Antevisão Equipas WWT 2026

Este artigo está cá com um nível. Faz lembrar a Kopecky em 2025.

Antevisão Equipas WWT 2026
Antevisão por Equipas - Feminino

Introdução

Antes de tudo o mais, queria dizer que isto é culpa do Rafa. O saudoso amigo do falso plano deixou a nu a nossa preguiça quando, casualmente, nos perguntou quando saiam as já tradicionais Antevisões de Época e os respetivos bitaites com os quais nos gosta de humilhar posteriormente. É fácil, falar do sofá, Rafa. As ditas Antevisões, para ser sincero, não estavam planeadas sair. Dão muita trabalho, são muitas equipas e a gente tem de ter tempo para ver a Volta à Omã, há prioridades neste estabelecimento. Perante a sua pergunta, surgiu um incómodo, o incómodo de desiludir uma das duas pessoas que leu isto na integra na época passada, e colocámos mãos à obra no texto escrito a mais mãos da história do falso plano.

A ideia é fazer todo um manual do ciclismo para 2026 antes de começar a época. Como isto atrasa sempre, nós assumimos que a época só começa no 1.º monumento, que já todos os que seguem esta página sabem qual é. Todas as transferências, todas as expetativas, uns nomes para não perder de vista e uns bitaites. O conceito é muito bom, modéstia à parte, só é pena sermos nós a escrever. Se fosse gente que percebe mesmo disto, seria sensacional.

Sigurem-se, 2026 está ai à porta a todo o gás. Lotte Kopecky vai regressar ao seu nível? Lorena Wiebes vai perder um sprint? Demi Vollering dar luta a Pauline Ferrand-Prévot? Ninguém sabe, nós também não. Mas enquanto esperamos para descobrir vamo-nos entretendo com isto.

Esperemos que gostem. Se não gostarem para a próxima fazem vocês.

[A versão masculina há-de sair. Proximamente, em principio. No falso plano é sempre tudo "em principio"]

AG Insurance - Soudal Team

Esta equipa é muito boa onda. Foto: AG Insurance-Soudal

Entradas: Letizia Borghesi.
Saídas: Julia Borgström; Gaia Masetti.
Vitórias 2025: 12 no total - 5 no World Tour.
Classificação WT: 7.º.

Quando pensávamos que 2024 era difícil de bater, em 2025 a AG Insurance - Soudal Team subiu a parada. Muito às costas de Kim Le Court-Pienaar, que conquista a Liège, uma etapa no Tour de France e ainda andou vestida de amarelo. Sarah Gigante também fez a sua parte, conquistando as duas principais etapas de montanha do Giro e finalizando em 3.º lugar da geral final.

As transferências mexeram pouco com a equipa. Quando o assunto é pavé, Letizia Borghesi entra para reforçar o bloco das clássicas com uma boa ponta final. Foi 6.ª na Volta a Flandres e 2.ª em Roubaix. Não sabemos se fará melhor, mas vai andar perto.

É uma equipa que se vai apoiar muito da qualidade que já existia no plantel, como Kim Le Court, Sarah Gigante, Urska Žigart e Justine Ghekiere. Conta ainda com a experiência da Ashleigh Moolman-Pasio.

Ciclistas debaixo d’olho: A mais nova da equipa é Lore De Schepper, 4.ª à Geral do Avenir no ano passado.

Bitaite falso plano: Sarah Gigante vence uma Grande Volta.

CANYON//SRAM zondacrypto

Contra as CANYON, pedalar, pedalar. Foto: CANYON//SRAM

Entradas: -
Saídas: Ricarda Bauernfeind; Alice Towers.
Vitórias 2025: 15 no total - 2 no World Tour.
Classificação WT: 8.º.

2024 foi um ano de sonho para a CANYON com a conquista do Tour de France. Mas em 2025, apesar de aumentarem na quantidade de vitórias, a qualidade diminuiu. Para esta época, zero reforços e ainda perderam duas ciclistas que deixam a equipa cada vez mais dependente da estrela Kasia Niewiadoma. Brilhou muito num excelente 2024, mais tímida em 2025.

Para além de Niewiadoma, a CANYON conta também com as jovens Antonia Niedermaier e Neve Bradbury para as provas por etapas. Mas achamos que é nas clássicas que a equipa pode ter os seus melhores resultados, tanto nas clássicas acidentadas (Ardenas) como nas clássicas do Norte. É aí que, para além de Niewiadoma, entram em jogo Chloé Dygert (já foi campeã do mundo de ITT) e Zoe Bäckstedt (é campeã do mundo sub-23 de ITT). Gostávamos de incluir a Cecilie Uttrup Ludwig, a sério que sim, mas não sabemos como ela se vai apresentar esta época.

Para as chegadas ao sprint, a equipa mantém Chiara Consonni: não consegue vencer Wiebes ou Kool, mas tem boas vibes e é cool. (E continua a ser melhor que a maioria das sprinters.)

A Maria Martins continua a fazer parte desta equipa. Será elemento importante no comboio de sprint de Consonni, mas também tem qualidade para um top-15 em Roubaix. Boa época, Maria!

Ciclistas debaixo d’olho: Zoe Bäckstedt. Sempre que for dia de contrarrelógio, vai ser um perