão de Lenny Martinez, Jakob Omrzel e Antonio Tiberi são o principal KPI que a Bahrain vai avaliar este ano, esperando bons sinais por parte desta juventude toda, com os olhos postos nos grandes resultados do futuro.

Ciclistas a ter em atenção: Daniel Skerl teve uma oportunidade para sprintar quando Bauhaus furou no AlUla Tour e só perdeu para Milan. Bom cartão de visita e vou mantê-lo debaixo de olho o resto do ano; Omrzel, por todas as razões já faladas.

Bitaite falso plano: Afonso Eulálio vence uma etapa no Giro, limpa a camisola da montanha e ainda ajuda o João depois das fugas serem apanhadas. Ruben Guerreiro 2020, és tu?

Decathlon CMA CGM Team

Mesmo cara de quem vai limpar o Tour assim que Pogi arrumar a bicicleta. Sem pressão. (foto: Decathlon CMA CGM Team)


Entradas: Tiesj Benoot; Olav Kooij; Cees Bol; Gregor Mühlberger; Tobias Lund Andresen; Matthew Riccitello; Daan Hoole; Robbe Ghys; Antoine L'Hote.
Saídas: Sam Bennett; Benoît Cosnefroy; Andrea Vendrame; Dorian Godon; Dries De Bondt; Victor Lafay; Bruno Armirail; Clément Berthet; Nans Peters; Geoffrey Bouchard; Bastien Tronchon.
Vitórias 2025: 26 no total – 3 no World Tour.
Classificação WT: 7.º.

All eyez on you. A estrutura da Decathlon mudou completamente nos tempos recentes, desde a direção, aos corredores até à identidade e às ambições. E, claro, ao budget. Mas no fundo, há um elemento que é o decisivo em toda esta equação. É Paul(o) Seixas capaz de tanto como aquilo que a equipa, os franceses e eu esperamos dele? O prodígio francês (BLASFÉMIA!) deixou água na boca de toda a gente com o seu primeiro ano entre os grandes. Top-10 no Dauphiné e na Lombardia, pódio nos Europeus. Aos 18 anos. Pelo caminho ainda foi a Avenir confirmar o seu estatuto de melhor jovem da atualidade. As expetativas estão altíssimas, a equipa aposta muito nele, e o objetivo no longo prazo é aquele que todos nós sabemos – acabar com a seca francesa no Tour. Mas isso não é para já, esta deverá ser uma época de afirmação e confirmação nas grandes corridas, quer de etapas quer clássicas, de estreia a vencer e de estreia em grandes voltas. Força Paulo, estou a torcer por ti.

Até Paul Seixas chegar ao ponto rebuçado, a equipa também não está nada mal entregue. Felix Gall confirmou em 2025 a sua condição de voltista (5.º no Tour, 8.º na Vuelta) e é um trepador temível que, em 2026, fará o combo Giro/Vuelta em busca do primeiro pódio da carreira. A chegada de Matthew Riccitello traz mais uma opção GC à equipa e cabe ao americano confirmar os bons sinais deixados na época passada. Acho que será essencial no comboio de Seixas no longo prazo, mas por enquanto terá liberdade.

Para garantir vitórias e tirar alguma pressão dos trepadores, a equipa reforçou-se, e bem, no que aos homens rápidos diz respeito. A primeira grande vitória da offseason foi a saída de Sam Bennett, projeto que não resultou. E quem chegou para a vez dele certamente entregará melhores resultados. A estrela é Olav Kooij, um dos 5 melhores sprinters da atualidade que saiu da Visma em busca da oportunidade de ir ao Tour, algo que, assim ele recupere do problema atual, deverá acontecer já em 2026. E nem eu nem ninguém estranhariam caso essa estreia fosse coroada com uma vitória em etapa. Além do neerlandês, chega também Tobias Lund Andresen, que iniciou a época a todo o gás na Austrália e, não sendo o mais rápido dos sprinters, é bastante competente e pode aproveitar esta mudança para subir ainda mais o seu nível.

Há mais gente com qualidade nesta equipa, embora as estrelas, aqueles que buscarão as maiores glórias, sejam os já referidos. Ainda assim, Nicolas Prodhomme desperta curiosidade depois da super época que teve, Paul Lapeira, Aurélien Paret-Peintre, Pierre Gautherat, Léo Bisiaux e Jordan Labrosse são tudo ciclistas franceses com qualidade que deverão lutar por bons resultados, sobretudo no circuito francês.

Uma nota final para a chegada de um capitão de equipa do melhor que há em Tiesj Benoot, ótimo gregário e garantia de relevância em toda a maldita corrida que seja disputada na Bélgica. Com ele chega Daan Hoole em busca de liberdade e estes dois juntam-se a Stefan Bissegger e Oliver Naesen para compor um bloco de clássicas que não assusta ninguém mas que cumprirá os mínimos.

Os objetivos são claros. Vencer muito com Kooij, assistir e potenciar o crescimento de Paul Seixas, continuar em busca de sucesso na GC com Gall.

O futuro é, ao que tudo indica, auspicioso para a equipa francesa que busca entrar na disputa pelo estatuto de super equipa. Ter Paul Seixas ajuda, assim não estraguem o miúdo.

Ciclistas a ter em atenção: Acho que já perceberam a quem é que têm de ter em atenção. Não perder também Bisiaux de vista também, muito potencial no corpo do jovem de 20 anos.

Bitaite falso plano: O Benoot limpa uma clássica a sério na Bélgica. De preferência contra 3 Vismas, eu amava; Paul Seixas faz top-5 na sua grande volta de estreia.

EF Education - EasyPost

'Fella Healy deu à sua equipa o grande momento da temporada. (foto: EF Education)


Entradas: Luke Lamperti; Noah Hobbs; Michael Leonard; Matthias Schwarzbacher; Mattia Agostinacchio.
Saídas: Rui Costa; Esteban Chaves; Hugh Carthy; Owain Doull; Jack Rootkin-Gray; Yuhi Todome.
Vitórias 2025: 10 no total – 6 no World Tour.
Classificação WT: 12.º.

Pouco muda na equipa americana. Uma equipa que caça etapas, com uma personalidade forte e divertida cujos objetivos são mandar estilo e ganhar qualquer coisa de vez em quando.

O destaque desta offseason para esta equipa é o reforço da secção de homens rápidos. Luke Lamperti fugiu da sombra de Paul Magnier e veio procurar espaço numa equipa da sua terra natal e Noah Hobbs, vencedor de 1 etapa no Avenir (o 2.º melhor momento da sua carreira, atrás das 2 vitórias de etapas + GC na Volta ao Alentejo), vai dar inicio à sua carreira no WT dentro de uma estrutura que lhe permitirá correr para si regularmente. São estes dois jovens rápidos, com muito potencial, a principal novidade para 2026.

Tirando isso, o core mantém-se o mesmo dos últimos anos. O trio composto por Ben Healy, Neilson Powless e Richard Carapaz continuarão a ser os responsáveis pela maioria das ambições da equipa.

Carapaz rende sempre, o equatoriano sabe muito disto. Ora percebe que a startlist é fraca e vai sacar um pódio numa grande volta, ora percebe que não tem pernas para isso e arranja maneira de ganhar uma etapa, ora chega à camisola das bolinhas. Dê por onde der, sabemos que se Carapaz está à partida de uma grande volta, vai ser protagonista. Ben Healy é um protegido falso plano, cheio de cenário, de ousadia e de torcicólogos. O irlandês continuou a sua progressão em 2025, com o momento alto a acontecer no Tour, onde venceu uma etapa, andou de amarelo e fechou no top-10, trazendo essa novidade de conseguir sobreviver na GC. Para 2026 espero grandes prestações nas suas predilectas Ardenas, muitos quilómetros a solo e algumas vitórias interessantes. Já quanto a Powless, é um ciclista dificil de avaliar, dada a sua versatilidade. Pode-se dar bem em fugas, sendo um grande rolador, em clássicas duras, como já provou no passado, ou até em provas de uma semana relativamente softs. Espero mais do mesmo do americano, penso que aquilo que já vimos dele é aquilo que ele é, e já não é nada mau.

A linha secundária da equipa conta alguns sprinters versáteis que, no contexto certo, podem vencer uma corrida de menor dimensão, como Madis Mihkels, Marijn van den Berg e Vincenzo Albanese. Conta também com um Harry Sweeny que arrancou muito bem a época, um Alex Baudin que pode vencer uma fuga de montanha no dia correto, tal como Archie Ryan, Georg Steinhauser ou Mikkel Honoré. Asgreen já não é o que era mas ainda pode enganar um pelotão, como fez o ano passado no Giro e em 2024 no Tour.

Nota final para a chegada de quatro miúdos promissores à equipa, de seu nome Matthias Schwarzbacher, Markel Beloki, Michael Leonard e Mattia Agostinacchio.

Ciclistas a ter em atenção: Noah Hobbs pode ser a nova cena do sprint, não o percam de vista.

Bitaite falso plano: Ben Healy dá uma cabeçada em alguém mas não é desclassificado pois os juízes alegam que "tinha a cabeça na sua posição natural".

Groupama - FDJ United

Ele não acredita. Nós não acreditamos. Foi só um sonho. (foto: IDL ProCycling)


Entradas: Clément Berthet; Ewen Costiou; Bastien Tronchon; Axel Huens; Josh Kench; Maxime Decomble; Matteo Milan; Titouan Fontaine.
Saídas: Stefan Küng; Sven Erik Bystrøm; Lewis Askey; Matthew Walls; Lars van den Berg; Clément Davy; Eddy Le Huitouze.
Vitórias 2025: 15 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 18.º.

A FDJ entusiasmava-me bem mais em 2023 do que me entusiasma em 2026. A trajetória tem sido descendente e é hoje uma das equipas mais curtas do World Tour.

As maiores esperanças recaem sobre o puncheur Romain Grégoire o que, apesar da sua qualidade e potencial, não é um ótimo sinal. O francês é uma espécie em vias de extinção, um puro puncheur que, quando as montanhas se alongam, tira bilhete para o grupetto. O problema é que há puncheurs melhores que ele, o que torna extremamente difícil alcançar grandes vitórias. Ainda é jovem, tem 23 anos, pelo que um salto qualitativo não está, obviamente, fora de equação e isso pode dar alguma esperança à equipa francesa que, aliada à escassez de qualidade, viu este ano sair o seu mítico diretor desportivo Marc Madiot.

Há mais motivos para sorrir, embora não muitos, na formação gaulesa. Thibaud Gruel vem-se comprovando como uma ótima opção para sprints reduzidos e endurecidos, tendo uma ótima ponta final e uma capacidade interessante de ultrapassar dificuldades. Maxime Demcoble sobe à equipa sénior com um currículo interessante, com destaque para um 5.º lugar num Avenir que chegou a liderar. Bom contrarrelógio, muita juventude e alguma versatilidade tornam-no num ciclista interessante de acompanhar a evolução.

Mas os motivos de interesse param por aqui, se descartamos o interesse óbvio de ver como Gaudu nos vais surpreender e depois desiludir e depois surpreender e depois desiludir este ano. O comboio já passou para Gaudu, pelo menos o comboio de aspirar a grandes resultados em grandes voltas, mas ainda é capaz de nos proporcionar grandes momentos e vem fazendo o seu caminho para se tornar um ciclista de culto e, como todos os ciclistas de culto, só é bom às vezes e isso não chega para "sustentar" uma equipa.

Há mais ciclistas interessantes, mas que deveriam fazer parte duma segunda linha numa equipa World Tour e que aqui carregam demasiada responsabilidade. Clément Berthet é um trepador decente que através de uma fuga pode chegar a uma vitória. Paul Penhoët é rápido, mas nunca é o mais rápido. Madouas e Tronchon dão-se bem em terrenos acidentados mas também não parecem ter à sua espera grandes vitórias. Ewen Costiou abriu bem a época, a vencer em Besseges, mas esse é o nível dele, vencer no circuito francês.

Como devem ter percebido, não estou muito otimista quanto ao 2026 desta equipa. O objetivo é manterem-se relevantes, desenvolverem a sua juventude e continuarem o rebuild enquanto esperam por anos melhores.

Vamos ter saudades tuas, Marc.

Au Revoir, Madiot.


Ciclistas a ter em atenção: Maxime Decomble e Thibaud Gruel. É por aqui que deve residir a esperança da equipa.

Bitaite falso plano: David Gaudu vence a etapa 3 do Tour, envergando a amarela e salvando a época da equipa. Ou isso ou cai no contrarrelógio inicial e desiste.

INEOS Grenadiers

Eu aposto que o 4.º lugar no Tour não é para repetir. A INEOS pagou, e muito, para ver. (foto: Domestique Cycling)


Entradas: Jack Haig; Kévin Vauquelin; Oscar Onley; Dorian Godon; Sam Welsford; Embret Svestad-Bårdseng.
Saídas: Geraint Thomas; Caleb Ewan; Jonathan Castroviejo; Omar Fraile; Salvatore Puccio; Michael Leonard.
Vitórias 2025: 28 no total – 13 no World Tour.
Classificação WT: 8.º.

A INEOS fartou-se de largar guita e eu estou indeciso sobre qual a avaliação que lhes devo dar quanto à aplicação dessa guita. Se o objetivo é ganhar o Tour de France, acho que isto não ajuda muito, Vauquelin e Onley não são os homens certos para isso. Se o objetivo é a equipa conformar-se com o seu novo estatuto de mediania, estes são dois ciclistas que irão cumprir o seu papel.

E não me interpretem mal, Onley e Vauquelin são dois ótimos ciclistas e com muito potencial, eu é que se calhar ainda estou demasiado agarrando à grandeza passada desta equipa. Onley chega aqui vindo de um ano espetacular, onde finalmente conseguiu deixar de lado as lesões e atingir o seu potencial, com o destaque óbvio e merecido a ir para o 4.º lugar alcançado no Tour. Eu tenho alguma dificuldades em imaginar o escocês repetir o feito, mas a qualidade é inegável e conto com ele para vários top-5 em provas de uma semana, onde se sente que nem peixe na água devido ao seu bom kick e sprint, ferramentas super úteis em provas mais curtas. Já Vauquelin, pode parecer contraditório, e é, mas eu acho que top-10 que atingiu no Tour lhe vai fazer mal à carreira. Vai enganá-lo, querer fazer dele um voltista, quando eu penso que as suas principais valências estão nas clássicas (os dois 2.º na Fléche comprovam isso), nas fugas e em provas de uma semana que se lhe adequem. É explosivo, anda bem no ITT mas penso que lhe falta algo na alta montanha. E não tem nada de mal, nem todos têm de ser voltistas para serem bons.

Estas duas chegadas são as protagonistas desta offseason de uma INEOS que, de resto, mantém o plano dos anos mais recentes. Esse plano consiste em ser uma equipa lutadora, que procura as suas oportunidades e as tenta aproveitar da melhor forma possível, e qualidade, apesar de tudo, continua a não faltar.

Filippo Ganna e Joshua Tarling têm aquilo a que eu chamo de um "azar do caralho" de terem nascido na geração de Remco Evenepoel. São dois contrarrelogistas de excelência mas que vêm a possibilidade de grandes vitórias lhes ser retirada pela superioridade do monstro belga. Ainda assim, podem vencer em corridas onde Remco não participe e podem, tanto um como outro, continuar o seu desenvolvimento em clássicas (sobretudo no pavê) e aspirar a bons resultados à boleia do super motor que detêm. Magnus Sheffield entra neste grupo, com um pouco menos de capacidade no contrarrelógio mas com maior resistências às dificuldades, o que lhe pode dar capacidade para grandes resultados em provas de uma semana. Isto se, finalmente, abandonar a intensa relação tóxica que tem mantido com o alcatrão. Sempre aos beijos esses dois, já irrita.

Carlitos Rodriguez vai ter uma época melhor que 2025. Isto nem chega bem a ser uma aposta, é quase uma obrigação dado o quão abaixo do seu nível se apresentou o espanhol na época passada. Quando está bem, é um dos melhores trepadores do mundo e ainda é jovem, pelo que espero da sua parte uma comeback season. No campo da imprevisibilidade, destaca-se também o nosso amado Thymen Arensman que, capaz do melhor e do pior, tanto pode fechar top-5 ou duas etapas no Tour como pode acabar a corrida sem nós percebermos que ele tinha arrancado. E Egan Bernal, recém bi-campeão colombiano, busca a continuação do seu regresso ao mais alto nível. Foram dados passos em 2025, com o top-10 no Giro e a vitória em etapa na Vuelta. Ainda há espaço para mais passo em frente? É uma incógnita, tal como todos os ciclistas deste parágrafo.

Se há coisa que não falta a esta equipa é profundidade, quase todo os seus ciclistas podem, num dia bom atingir grandes resultados. Samuel Watson, Dorian Godon e Ben Turner são três homens rápidos muito capazes de passar algumas dificuldades e, em seguida, sprintar para a vitória. Axel Laurance é da mesma linha, embora mais punch. De Plus, Jungels, Haig e Kwiatkowski são ciclistas com muita experiência e muito perigosos em fugas. Artem Shmidt e Andrew August dois americanos com potencial, muito jovens. Langellotti continuará a ser um ciclista de culto e o melhor monegasco do mundo enquanto Tobias Foss ficou em 2022, para sempre. Às vezes também gostava de lá ter ficado.

Podia falar também de Welsford, mas à hora a que este artigo é escrito a sua época já terminou.

O objetivo deverá ser vencer através de fugas relevantes através dos seus 20 ciclsitas capazes de o fazer e consolidarem-se de novo como uma ameaça para a GC através de Vauq, Onley e Carlitos.

Ciclistas a ter em atenção: Embret Svestad-Bårdseng é um belo trepador e foi bem resgatado à extinta Àrkea; Andrew August mostrou-se forte na Valenciana e fiquei curioso.

Bitaite falso plano: Carlos Rodriguez faz pódio numa grande volta. La Remontada; Joshua Tarling ganha um contrarrelógio a Remco Evenepoel.

Lidl - Trek

Um belo sorriso dirigido ao inocente Skjelmose. Ingénuo homem, que achava que ia liderar alguma coisa. (foto: Lidl-Trek)


Entradas: Juan Ayuso; Max Walscheid; Derek Gee-West; Matteo Sobrero; Mathias Sunekær Norsgaard; Jakob Söderqvist.
Saídas: Jasper Stuyven; Ryan Gibbons; Alex Kirsch; Tim Declercq; Juan Pedro López; Daan Hoole.
Vitórias 2025: 46 no total – 20 no World Tour.
Classificação WT: 3.º.

A caminhada que tem como objetivo último atingir o topo continua para a Lidl-Trek. A ambição é muita, o dinheiro também e a qualidade é cada vez maior.

Numa equipa que já contava com um dos melhores blocos de sprint do World Tour (basta recordar que venceram as 3 classificações por pontos nas grandes voltas em 2025, por intermédio de Mads Pedersen – Giro e Vuelta – e Jonathan Milan – Tour) e um conjunto de classicómanos que exigia muito respeito (lembremo-nos da estrondosa vitória de Skjelmose na Amstel ou dos pódios em Roubaix e Flandres com Mads e na Liège com Ciccone) faltava um grande voltista. E ei-lo aí, na forma de Juan Ayuso, o polémico prodígio espanhol que se solta agora das amarras da UAE para ser rei e senhor na Lidl, tendo a oportunidade de provar aquilo que é, e que ele acredita ser, o seu valor.

Não nos deixemos enganar pelo nosso jihadismo e por alguma falta de sorte que tem perseguido Ayuso. É um ciclista de topo, com um potencial gigante e que ainda tem meros 23 anos. A Lidl contrata aqui, a peso de ouro, um dos pouquíssimos ciclistas no mercado com capacidade para vencer uma grande volta, e isso leva a equipa para outro patamar. É uma extraordinária adição e eu acredito que para Ayuso tenha sido também o passo ideal e estou muito curioso para ver no que vai dar. Sei que no Algarve vai perder para o João, mas daí para a frente a sua época é uma incógnita. O foco está no Tour e o objetivo deverá ser, legitimamente, o pódio.

Sendo verdade que Derek Gee chega também à equipa, dando mais profundidade de GC, é em Ayuso que está a principal revolução na Lidl, já que de resto mantém-se o mesmo registo. E é um belo registo.

Mads Pedersen segue sendo a estrela da companhia e segue a sua incessante busca pela glória num monumento – esperemos que a sua época não seja afetada negativamente pela queda e lesão contraída em Valência. O seu plano será o mesmo de sempre, lutar herculeamente contra os aliens Van der Poel e Pogačar, procurando uma pequena fissura nas suas armaduras para finalmente vencer em Roubaix ou na Flandres. Isso e aproveitar a ausência desses dois em algumas provas para continuar a enriquecer o seu já extenso palmarés. Este ano volta também ao Tour, com os olhos postos na camisola verde, que também ficava bem lá em casa.

Se Mads vai ao Tour, isso significa Jonathan Milan no Giro. O italiano procura confirmar-se como o melhor sprinter do mundo, posição que disputa com Merlier e Philipsen, tendo do seu lado a idade. Não espero nada de novo para Milan, apenas muitas vitórias. Veremos se conseguirá dar um passo em frente, quer ao nível do domínio nas chegadas rápidas quer na prestação nas clássicas que já confessou ambicionar melhorar.

Eu conseguia escrever uma crónica só sobre esta equipa, tantos são os pontos de interesse. Skjelmose pareceu um pouco afetado pela chegada de Ayuso (e não se coibiu de o demonstrar) mas continuará a ter espaço na equipa para procurar vitórias em clássicas e em provas de uma semana. Como voltista, continuo a ter as minhas dúvidas. Duvidas essas que já não me assombram quando falamos de Giulio Ciccone. Esse não é voltista, é classicómano, é homem de fugas, e é pena já passar dos 30 e ainda não se ter conformado com isso. Espero que seja este ano. Se for esse o seu foco, pode fazer uma época espetacular.

O departamento jovem também é super entusiasmante. Albert Philipsen é tudo e mais alguma coisa, é um classicómano, um homem rápido que passa dificuldades a sério, acho que pode estar mesmo aqui um grande ciclista no futuro. Tem apenas 19 anos, o vencedor da Paris Roubaix dos piquenos. Jakob Söderqvist e Mathias Vacek têm tanto potencial que até assusta e estou muito curioso para os ver na estrada nos próximos meses sem Pedersen, pode ser uma ótima oportunidade para se mostrarem. Tim Torn Teutenberg é muito rápido. Thibau Nys, o que dizer do potencial deste puncheur. Depois de um 2025 abaixo das expetativas, espero um ano mais forte em que confirme o potencial que lhe é, justamente, apontado.

Por cima de tudo isto, ainda há os experientes Lennard Kämna, Søren Kragh Andersen e Toms Skujiņš, sempre perigosos. Ainda há o irreverente Quinn Simmons, ainda há Tao Geoghegan Hart à procura das suas melhores pernas e um Bauke Mollema a querer fechar uma bela carreira com chave de ouro.

Há tanto, mas tanto, nesta equipa, que o principal desafio será não se atrapalharem uns aos outros. Mas uma coisa é certa, a Lidl decidiu que ia ser uma das melhores equipas do mundo e está no caminho certo para isso.

Ciclistas a ter em atenção: Eu sou apaixonado pelo Philipsen, é um corredor do caraças; Thibau Nys, espero muito dele, o que mostrou em 2024 deixou-me de água na boca; Vacek, sem Mads durante uns tempos, vai voar.

Bitaite falso plano: Toms Skujiņš vai, obviamente, fazer top-10 no mundial; A equipa vai voltar a vencer a camisola dos pontos nas 3 grandes voltas, e ainda lhes vai somar um pódio na GC com Ayuso.

Lotto Intermarché

Entre os miúdos ganhou quase tudo o que havia para ganhar. Terá pedalada para os graúdos? (foto: LottoCycling)

Entradas: Lorenzo Rota; Georg Zimmermann; Taco van der Hoorn; Jonas Rutsch; Vito Braet; Luca Van Boven; Jarno Widar; Huub Artz;Roel van Sintmaartensdijk; Simone Gualdi; Mathieu Kockelmann; Matthew Fox; Felix Ørn-Kristoff; Matys Grisel.
Saídas: Elia Viviani; Eduardo Sepúlveda; Brent Van Moer; Alec Segaert; Arjen Livyns; Jonas Gregaard; Jarne Van de Paar; Logan Currie; Henri Vandenabeele; Jarrad Drizners; Lorenz Van de Wynkele.
Vitórias 2025: 12 no total – 3 no World Tour.
Classificação WT: 23.º.

Trocas e baldrocas, merge não merge, baralha e volta a dar, mas no fundo isto continua a ser a Lotto e a esmagadora maioria dos ciclistas principais mantém-se os mesmos.

O histórico emblema belga regressa ao escalão máximo do ciclismo mundial e tem uma equipa interessante, embora repleta de incógnitas. Arnaud de Lie é a estrela da companhia mas tem sido muito irregular, parece ser pouco estável emocionalmente e ter dificuldades em se apresentar no seu melhor quando as luzes brilham muito, mas a espaços ainda mostra o bicho que é, como fez no Renewi Tour, batendo Mathieu van der Poel limpinho limpinho. O belga correrá mil clássicas, cheio de ambição em todas. Se há ciclista que pode rivalizar com os grandes nomes do empedrado é ele, só é preciso as estrelas alinharem-se. Segue-se o Tour, onde pode ser um candidato à camisola verde. Com a cabeça no sitio, Arnaud de Lie pode tudo. Eu adoro-o, é um protegido falso plano e estou a torcer por ele. Acresce a toda esta tensão o facto deste ser o seu último ano de contrato, o que poderá trazer ainda mais incerteza a rodear o Touro.

Um prodígio belga é bom, dois ainda é melhor. Jarno Widar dá finalmente o salto para o lago dos tubarões e era difícil a expetativa ser maior. O pequeno trepador/puncheur, que fechou 2.º em Avenir apenas atrás de Paulo Seixas (e ainda venceu duas etapas), tem tudo para singrar e ser uma estrela no curto/médio prazo. É explosivo, é ousado, sobe bem, é o pacote completo. Vamos ver o que conseguirá entregar já neste primeiro ano, onde terá um calendário muito difícil, a começar já pela Figueira e Algarve. Para este ano, uma incógnita, para o futuro, uma "certeza".

Se a estes dois nomes somarmos Lennert van Eetvelt, encontrar o big-3 da Lotto. Eetvelt teve um 2025 muito fustigado por lesões mas já mostrou que é capaz de grandes resultados quer em terrenos acidentados como em média montanha e estou muito curioso com o seu 2026, espero muito dele.

Assim mantenham estes 3 nomes nas suas fileiras, o futuro é risonho para a Lotto. Mas não só destes 3 se faz a equipa, naturalmente, há mais pontos de interesse.

Jenno Berckmoes vem-se afirmando como um nome a ter em conta nas clássicas mais duras, Milan Menten nas mais softs. E depois há a miudagem sprinter, onde a equipa conta com um combo que promete dar que falar nos próximos anos e que já iniciou 2026 com o pé direito. Steffen De Schuyteneer e Mathieu Kockelmann são jovens, são rápidos e prometem muito. De Schuyteneer já ganhou em Taihu Lake, só para verem bem a capacidade do bicho.

O grande objetivo da Lotto para 2026 será ter um De Lie consistente e um Widar a fazer uma boa adaptação. Isso é o essencial para ter o presente, e sobretudo o futuro, assegurado. Isso e renovarem-lhes os contratos o quanto antes.

Ciclistas a ter em atenção: Baptiste Veistroffer ganhou de forma espetacular em Omã e parece ser um Taco van den Hoorn em potência; a dupla de sprinters que mencionei, Steffen De Schuyteneer e Mathieu Kockelmann.

Bitaite falso plano: Jarno Widar faz top-5 na Liège e ganha uma etapa na Vuelta; um comentador pronuncia corretamente o nome de Roel van Sintmaartensdijk.

Movistar Team

Vai ser sempre um dos meus momentos favoritos da história do ciclista. "Fué un placer señores, yo me quedo por aqui". Que delicia.


Entradas: Roger Adrià; Cian Uijtdebroeks; Juan Pedro López; Raúl García Pierna; Pavel Novák.
Saídas: Fernando Gaviria; Ruben Guerreiro; Davide Cimolai; Gregor Mühlberger; Antonio Pedrero; Will Barta; Mathias Sunekær Norsgaard.
Vitórias 2025: 9 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 15.º.

A Movistar, no meio da loucura que a caracteriza, tem vindo a rejuvenescer-se e eu acho que estão no caminho certo. As contratações foram poucas mas foram cirúrgicas e todas de qualidade. Quatro têm qualidade na bicicleta, Juan Pedro López nem por isso mas é um ciclista super engraçado e isso também vale.

Cian Uijtdebroeks chega para ter a liberdade que tanto almejava e que a Movistar lhe pode dar. Uma oportunidade bem vista pela equipa espanhola e da qual ambas as partes podem beneficiar. O belga mostrou tremendo potencial quando era mais jovem, vencendo Avenir e fechando top-10 na primeira participação numa grande volta, mas daí para cá os problemas físicos e mentais têm-nos impedido de ver a sua melhor versão. Se tens problemas mentais e vais para a Movistar pode correr bem. Menos com menos dá mais. E o "correr bem" deste ciclista é lutar por top-5 em grandes voltas, ambição que estava já desde há muito reservada apenas a Enric Mas nesta estrutura.

Chega também Pavel Novák com essa ambição, não para já para um futuro mais distante. É uma contratação estranha, um checo cheio de potencial vir para a Movistar, mas o potencial está lá, como ficou bem patente com o seu pódio do Baby Giro, a que somou uma vitória em etapa. Não é o maior dos prodígios, mas é da linha logo a seguir. Roger Adrià e Raúl Garcia Pierna vêm para caçar etapas, e têm capacidades para isso. Se somas talento e só deixas sair "peso morto", então é uma boa offseason, e foi isso que a Movistar fez.

Os reforços foram bons, e a prata da casa já não era má. Enric Mas é o que é, já todos sabemos não vale a pena alongarmo-nos muito, apenas destacar mudança de calendário já que este ano falhara o Tour para tentar o sucesso na dupla Giro/Tour. Einer Rubio pode fazer um top-10 numa grande volta, ou sacar uma vitória de etapa, e isso é sempre útil. Pablo Castrillo foi um investimento grande que, apesar de alguns resultados interessantes, não cumpriu completamente com o esperado em 2025 e espera ser mais bem sucedido em 2026. Javier Romo teve o seu melhor ano, veremos se consegue manter o nível. Natnael Tesfatsion e Carlos Canal conseguem ser perigosos em terrenos ondulados, assim como Jon Barrenetxea. Malta que passa dificuldades e tem boa ponta final dá sempre jeito. Iván Garcia Cortina, esse vai ganhar Roubaix outra vez.

Deixei para o fim os dois corredores que mais me intrigam e sobre os quais tenho mais curiosidade. Iván Romeo tem um motor espetacular, mas ainda não percebi bem que tipo de ciclista é, ou que tipo de ciclista quer ser. É bom contrarrelogista, defende-se quando o terreno inclina mas não penso que o suficiente para ser um voltista. Provavelmente acabará sendo um caça etapas de elite, e isso já não é nada de se menosprezar. Diego Pescador abriu 2026 em grande estilo e quero ver como será a sua evolução.

Nota final para Nairo Quintana, sabe-se lá se ele ainda consegue alguma coisa e, claro, para o capitão de equipa Nélson Oliveira, que renovou por mais duas épocas e continuará a ser peça fundamental nesta equipa, através da sua experiencia e liderança.

Os objetivos principais da equipa passarão por ser relevante nas GC das grandes voltas e por ganhar mais que o habitual. Tem equipa para isso, as 9 vitórias de 2025 sabem a muito pouco.

Ciclistas a ter em atenção: Diego Pescador, jovem trepador colombiano que tenho gostado de ver; Pavel Novák, curioso para perceber que ciclista será nesta sua primeira época.

Bitaite falso plano: Iván Romeo ganha uma etapa no Tour, Nairo Quintana uma no Giro e Orluis Aular uma na Vuelta.

NSN Cycling Team

Biniam Girmay começou logo a vencer. Continuar a fazê-lo é uma parte muito importante do eventual sucesso desta equipa.(foto: Cycling Weekly)


Entradas: Biniam Girmay; Dion Smith; Lewis Askey; Ryan Mullen; Brady Gilmore; Alessandro Pinarello; Pau Martí; Rotem Tene.
Saídas: Chris Froome; Jakob Fuglsang; Michael Woods; Pascal Ackermann; Hugo Houle; Derek Gee-West; Matthew Riccitello; Michael Schwarzmann; Riley Pickrell.
Vitórias 2025: 23 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 14.º.

A Israel saiu, pelo menos de força estatal oficial, do ciclismo, e isso é uma boa noticia para o desporto. A confusão que trazia, já para nem falar dos problemas éticos e morais, só tiravam o protagonismo de onde ele deve estar no que ao ciclismo diz respeito, que é nos ciclistas.

Águas passadas, licenças compradas e surge uma nova equipa. NSN, com "passaporte" suíço, e os primeiros passos foram positivos.

Limparam a folha salarial com as saídas de Froome, Fuglsang, Woods e Ackermann, tudo ciclistas que não andavam o suficiente para o que recebiam. Por outro lado, perderam Derek Gee e Riccitello, ciclistas que andavam mais do que o que recebiam.

Com estas saídas perderam capacidade na GC, mas ganharam nos sprints e nas clássicas, onde focaram o seu investimento. A chegada mais sonante é, obviamente, Biniam Girmay. O eritreu que venceu três etapas e a camisola verde no Tour em 2024 teve um 2025 abaixo do esperado, mas a situação da equipa também não era a melhor, o que deve ajudar a explicar o desempenho abaixo do esperado. A verdade é que é um sprinter versátil, rápido e capaz de dar muitas vitórias, muitos pontos UCI e muito marketing, tudo atributos fundamentais para uma nova equipa que se quer afirmar.

Chegaram também os talentosos Lewis Askey, Brady Gilmore e Pau Martí. Tudo nomes under the radar mas com bastante potencial e que, nos últimos dois casos (ambos promovidos da equipa de formação), já começaram a dar cartas em 2026.

Quanto ao que fica, não é incrível mas existe qualidade. Corbin Strong é um sprinter/puncheur do melhor que há, embora pareça haver sempre alguém mais rápido que ele para o impedir de levantar os braços. Ethan Vernon começou bem a época, é forte a sprintar e em contrarrelógios curtos, o que em determinadas provas pode ser uma combinação bastante interessante.

Depois sobra competitividade, pelas mãos de nomes como Marco Frigo e Riley Sheehan, capacidade para lutar por clássicas de menor relevância com gente como Jake Stewart, Hugo Hofstetter e Oded Kogut e alguma esperança no desenvolvimento positivo de trepadores como Joseph Blackmore e Matis Louvel.

Não é muito, é verdade, mas é uma base interessante para se arrancar um novo projeto cujo objetivos serão permanecer relevante, tentar levar Bini a uma/duas vitórias em grandes voltas e lançar as bases para um projeto que ambiciona certamente vir a ser mais do que o que se espera deles para 2026.

Sabiam que o Lutsenko ainda corria?

Ciclistas a ter em atenção: Alessandro Pinarello tem alguma qualidade, é jovem e tem aqui a primeira oportunidade correr numa equipa WT; Stephen Williams, que teve um 2024 insano e depois em 2025 quase nem correu. Gostava de o ver de volta.

Bitaite falso plano: Marco Frigo ganha finalmente uma etapa no Giro; Lewis Asket ganha a Bretagne Classic.

Red Bull - BORA - hansgrohe

Remco Evenepoel arranjou um telemóvel novo, mas aprece que ninguém lhe atende as chamadas. (foto: PezCycling News)


Entradas: Remco Evenepoel; Mattia Cattaneo; Gianni Vermeersch; Arne Marit; Haimar Etxeberria; Jarrad Drizners; Callum Thornley; Adrien Boichis; Luke Tuckwell.
Saídas: Roger Adrià; Matteo Sobrero; Sam Welsford; Jonas Koch; Oier Lazkano; Ryan Mullen; Filip Maciejuk; Anton Palzer.
Vitórias 2025: 23 no total – 10 no World Tour.
Classificação WT: 6.º.

Há um novo menino no recreio. A Red Bull, à semelhança da Lidl, está a dar tudo para contrariar o domínio Visma-UAE que tem marcado os últimos anos e depois de ter recrutado Primož Roglič em 2024, vê agora chegar Remco Evenepoel.

O belga é, indiscutivelmente, o melhor contrarrelogista do mundo, o 2.º melhor em clássicas acidentadas e um corredor top-5, pelo que a offseason da Red Bull tem sempre de ser considerada um sucesso tremendo. Quem recebe um talento destes sobe um patamar, e esse é o objetivo. A relação com a QuickStep já há uns anos não parecia a melhor e Evenepoel procura neste novo inicio uma oportunidade para subir ainda mais o seu nível. O objetivo não estará no contrarrelógio, onde o seu estatuto já é inquestionável, nem nas clássicas, onde já todos sabemos o que vale. O objetivo é confirmar-se como um dos melhores voltistas do mundo, evitar a irregularidade que lhe tem marcado a carreira e afirmar-se como a principal ameaça à dupla Pogačar/Vingegaard. Para se estar nesta conversa tem de se estar na maior corrida do mundo, pelo que o foco desta temporada estará no Tour, onde eu acredito que possa repetir o pódio que já alcançou e, eventualmente, encurtar um pouco a distância para os homens de cima. A isto vai somar múltiplas vitórias durante o ano (já leva 5) e provavelmente o 4.º mundial de contrarrelógio consecutivo. Encaro este como o ano, o momento, em que Remco diz que sim ou sopas. Se vai lutar para ser um dos melhores da sua geração ou um dos melhores da história. Não sei o que vai acontecer, mas estou muito curioso para assistir.

Remco não está sozinho no que a ambições em grandes voltas diz respeito, muito pelo contrário. No Tour terá ao seu lado, como colíder, a nova coqueluche germânica. Florian Lipowitz fechou o pódio no Tour 2025, realizou uma super época a um tal nível que é impossível dizer-lhe que seja somente um gregário. A dinâmica desta dupla será muito interessante de acompanhar.

Já Primož Roglič, "despromovido" na hierarquia da equipa, terá todas as setas apontadas à conquista da 5.º Vuelta para se isolar como o recordista da prova. Aos 36 anos, já não lhe sobrarão muitas oportunidades, certamente.

Como se estes três não bastassem, ainda há mais galos no poleiro. Giulio Pellizzari fez 6.º no Giro e na Vuelta e merece a liderança que lhe vai ser concedida na grande volta do seu país. Aí partilhará liderança com Jai Hindley, que mostrou em 2025 ainda estar ai para as curvas. Depois ainda há Vlasov, que entrou na época a todo o gás, e Daniel Martínez que teve uma época tão má que nos faz esquecer que nem há dois anos fechou pódio numa grande volta.

Abunda qualidade, este bloco de GC, e o interessante vai ser ver como se alimenta as ambições e os egos de toda a gente. Se essa gestão for bem feita, têm mais que equipa para disputar os lugares cimeiros em todas as provas por etapas da época.

Os restantes departamentos, não sendo tão ricos, são também capazes. Jordi Meeus e Arne Marit são dois belgas com capacidade para ir atingindo alguns bons resultados ao sprint. Maxim van Gils e Finn Fisher-Black dão-se bem nas Ardenas e em provas de uma semana menos duras. Gianni Vermeersch e Laurence Pithie são um perigo à solta nas clássicas, onde contarão com o apoio dos irmãos Van Dijke, de Moscon e de Tratnik.

Como já foi referido, há qualidade a dar com um pau. Agora é colocar tudo a remar para o mesmo lado e podemos ter aqui um caso sério e um assalto aos lugares cimeiros da hierarquia do ciclismo. O objetivo é esse, ganhar uma grande volta, fazer pódios em todas e ser presença constante nos momentos das decisões das principais provas.

Os dados estão lançados, vamos descobrir se as asas da Red Bull são só um mito ou se têm aplicação prática.

Ciclistas a ter em atenção: Emil Herzog não tem tido uma entrada fácil no escalão sénior, mas o potencial está lá; Luke Tuckwell sobe à equipa principal depois de um pódio no Giro Baby; Laurence Pithie precisa de mostrar que 2024 não foi um acaso.

Bitaite falso plano: Gianni Vermeersch ataca o seu ex-líder Van der Poel em Roubaix; a equipa coloca dois homens no top-10 de todas as grandes voltas.

Soudal Quick-Step

Quickstep is back. Fuck GC. (foto: QuickStep)


Entradas: Jasper Stuyven; Dylan van Baarle; Alberto Dainese; Filippo Zana; Steff Cras; Laurenz Rex; Fabio Van den Bossche; Jonathan Vervenne.
Saídas: Remco Evenepoel; Mattia Cattaneo; Pieter Serry; James Knox; Josef Černý; Luke Lamperti; Jordi Warlop; Antoine Huby.
Vitórias 2025: 54 no total – 19 no World Tour.
Classificação WT: 5.º.

Acabou a novela Remco, acabou essa experimentação e esse processo de uma equipa querer ser algo que não é. Esta malta não ouve Sérgio Godinho e depois comete estes erros.

Os reforços gritam uma coisa: a Quick-Step está de volta às suas origens. E as suas origens são sprintar e ser o demónio à solta em toda a santa clássica. Jasper Stuyven e Dylan van Baarle já não vão para novos, mas são garantes de relevância no terreno predilecto da equipa. Laurenz Rex também pode ser útil neste departamento. Depois chega Dainese para 3.º sprinter da equipa (se tiver o habitual boost de sprint na Quick-Step cuidado com ele), Zana e Cras chegam para caçar etapas. Ai que saudades eu tinha desta equipa.

Apesar das novidades, os cabeças de cartaz são dois rapazes que já andavam por estas bandas. Tim Merlier e Paul Magnier são dois dos melhores sprinters do mundo, embora em fases muito diferentes das respetivas carreiras. O belga chegou tarde ao ciclismo de estrada mas tem-se afirmado como um dos mais rápidos (para mim o mais rápido) sprinter do mundo. Já o francês está a lutar pela sua afirmação, ganhou até se fartar em corridas menores em 2025 e este ano o objetivo tem de ser continuar a ganhar ao monte, mas batendo concorrência de um nível superior.

Entre estes dois estão pelo menos 30 vitórias numa época, acredito eu. E é isso o ADN da Quick-Step. Depois têm uma série de caça-etapas/classicómanos capazes de resultados interessantes. Somados aos reforços, contam ainda com Max Schachmann, Ethan Hayter, Valentin Paret-Peintre, Garofoli, Vansevenant, Vervaeke, Lampaert e Casper Pedersen. Tudo pessoal com capacidade para sacar boas exibições nos seus dias e nos seus terrenos. Sobretudo se isto voltar a funcionar em modo matilha, como antigamente.

Falta mencionar, pois claro, Mikel Landa. Um resquício que ficou dos tempos de Remco Evenepoel e que terá agora toda a liberdade do mundo para procurar os seus próprios resultados, quer em GC de grandes voltas e provas de uma semana, quer à procura de etapas. Landa free é sempre uma boa noticia para os fãs. Ilan van Wilder também terá mais liberdade, ele que tanto clamou por ela, vamos ver que uso lhe dá.

O caminho é, voltou a ser, claro. Dominar os sprints e, aos poucos, voltar a conquistar o seu espaço nas clássicas. As clássicas são hoje mais "fechadas" devido aos seus dominadores, mas a Quick-Step deve voltar a ser, pelo menos, relevante, e a preparar o futuro. A Alpecin roubou-lhes o lugar mas a Wolfpack está de volta à luta. Sejam bem-vindos de regresso.

Ciclistas a ter em atenção: Garofoli fechou 2025 a andar muito e tenho curiosidade de ver que continuidade será capaz de dar a essa fase; Mikel Landa, nunca se deve não ter em atenção Mikel Landa. O Landismo tem mais encanto na hora da despedida.

Bitaite falso plano: Stuyven ou Van Baarle ganham a Dwars; Magnier é o ciclista humano com mais vitórias da temporada.

Team Jayco AlUla

Ficou curto, o Ben O, no regresso à terra natal, para aquilo que eram as expetativas. (foto: DMCX)


Entradas: Pascal Ackermann; Andrea Vendrame; Amaury Capiot; Dries De Bondt; Alessandro Covi; Dries De Pooter; Rudy Porter; Finlay Pickering; Hamish McKenzie.
Saídas: Dylan Groenewegen; Max Walscheid; Alessandro De Marchi; Eddie Dunbar; Filippo Zana; Chris Harper; Michael Hepburn; Elmar Reinders; Welay Hagos Berhe; Campbell Stewart.
Vitórias 2025: 19 no total – 7 no World Tour.
Classificação WT: 16.º.

Numa época sem grandes mexidas, as ambições e expetativas da Jayco também não se alteram de forma estrutural. A não ser, claro, que Mauro Schmid agora seja o melhor ciclista do mundo. Ele lidera o ranking do DS falso plano e acho que isso quer dizer que é o melhor do mundo.

O suíço está a andar muito neste inicio de ano, vamos ver se consegue manter um nível semelhante ao longo da restante época. Seria uma grande noticia para a equipa australiana, mas eu acho que é pouco exequível, já ando cá há anos suficientes para não me deixar excitar demais por grandes performances em Fevereiro.

Acompanham Schmid, no topo da hierarquia da equipa, dois australianos com provas dadas. Ben O'Connor chegou o ano passado à equipa e, mesmo sem conseguir replicar a super época que levou à sua contratação, venceu uma etapa no Tour e mostrou que rende sempre, nos anos bons e nos anos maus. Michael Matthews é Michael Matthews, já todos sabemos com o que contar. Muito versátil, adora levantar os braços numa chegada inclinada onde a maior parte dos homens rápidos não se aguentam nas canetas. É regular, é bom, é sólido, não encanta mas cumpre, qualquer que seja o nível ou o terreno.

Outro pessoal que pode arrancar bons resultados nas provas certas. Paul Double é o campeão em titulo de Guangxi pelo que tem sempre um lugar no meu coração, Luke Plapp anda ali meio perdido a querer ser voltista mas falta-lhe regularidade. Ainda assim, sabe colocar-se em fugas e consegue prestações de alto nível algumas vezes por ano. O bloco Andrea Vendrame, Pascal Ackermann, Alessandro Covi Dries de Bondt e Amaury Capiot chega à equipa para tentar garantir alguns pontos, sobretudo em provas de um dia, mas nenhum entusiasma nem revoluciona as capacidades da equipa.

O entusiasmo (pouco) recai sobre Anders Foldager e Davide de Pretto, dois jovens rápidos e versáteis cuja evolução estou curioso para acompanhar.

É uma equipa que mantém o seu core, e como tal os seus objetivos. Tentar uma boa GC com Ben O'Connor numa grande volta, somar-lhe umas vitórias de etapa com algum dos homens referidos em cima, e depois esperar que Michael Matthews vá salvando a honra do convento nas grandes clássicas. É curto, eu não adoro esta equipa nem o seu projeto, não percebo bem para onde vão. Mas arrancaram bem em 2026 e isso pode ser um indicador de que estou enganado, algo a que já me venho habituando.

Ciclistas a ter em atenção: A dupla Davide de Pretto/Anders Foldager são das poucas coisas que me despertam real curiosidade nesta equipa.

Bitaite falso plano: Ben O'Connor vai ser um flop, tentando o top-5 na GC do Giro, mas falhando; De Pooter vai finalmente matar o Voldemort.

Team Picnic PostNL

Na ausência de ciclistas de qualidade, deixo-vos com o belo John Degenkolb. (foto: Daniel Benson)


Entradas: James Knox; Timo de Jong; Dillon Corkery; Alexy Faure Prost; Mattia Gaffuri; Frits Biesterbos; Oliver Peace; Henri-François Renard-Haquin.
Saídas: Romain Bardet; Oscar Onley; Tobias Lund Andresen; Kevin Vermaerke; Romain Combaud; Alex Edmondson; Patrick Eddy; Enzo Leijnse.
Vitórias 2025: 4 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 17.º.

FRITS BIESTERBOS! Agora que tenho a vossa atenção, evocando o mais recente reforço do clube de protegidos falso plano, avancemos então para a antevisão daquela que é, com larga (des)vantagem, a pior equipa World Tour.

O cenário já não foi ótimo em 2025, com apenas 4 vitórias, mas a época foi salva pelo grande Tour de Onley. O problema é que Onley foi embora, ajudando a salvar as finanças da equipa, e não entrou ninguém com capacidade para o substituir. Desculpa, James Knox. E com ele saiu também o melhor sprinter da equipa, Tobias Lund Andresen, um dos melhores puncheurs, Kevin Vermaerke, e a referência da equipa, Romain Bardet. Foi uma razia.

A equipa é má, muito má, mas vamos tentar focarmo-nos então no menos mau. Pavel Bittner e Casper van Uden são um duo interessante para as chegadas massivas, podem conseguir alguns pontos em clássicas e, quiçá, uma grande vitória caída do nada. Que o diga Van Uden, vencedor de uma etapa no Giro ainda nem ele, nem a mãe dele, nem eu percebemos como. Quando estes são os primeiros dois nomes referidos numa equipa, está tudo dito.

Frank van den Broek teve um papel importante no Tour, ajudando Onley, mas parece-me curto para as responsabilidades que terá nesta equipa. Warren Barguil já não é o que era, nem John Degenkolb. Aqui e ali podem conseguir um bom resultado, mas já estão mais virados para a reforma que para as vitórias. Há alguma juventude com potencial, como Juan Guillermo Martinez, trepador colombiano, e Bjorn Koerdt, um britânico versátil que desperta alguma curiosidade, sobretudo em Miguel Branco. Andou particularmente bem em solo norueguês na temporada transata, quer no Tour of Norway, quer na Arctic Race. Tem 21 anos, é ousado e dava a ideia que tinha potencial para se revelar pseudo-sprinter, um daqueles que não o sendo por vezes termina em posição de homem rápido. Mas este arranque de época dá-nos um Koerdt a voar na geral do AlUla Tour. Muito cuidado. É jovem e tem aquela característica semelhante ao algodão (o tal que nunca falha): tem nome de dinamarquês, mas passaporte britânico. Perfeito.

Mas a grande responsabilidade recai sobre Max Poole. O britânico teima em afirmar-se no panorama internacional e esta época, mais que nunca, terá muita pressão para o fazer. Necessita de assumir um estatuto de melhor ciclista da equipa, procurar mais consistência em provas de uma semana e tornar-se num ciclista mais vencedor, para poder carregar as aspirações desta equipa.

É curto, muito curto, mas é o que há e vão ter de ir à guerra com estas armas. Procurar não perder demasiado terreno na classificação e para o ano, com mais investimento, tentar tornar a equipa mais competitiva.

Ciclistas a ter em atenção: FRITS BIESTERBOS!; Bjorn Koerdt pode ser a luz ao fundo do túnel nesta época da Picnic.

Bitaite falso plano: John Degenkolb despede-se do ciclismo com um top-5 em Roubaix. Chora e faz chorar. É uma lenda; Casper van Uden volta a vencer no Giro e torna-se uma espécie de Dainese, que vence uma etapa por ano e depois hiberna o resto da temporada.

Team Visma | Lease a Bike

Foi neste dia que me convenci que havia um novo alien em construção. Vamos ver se cumpre com as minhas altíssimas expetativas. (foto: Cycling Weekly)


Entradas: Owain Doull; Bruno Armirail; Davide Piganzoli; Filippo Fiorelli; Louis Barré; Timo Kielich; Anton Schiffer; Pietro Mattio; Tim Rex.
Saídas: Tiesj Benoot; Olav Kooij; Dylan van Baarle; Tosh Van der Sande; Daniel McLay; Attila Valter; Julien Vermote; Cian Uijtdebroeks; Thomas Gloag.
Vitórias 2025: 40 no total – 19 no World Tour.
Classificação WT: 2.º.

Referi acima que equipas como a Lidl e a Red Bull estão à caça de subir na hierarquia, e a presa é exatamente esta Visma. A colmeia continua perigosa, mas o declínio de Vingegaard (na comparação com Pogačar), a saída primeiro de Roglič e agora de Simon Yates e de Olav Kooij, aliadas aos azares constantes de Wout van Aert tornaram-na mais vulnerável. Ainda pica, claro que sim, mas já não assusta como assustava.

Ainda assim, continua a ter um plantel cheio de qualidade, não haja qualquer duvida em relação a isso. Jonas Vingegaard é, até prova em contrário, o 2.º melhor voltista do mundo. Nos últimos 5 Tours venceu 2 e fez 2.º por 3 vezes, e este registo per si fazia a época de muitas equipas e a carreira de muitos ciclistas. O ano passado somou a isso uma vitória clara na Vuelta, a que este ano pretende juntar o Giro. Enquanto tens ciclistas deste nível, continuas a ser uma equipa de topo, e Ving vai atacar 2026 com tudo. Novo treinador, novo calendário e uma ambição renovada. Não começou de forma perfeita, caiu a treinar e isso vai atrasar um pouco a sua preparação, mas conto com um dinamarquês ao seu melhor nível e que é o grande favorito à conquista do Giro, que se conquistado o fará entrar para o seleto grupo de ciclistas que podem dizer ter vencido as três grandes voltas.

No degrau abaixo de Ving, existem 3 ciclistas na hierarquia da equipa. O primeiro, o inevitável Wout van Aert. Mais lesões menos lesões, mais quedas menos quedas, o belga continua a ser um ciclista extraordinário e uma garantia de estar presente nos momentos decisivos das maiores clássicas do calendário. Vencendo poucas vezes, é verdade, mas está sempre na disputa. Dá-me a sensação que, ao longo da carreira, quis tanto ser tudo que nunca se tornou no melhor em nada. Mas continua a ter feito as melhores exibições de gregário que vi na vida, e continua a ser o único ciclista que eu acompanhei capaz de ganhar um contrarrelógio plano, uma etapa com dupla passagem no Ventoux e o sprint dos Campos Elísios tudo no mesmo Tour. É extraordinário e o CV não lhe faz justiça, espero que em 2026 lhe possa adicionar algumas vitórias bonitas.

Segue-se Matteo Jorgenson, escudeiro de Ving que tem feito por merecer as suas oportunidades de liderar, não fosse ele já o vencedor de duas edições do Paris-Nice. O americano é bom contrarrelogista, bate-se bem nas clássicas, defende-se na montanha, é um todo-o-terreno. Este ano virou o foco pré-Tour para as Ardenas, saltando as clássicas do pavê, e estou com muita expetativa para ver o que poderá fazer, já que continuo a achar que é nas provas de uma semana e nas clássicas onde pode mostrar a sua melhor versão.

E deixo para o fim deste trio o meu menino d'oiro. Eu não adoro a Visma, respeito mas não adoro, é tudo muito robotizado e não faz o meu estilo. Mas morro de amores pelo ciclista que é, e sobretudo pelo ciclista que se poderá tornar, Matthew Brennan. Brennan sprinta como poucos, tem uma explosão espetacular em subidas curtas, é super ousado na sua forma de correr e tem aquele killer instict tão importante para vencer corridas neste desporto. Eu acho que podemos ter aqui um caso mesmo muito sério, para clássicas, para camisolas dos pontos e para garantir o futuro na ribalda da Visma.

Daqui para baixo, começam os problemas desta equipa se comparada com as outras "super equipas". Com a saída precoce de Simon Yates sobra pouca GC. Sepp Kuss parece desaparecido e cada vez dá mais a entender que aquela Vuelta foi um fenómeno que não se irá repetir. Ainda é capaz de ser útil, mas é como gregário. O restante bloco de apoio nas montanhas, composto por Kruijswijk, Kelderman e a cara nova Piganzoli não encanta também.

Quanto ao bloco de clássicas, que outrora metia medo, hoje é um pouco mais discreto. A principal curiosidade prende-se com o nível que Laporte poderá apresentar neste seu regresso, depois de um ano muito difícil. Contam ainda com Campenaerts, sempre fiável, Timo Kielich chegou para ajudar o bloco, e depois nomes como Affini e Hagenes que, sendo úteis, não impões o respeito de outros tempos. Nos seus terrenos, gente como Axel Zingle, Filippo Fiorelli (este mais ao serviço de Brennan), o reforço Louis Barré e Bart Lemmen também podem entregar alguns resultados interessantes.

Nota final para a chegada de Armirail, um motor que será muito útil ao comboio da Visma em vários terrenos. O francês chega para fazer o trabalho que era de Dylan van Baarle e é, na minha opinião, um upgrade.

Os objetivos são bastante simples nesta equipa. Levar Vingegaard à vitória no Giro e ao pódio no Tour, tentar reencontrar o melhor Wout e deixar Brennan voar alto.

Ciclistas a ter em atenção: Jørgen Nordhagen pode ser um dos principais beneficiados da menor profundidade da Visma. Terá as suas oportunidades e o jovem norueguês tem capacidade para as aproveitar; Niklas Behrens, o campeão do mundo de sub-23, teve um primeiro ano na Visma discreto, vamos ver o que lhe reserva 2026.

Bitaite falso plano: Matthew Brenna ganha a Milão Sanremo; Vingegaard não aguenta as Almeidadas do Giro e tem de se contentar com o 2.º lugar.

UAE Team Emirates - XRG

Todas as oportunidades são boas para mostrar esta foto. (foto: FanPage)


Entradas: Benoît Cosnefroy; Kevin Vermaerke; Adrià Pericas.
Saídas: Rafał Majka; Juan Ayuso; Alessandro Covi.
Vitórias 2025: 97 no total – 46 no World Tour.
Classificação WT: 1.º.

O que dizer desta equipa? posso escrever 10 páginas ou uma linha. São a melhor equipa do mundo e a sua época de 2025 foi provavelmente a melhor da história em termos coletivos. Recorde de vitórias batido (97 é tão absurdo), pódio em todas as grandes voltas e monumentos, vencendo o Tour e 3 monumentos. E não é só isso, eles estão em todo o lado, em toda a prova, sempre a competir, sempre a tentar vencer, sempre com vantagem numérica. São os melhores, gostemos ou não, e se o dinheiro ajuda, e ajuda muito, também há mérito no trabalho desenvolvido para manter tanta gente com tanta qualidade motivada e a entregar resultados.

Tudo começa no único rei desta casa, dono e senhor do ciclismo atual – Tadej Pogačar. É o melhor ciclista do mundo e corre apenas atrás da história para se tornar também o nome maior dela. Vai correr os 5 monumentos, o Tour e os mundiais, tudo com a vitória em mente. Se no Tour, nos mundiais, na Liège, na Lombardia e na Flandres a vitória parece mais ou menos garantida, a curiosidade recai sobre as suas prestações em Sanremo e em Roubaix. Duas provas que nunca conseguiu vencer, algo raro no seu palmares, e que serão os principais objetivos para 2026. Sim, porque este menino está num nível que ganhar o Tour já não o motiva assim tanto.

A seguir a Pogačar, vêm João Almeida e Isaac del Toro. Sem o mesmo estatuto, todos sabemos que na UAE o único verdadeiro líder é o esloveno, os outros têm todos que dar à perna por si e, se mostrarem boa forma, talvez a UAE coloque alguns dos colegas a trabalhar para eles. Esta estratégia é alvo de muitas criticas, é frustrante para nós enquanto portugueses, mas tem dado resultados e só dando tanta liberdade aos ciclistas podes ter tanta qualidade satisfeita. Na UAE, só há uma regra – se Pogačar está presente, trabalha-se para ele. Quem não cumpre vai embora, que o diga Ayuso. Tirando isso, é bar aberto.

João Almeida para para 2026 com uma ambição que não encontra par na sua carreira. Vem da sua melhor época, onde aliou à consistência uma capacidade ganhadora que nunca tínhamos visto nele e que muito nos encantou. Com isso, convenceu a direção da equipa que merecia uma grande volta para ele, talvez até duas, e vai tê-las. No Giro será líder e o principal rival de Vingegaard, na Vuelta está dependente da participação ou não de Pogačar. Para alguma dúvida relacionada com as ilações a tirar disso, ler as regras acima descritas. Eu acredito no João, não sei a tão desejada vitória será possível, mas o ciclismo é rico em surpresas, Vingegaard já não parece inalcançável e o nível do João permite-nos, legitimamente, sonhar.

Já Del Toro, vai ocupar a posição que foi do João nos últimos dois anos e ser o último gregário de Pogačar no Tour. Como sabemos, isso não é sinónimo de mandar fora a sua geral e o mexicano pode muito bem chegar ao pódio em Paris, assim continue a sua evolução na alta montanha e não tenha nenhuma paragem cerebral ao estilo da que teve no Giro que ofereceu. É uma super promessa e pode ser até o próximo capaz de rivalizar com Pogačar, dependendo da sua evolução. As minhas expetativas estão bem lá em cima para este prodígio atacante, cheio de estilo e com muitas pernas.

Dar nota que estes 3 protagonistas terão um calendário muito separado, o que os permitirá a eles brilhar enquanto lideres e permitirá à UAE ter um dos principais favoritos em todas as corridas por etapas World Tour.

Vamos então à segunda linha GC, que se vai dividir entre o trabalho para os lideres e as suas próprias oportunidades de vencer gerais e etapas. Adam Yates, Brandon Mcnulty, Pavel Sivakov e Jay Vine seriam lideres na maior parte das equipas, aqui têm este papel hibrido com o qual se parecem sentir confortáveis (talvez por receberem muito papel para o desempenhar). Narváez, Wellens e Christen são dois ciclistas muito versáteis. O equatoriano e o belga já mostraram o valor que podem ter enquanto gregários, e que também sabem aproveitar as suas oportunidades, e Christen já mostrou que apesar de ser completamente louco tem muita qualidade.

Nas clássicas, temos de meter mais gente na equação, a começar por António Morgado. Morgadão vem de uma época que começou a todo o gás mas que foi perdendo nível. Continua a ser um jovem, a inconsistência é normal e a qualidade completamente inegável. Florian Vermeersch adora empedrado, Cosnefroy e Vermaeke adoram colinas e chegam à equipa para ir limpar as corridas de pinos a ver se a UAE chega às 100 vitórias.

Resta falar dos homens de trabalho, e que qualidade têm. Politt é um dos melhores roladores do mundo, Bjerg também quando está nos seus dias. Arrieta e Großschartner são também bastante versáteis e sabem o seu lugar, tornando-se ciclistas bastante úteis. Péricas e Pablo Torres são duas promessas espanholas que vão ter de conquistar a pulso o seu espaço na equipa, mas que para já devem permanecer em funções de trabalho.

Para fechar, o ponto fraco desta equipa, os sprints. Sim, eles venceram 97 corridas sem terem um sprinter de topo, o que é completamente surreal. Molano é o cabeça de cartaz deste departamento, mas Rui e Ivo Oliveira, sobretudo o Ivo, têm clamado por mais protagonismo e feito por o merecer. As suas oportunidades aparecerão, até porque são muito mais versáteis que o colombiano e isso tem naturalmente o seu valor. Os portugueses também são irrepreensíveis quando é altura de se meterem ao trabalho, não é à toa que permanecem já há tantos anos na melhor equipa do mundo.

Os objetivos desta equipa são esmagar a concorrência. Ganhar tudo o que há para ganhar com Pogačar, ultrapassar as 100 vitórias, ganhar as 3 grandes voltas. Não dá para pedir mais, a fasquia está mesmo assim tão elevada.

Ciclistas a ter em atenção: Pablo Torres quase venceu Avenir em 2024 mas a sua estreia como profissional não encantou, estou curioso para ver que nível apresentará em 2026; Morgadão, é este o ano. Vai miúdo que é tua.

Bitaite falso plano: Pogačar ataca mesmo à frente do falso plano em Kwaaremont; João Almeida mata o borrego e vence uma grande volta; António Morgado faz o bis no mais importante monumento do ciclismo – a Figueira Champions Classic – e dá depois continuidade a esse resultado com uma grande época.

Uno-X Mobility

O alinhamento que deu à Uno-X vitória em etapa mais sexto lugar na classificação do Tour. (Foto: Getty Images)


Entradas: Sven Erik Bystrøm; Alexander Kamp; Torstein Træen; Anthon Charmig; Martin Tjøtta; Storm Ingebrigtsen; Tobias Svarre.
Saídas: Alexander Kristoff; Amund Grøndahl Jansen; Rasmus Bøgh Wallin; Magnus Kulset.
Vitórias 2025: 23 no total – 3 no World Tour.
Classificação WT: 18.º.

2025 proporcionou-nos algo histórico, uma equipa com uma estrutura e identidade totalmente nórdica alcançou o estatuto de World Tour (com uma ajudinha da Lotto e da Intermarché). No fundo são os sucessores da Euskaltel-Euskadi, os bascos foram substituídos pelos noruegueses/dinamarqueses. Com um sexto lugar na classificação geral mais vitória de etapa no Tour, 6.º lugar na Milano-Sanremo e uma vitória no fim de semana de abertura das clássicas belgas (Omloop Nieuwsblad) esta foi uma época bem recheada para a equipa. No entanto, em 2026, a fasquia subiu.

Em 2026 chegam ao topo do ciclismo mas não mudam a identidade, pois reforçam-se só com ciclistas noruegueses e dinamarqueses, destes destaco:
Torstein Træen, 9º classificado na Vuelta, torna-se mais uma alternativa para a Uno-X lutar por lugares cimeiros em grandes voltas (pequena curiosidade: Træen teve a mesma doença que um famoso ex-ciclista norte americano, sabem qual é?).
Anthon Charmig, instrumental para o 3.º de Alberto Bettiol no GP Québec, é um ciclista que por norma começa sempre bem a temporada.
Martin Tjøtta trepador com potencial vindo da defunta Árkea, um trabalho de ressuscitação à la Quickstep precisa-se.
Storm Ingebrigtsen faz jus ao nome, é uma verdadeira tempestade, ciclista combativo caça etapas.

Quanto a saídas, naturalmente destaque para a reforma de Alexander Kristoff, uma lenda do ciclismo nórdico, que já estava sem o sprint do passado, e que pendura a bicicleta sem chegar às tão almejadas 100 vitórias.

O objetivo da Uno-X será provar aos críticos que estarem no World Tour não é um mero acaso e que pertencem verdadeiramente a esta divisão. Prevejo uma Uno-X bastante ativa, um pouco como a Astana de 2025, ir para fugas, jogar várias cartas para a vitória e só assumir a corrida quando for verdadeiramente necessário ou quando tiverem um super favorito. Outro desafio é que, ao manterem-se fieis à sua identidade, a profundidade do plantel é mais rasa quando comparada a outras equipas World Tour. Por este motivo, vão ter de ser obrigados a "optar" por certas corridas face a outras em que vão apresentar um alinhamento de menor nível.

Ciclistas a ter em atenção: Para gerais, o ciclista de destaque mantém-se Tobias Halland Johannessen, 6.º o ano passado no Tour e que tem como objetivo repetir o feito. Também Johannes Kulset é um nome a reter, jovem com potencial tem vindo a crescer a espaços. Ainda para a geral, tal como referi anteriormente, Torstein Træen é uma nova alternativa e tenho feeling que o vamos ver em destaque em algumas provas. Já no capítulo dos classicómanos/velocistas, Søren Wærenskjold é a estrela da companhia, vem de uma época bastante interessante e com a saída de Kristoff é rei e senhor na Uno-X nesta área (cuidado com Stian Fredheim). Erlend Blikra para as etapas Mareczko, Jonas Abrahamsen para as fugas e Magnus Cort é um 8 ou 80.

Bitaite falso plano: Sakarias Koller Løland ganha uma etapa numa Grande Volta.

XDS Astana Team

2026 foi um ano épico para a formação cazaque. (foto: IDL Procycling)


Entradas: Cristián Rodríguez; Guillermo Thomas Silva; Arjen Livyns; Marco Schrettl.
Saídas: Wout Poels; Fausto Masnada; Cees Bol; Ide Schelling; Anthon Charmig; Michele Gazzoli.
Vitórias 2025: 32 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 4.º.

Para mim, já ganharam a época. Ora vejam.

Isto é das melhores coisas de sempre.

2025 foi um ano épico para a Astana. Salvaram-se da descida de escalão com um calendário ajustado ao objetivo de pontuar o máximo possível e fizeram-no com uma eficácia tremenda, atingindo um feito que eu, e muitos analistas, já não acreditavam ser possível. Claro que para isto acontecer não bastou um calendário inteligente, foram precisas muitas pernas e no departamento de performance, a equipa também deu um claro salto em frente.

Olhando agora para 2026, a equipa parece estar a pegar onde largou 2025 e já soma 4 vitórias e mais alguns ótimos resultados – no momento em que escrevo isto, Scaroni acabou de dar cabo de toda a gente na Green Mountain e vencer a Volta à Omã.

Comecemos então por Scaroni, a estrela da companhia e a grande revelação de 2025. O italiano está feito um super ciclista, capaz de sprintar em grupos reduzidos, capaz de seguir os melhores nas subidas mais explosivas e defendendo-se na montanha a sério. Muito completo, muito regular e muito capaz. Para 2026 espero que continue a sua afirmação e assine outra grande época.

Em busca dos pontos, a estrutura tem privilegiado jogar com várias cartas em todas as corridas e isso não tem causado problemas na harmonia da equipa, antes pelo contrário, parecem mais unido que nunca. A equipa não tem ninguém de topo topo, mas todos os seus principais ciclistas são oportunistas e sabem cumprir o seu papel nas corridas.

Lorenzo Fortunato, Harold Tejada e Harold Martín López são os três "voltistas" da equipa, capazes de andar bem em provas de uma semana e trazer muitos pontos para a equipa. Mais uma vez, são estrelas? Não, mas são competentes. E sobretudo Fortunato quando está bem consegue ser um trepador de alto nível. Este ano trouxeram, para se juntar a este bloco, Cristián Rodríguez, mais um nome que encaixa neste perfil.

Para fazer companhia a Scaroni nos terrenos acidentados, não faltam nomes com qualidade. Simone Velasco volta e meia saca grandes exibições (top-5 na Liège), Clément Champoussin idem aspas, Diego Ulissi, Davide Ballerini e Alberto Bettiol trazem experiência ao bloco e ainda são capazes de, umas quantas vezes por ano, protagonizar resultados interessantes. Posso ainda mencionar Henok Mulubrhan, Aaron Gate, Mike Teunissen, o homem de Roubaix Fedorov, Aaron Gate e os recém chegados Guillermo Silva e Arjen Livyns. Nenhum destes é um classicómano de topo, mas todos garantem muitos muitos top-10 ao longo da época, e isso tem uma grande utilidade para os objetivos da equipa.

Nos homens rápidos a batuta é do experiente Matteo Malucelli, que já bateu Milan este ano, que consegue andar sempre por lá, sobretudo em corridas de menor dimensão. Max Kanter e Gleb Syritsa completam o departamento de homens rápidos da equipa.

São muitos nomes medianos, muita gente que sabe onde e quando brilhar e o que é demais para eles. É uma equipa bem organizada e capaz, e a ideia para 2026 será manter esse registo. Caçar etapas, pontuar muito nas clássicas e em provas de menor dimensão e procurar uma grande vitória para colocar a cereja no topo do bolo.

Ciclistas a ter em atenção: Não há muita juventude, pelo que a minha curiosidade estará na adaptação de Guillermo Silva ao principal escalão do ciclismo; e o Higuita, só para ver se ele ainda é ciclista.

Bitaite falso plano: Yevgeniy Fedorov faz top-5 em Roubaix; Alberto Bettiol faz pódio na MSR.

Bónus —  Principais equipas Pro Continentais

Tudor Pro Cycling Team

Tudor Pro Cycling já com o novo reforço Stefan Küng (Foto: Tudor Pro Cycling)

Entradas: Stefan Küng, Luca Mozzato, William Barta e Robin Donzé.
Saídas: Alberto Dainese, Mika Heming, Lucas Eriksson e Alexander Krieger
Vitórias 2025: 15 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 15.º.

Um projeto que tem vindo a crescer de ano para ano e que manteve essa tendência na temporada de 2025. Reforçaram-se com March Hirschi e Julian Alaphilippe, Hirschi contribuiu para vários resultados de topo em corridas de um dia (embora tenha desiludido nas Ardenas) e Alaphilippe mesmo não sendo o Loulou do passado provou ainda ter pernas para vencer no World Tour ganhando o GP Québec, onde simulou estar com cãimbras para depois atacar na subida final. O sucesso não se fez apenas das caras novas, Michael Storer fez uma temporada incrível, com destaque para o 10.º na geral do Giro e 3.º num monumento, a Lombardia. Vimos também talentos a despontar como Marco Brenner, Rick Pluimers e Mathys Rondel, veteranos a vencer como Matteo Trentin e ciclistas azarados a conseguirem ainda dar vitórias como Arvid de Kleijn.

O objetivo da equipa é claro, chegar ao World Tour, de ano para a ano melhoram a qualidade do plantel e dos reforços. Este ano há claramente um nome que chama a atenção, Stefan Küng, o suíço com larga experiência no World Tour, não esteve mal nas clássicas, no entanto, a sua especialidade, o contrarrelógio, não lhe deu tão bons resultados como no passado. É um excelente reforço para o bloco das clássicas e os ares de casa podem reavivar a sua capacidade na disciplina do contrarrelógio.
A principal saída é a de Alberto Dainese, que assumiu o papel de sprinter principal durante os períodos de lesão de Arvid de Kleijn. O italiano é um sprinter regular, deu poucas vitórias mas muitos pontos UCI importantes à equipa. Passam a ter agora apenas De Kleijn como principal sprinter a não ser que algum jovem talento consiga assumir o papel de Dainese.

Prevejo uma época de 2026 semelhante à de 2025 muito por culpa da evolução de jovens talentos como Mathys Rondel, Marco Brenner, Maikel Zijlaard e Rick Pluimers. Michael Storer vai conseguir novo top 10 em Grande Volta e Stefan Kung vai trazer pontos importantes nas clássicas do empedrado. No entanto preocupa-me um pouco a evolução de Marc Hirschi, Julian Alaphilippe não caminha para novo e não vejo grande alternativa à saída de Alberto Dainese.

Ciclistas a ter em atenção: Os já mencionados jovens Mathys Rondel, Marco Brenner, Maikel Zijlaard e Rick Pluimers. Todos já deram boas cartas em 2025 e têm tudo para continuar a progredir em 2026. Destaco principalmente Mathys Rondel, vejo nele um ciclista a conseguir um top 10 numa Grande Volta a curto prazo, quem sabe já esta época. Os consagrados March Hirschi, Julian Alaphilippe e Stefan Küng, mantêm-se como as melhores opções para as corridas de um dia. Michael Storer é o homem da geral e Arvid de Kleijn é dono e senhor do sprint nesta equipa.

Bitaite falso plano: Aivaras Mikutis ganha uma etapa numa corrida World Tour na Europa via fuga.

Pinarello - Q36.5 Pro Cycling Team

Tom Pidcock a pousar com o seu novo equipamento. (Foto: Pinarello-Q36.5 Pro Cycling Team)

Entradas: Sam Bennett, Edward Dunbar, Thomas Gloag, Chris Harper, Quinten Hermans, Xandro Meurisse, Fred Wright, Brent Van Moer, Emmanuel Houcou, Aimé de Gendt.
Saídas: Giacomo Nizzolo, Rory Townsend, Enekoitz Azparren, Gianluca Brambilla, David González, Jannik Steimle.
Vitórias 2025: 14 no total – 1 no World Tour.
Classificação WT: 19.º.

Partiram para 2025 como a equipa que gerava mais dúvidas, a contratação de Tom Pidcock foi recebida com muito ceticismo e como um passo atrás na carreira do talentoso britânico. A verdade é que quer Pidcock, quer a equipa, conseguiram calar todos os críticos, o pódio na Vuelta foi um resultado histórico não só para Pidcock que provou conseguir aguentar a dureza da terceira semana, como da equipa que até a chegada de Pidcock gerava pouco interesse. Pode-se dizer que todo o dinheiro investido em Tom Pidcock mais que compensou, realizou uma época excelente com resultados de topo também em clássicas, monumento (Lombardia) e algumas corridas de menor dimensão. Na boleia de Pidcock, outros ciclistas também obtiveram uma boa temporada. Matteo Moschetti, sprinter, somou algumas vitórias enquanto corredores como Fabio Christen, irmão de Jan Christen, começaram igualmente a afirmar-se. Curiosamente a única vitória do World Tour veio na ADAC Cyclassics por Rory Townsend, muito por culpa da ajuda de Nelson Oliveira em fazer singrar a fuga.

Em termos de mercado, é a equipa pro continental que mais se reforça, Eddie Dunbar (ja foi 9.º no Giro) e Chris Harper reforçam o bloco da montanha. Fred Wright, Brent Van Moer, Quinten Hermans e Xandro Meurisse são opções bem válidas para as clássicas e muita atenção ao talento de Thomas Gloag, um excelente trepador que não se conseguiu afirmar na Visma. Para além destes excelentes nomes, há Sam Bennett.

Já de saídas podemos dizer que acabaram as Nizzoladas.

Em 2026 os principais objetivos desta equipa vão depender novamente em grande parte do desempenho de Tom Pidcock, continuam a ser a equipa de Tom Pidcock. No entanto, estas contratações revelam um esforço por parte da equipa de deixarem de ser conhecidos "só" como a equipa de Tom Pidcock para além de reforçarem também o bloco de apoio ao britânico. Se vai correr bem? Eles são bons ciclistas mas daí a atingirem grandes resultados que tirem um pouco esta sombra de Pidcock na equipa será muito difícil.

Ciclistas a ter em atenção: Obviamente Tom Pidcock mas não só, Matteo Moschetti vem de um bom 2025 e poderá ser dos poucos a dar luta ao clube Merlier/Milan/Philipsen. Fred Wright fez top 10 em dois monumentos a época passada, é um ciclista que passa por vezes um bocado debaixo do radar mas que é capaz de excelentes resultados. Fabio Christen partilha da mesma veia competitiva que o irmão.

Bitaite falso plano: Tom Pidcock vai ganhar um monumento.

Cofidis

O novo equipamento para 2026 é bastante semelhante ao de 2025. (Foto: Cofidis)

Entradas: Jenthe Biermans, Alex Kirsch, Hugo Page, Louis Rouland, Yael Joalland, Edoardo Zamperini, Camile Charret.
Saídas: Jesús Herrada, Stefano Oldani, Anthony Perez, Jonathan Lastra, Aimé de Gendt, Nolann Mahoudo, Edyy Finé, Hugo Toumire.
Vitórias 2025: 9 no total – 2 no World Tour.
Classificação WT: 20.º. (desceram para Pro Continental)

O patinho feio da temporada de 2025, a Cofidis teve uma temporada absolutamente para esquecer. Foram poucas as vezes em que a equipa foi mencionada e ainda menos os ciclistas que podem retirar algo positivo da época passada. Ainda assim, um dos raros destaques foi a progressão do sprinter Milan Fretin, que ganhou uma etapa no Algarve. Alex Aranburu continuou a mostrar que é um dos melhores ciclistas do mundo quando corre em casa (País Basco) e Ion Izagirre ainda deu um ar de sua graça durante o outono mesmo que já bem longe do que nos habituou a fazer. De resto não há muito mais a dizer, Emmanuel Buchmann foi praticamente invisível, Bryan Coquard teve um Tour desastroso e não houve nenhum ciclista jovem que particularmente despontasse.

Em 2026 regressam ao escalão Pro Continental, uma situação que não é novidade para a Cofidis, pois tal como o seu ex-ciclista Guillaume Martin, são conhecidos como a equipa yo-yo, ora descem ora sobem de categoria. Os reforços adequam-se a este escalão, não são nomes que garantam vitórias nas corridas World Tour em que vão participar, mas são boas opções para as corridas .Pro e da Taça de França por exemplo. Destaco Jenthe Biermans, vindo da extinta Árkea, é um sprinter puncheur adaptado às clássicas belgas com bons resultados no calendário .Pro, Hugo Page da fundida Intermarché competente em sprints de grupos reduzidos e Alex Kirsch, gregário da Lidl-Trek, que certamente terá mais liberdade nesta equipa. Vamos ver se não dá uma de Buchmann 2025.

Em relação às saídas, Jesús Herrada deu muitas alegrias à equipa mas parece já estar a perder o seu fulgor e Stefano Oldani embora também ele bom ciclista, teve uma temporada fraca para o seu nível. Em resumo, não são saídas de corredores cujo rendimento atual deixe saudades.

O objetivo da Cofidis para 2026 é um objetivo já bem habitual, começar o regresso ao estatuto World Tour, mantendo a tradição yo-yo e conquistar a Taça de França. Prevejo que a Cofidis deverá cumprir o papel típico de uma boa ProTeam: vencer algumas corridas menores, ser visível em algumas provas e somar pontos. Ainda assim, haverá outras ProTeams bem mais fortes, mais ambiciosas e mais competitivas, por isso enquanto o panorama se mantiver, o regresso ao World Tour parece-me uma missão muito complicada.

Ciclistas a ter em atenção: O principal nome continua a ser Bryan Coquard, o velocista francês é talvez o único nome que resta da geração Démare/Bouhanni; até não começou mal 2025 com uma vitória ao sprint no Down Under (corrida World Tour), mas depois foi-se abaixo, já não caminha para novo, mas mantém-se como um dos ciclistas que mais pontos UCI é capaz de dar à Cofidis. O também velocista Milan Fretin foi o ciclista de destaque da época passada e prevejo que continue a sê-lo em 2026, dos raros ciclistas que podem dar vitórias World Tour à equipa. Devemos também manter debaixo de olho a dupla basca Alex Aranburu e Ion Izagirre, Aranburu deverá continuar a andar bem em corridas com perfil semelhante ao País Basco e Ion Izagirre, na sua época de despedida, se se mantiver com as pernas do final da época passada, ainda pode dar alguns lugares de honra à Cofidis nas corridas mais montanhosas.

Bitaite falso plano: Ion Izagirre despede-se com vitória na geral da Volta ao País Basco.

Team Total Energies

Vai ser a última vez que vamos ver esta equipa com este patrocinador. (Foto: Team Total Energies)

Entradas: Geoffrey Bouchard, Nicolas Breuillard, Thibault Guernalec, Mathis Le Berre, Théo Lévéque, Pierre Thierry.
Saídas: Pierre Latour, Lucas Boniface, Steff Cras, Geoffrey Soupe.
Vitórias 2025: 13 no total – 0 no World Tour.
Classificação WT: 22.º.

Para os mais recém-chegados ao mundo do ciclismo, esta equipa pode parecer só mais uma equipa Pro Continental francesa que consegue ir ao Tour por essa razão. No entanto, esta é uma equipa que já adquiriu proporções míticas sempre dentro do segundo escalão do ciclismo. Uma equipa que fez os franceses sonhar com o regresso à conquista da amarela do Tour através de Thomas Voeckler em 2011 praticamente até à última etapa de montanha. Albergou um dos ciclistas mais promissores da década passada, Pierre Rolland, ciclistas de classe como Pierrick Fedrigo, ciclistas que parecem que a cada pedalada vão cair como Cyril Gauthier, lendas em período de férias bem remuneradas como Peter Sagan e ciclistas de culto como Anthony Charteau.
Dito isto, o décimo lugar alcançado por Jordan Jegat na geral do Tour da época passada após uma asneira da Jayco de Ben O'Connor é um regresso aos tempos gloriosos e contribui para a mística desta equipa, só este resultado faz com que a época de 2025 tenha sido bastante positiva para a Total Energies.

Para 2026 destaco os reforços Nicolas Breuillard, bom trepador ciclista capaz de dar cartas no calendário francês; Thibault Guernalec um bom contrarrelogista e Geoffrey Bouchard, ex-vencedor da camisola da montanha na Vuelta, que andou apagado nesta últimas épocas. Vamos ver se desafia a tendência e se ganha novo folgo numa equipa que desde a chegada da Total/Direct Energies ao projeto é conhecida como local de enterro de carreiras de ciclistas ex-World Tour (INEOS cuidado).

Quanto a saídas, perdem dois veteranos e um trepador azarado, Pierre Latour eterna promessa do ciclismo francês, nunca correspondeu à expetativa após ter ganho a camisola da juventude no Tour. Muito azarado ainda tentou reavivar a carreira mas desde a queda em descida na Volta ao País Basco de 2022 o único prémio onde era verdadeiramente favorito á partida era ao prémio descedor Zakarin. Geoffrey Soupe, dono de uma das barbas mais icónicas do ciclismo internacional, um lançador que até hoje não sabe como ganhou uma etapa ao sprint na Vuelta em 2023. Steff Cras, que a par de Jegat era a melhor opção para as gerais de corridas montanhosas, ainda fez alguns resultados interessantes, mas foram mais as vezes em que abandonou por motivos de queda.

Para a temporada atual, as expectativas voltam a centrar-se em Jordan Jegat, com a esperança de que consiga repetir ou aproximar-se de outra forte prestação numa Grande Volta. Corredores como Sandy Dujardin, Emilien Jeannière e Alexandre Delettre deverão continuar a garantir resultados sólidos, sobretudo no calendário francês. Este vai ser um ano crucial para a existência desta equipa pois a Total Energies vai abandonar o projeto. A equipa parte com a missão de fazer resultados e exibições que atraiam novos patrocinadores, isto tanto traz motivação extra, como pressão e incerteza, pelo que o rendimento dos ciclistas é algo incerto.

Ciclistas a ter em atenção: A esperança em obterem resultados que gerem interesse de potenciais patrocinadores vai depender principalmente de Jordan Jegat, o 10.º lugar no Tour coloca-o em patamares a que não estava habituado e o jovem francês vai provar que o resultado do ano passado foi mais mérito dele do que demérito dos adversários. Emilien Jeannière é um sprinter muito regular ainda lhe falta uma pontinha para ser vencedor, quem sabe se não adquire essa pontinha esta época. Nomes como Alexandre Delettre, Sandy Dujardin, Mathieu Burgaudeau (o Alaphilippe do escalão Pro) e Jason Tesson também podem dar algumas vitórias à equipa.

Bitaite falso plano: Jordan Jegat repete o décimo lugar no Tour de France.

Unibet Rose Rockets

Um equipamento que, tal como a equipa, é tudo menos discreto. (Foto: Joren Benjamins / Unibet Rose Rockets)

Entradas: Dylan Groenewegen, Clément Venturini, Victor Lafay, Wout Poels, Matyas Kopecky, Niklas Larsen, Rory Townsend, Jannis Peter, Elmar Reinders, Colin Savioz, Martijn Rasenberg, Tobias Muller, Eivind Fougner, Karsten Feldmann, Ronan Augé.
Saídas: Axel Huens, Baptiste Huyet, Zeb Kyffin, Sebastian Nielsen, Charlie Page, Andreas Stokbro, Davide Bomboi, Martijn Budding, Kevin Inkelaar, Giovanni Carboni.
Vitórias 2025: 5 no total – 0 no World Tour.
Classificação WT: 26.º.

A equipa com números mais modestos de todo este artigo, no entanto é talvez a equipa mais cool e que melhor marketing faz de todo o ciclismo internacional. Nascida do sonho do ex-ciclista/youtuber Bas Tietema, é uma equipa que traz uma nova cor ao ciclismo, um desporto visto ainda por alguns como demasiado cinzento. É uma equipa bastante ambiciosa que tem crescido de ano para ano. Em 2025, no seu ano de estreia no escalão Pro Continental conseguiram estar presentes em algumas corridas com várias equipas World Tour nas quais o ciclista de destaque, vencedor do prémio ciclista falso plano do ano, Lukáš Kubiš. Um dos corredores mais consistentes de todo o pelotão e, muito provavelmente, um dos melhores ao nível Pro Continental em 2025. Somou inúmeros lugares no top-10 em todo o tipo de terrenos e adaptou-se de forma excelente em ano de estreia às clássicas belgas, onde se destaca o 6.º na Omloop Nieuwsblad.

A equipa quer continuar a crescer e chegar a palcos cada vez maiores, sabem que só com o marketing não chegam lá por isso para 2026 fizeram diversas contratações interessantes das quais destaco: Dylan Groenewegen o sprinter ex-Jayco AIUla não teve uma má passagem pela equipa australiana embora não tenha correspondido totalmente às expetativas. Chega para se tornar a principal referencia velocista da equipa e trouxe com ele vários homens de apoio a fim de fortalecer o seu comboio. Também velocista, muita atenção a Matyáš Kopecký, irmão de Tomas e Julia, mas não de Lotte, foi o melhor ciclista da história da equipa Novo Nordisk, o que por si só não é grande feito, no entanto, conseguir sprintar sem comboios não é algo que esteja ao alcance de qualquer sprinter. Pode ser que ensine alguns truques ao Groenewegen. Victor Lafay esteve para se reformar, mas encontrou uma equipa que graças ao seu bom ambiente tem tudo para resgatar o Lafay do passado. O veterano trepador Wout Poels, já não tem o fulgor do passado, mas ainda ganhou a Volta à Turquia e é uma opção válida nas montanhas. Finalmente o vencedor da Taça de França, Clement Venturini, é um ciclista com características semelhantes às do Lukáš Kubiš e podem fazer uma boa dupla, amealhando bastantes pontos UCI.

Em termos de saídas referir que o Giovanni Carboni foi fazer companhia a Oier Lazkano.

Em 2026 esta equipa vai conseguir atingir novos palcos e patamares mais elevados, quem sabe estreia já numa grande Volta (embora não seja a que eles querem), vai dar nas vistas, vamos falar deles, vai alcançar vitórias em corridas do seu atual escalão, mas quando comparados a uma Tudor ou mesmo Pinarello ainda têm um longo caminho a percorrer.

Ciclistas a ter em atenção: Apesar das diversas boas contratações, em termos de puro espetáculo, continuo a achar que o destaque será o Lukáš Kubiš, o eslovaco tem algumas características de Peter Sagan sobre a bicicleta, vamos vê-lo em destaque em todas as provas por onde ele participar. É o tipo de ciclista que até naquelas que lhe estiverem a correr menos bem, é capaz de se meter numa fuga para tentar a sua sorte. Curioso também para ver o que o jovem talento Karsten Feldmann vai conseguir fazer, é um bom sprinter que poderá ser um plano B a Groenewegen para algumas corridas.

Bitaite falso plano: Lukáš Kubiš faz top 10 na Milano San Remo.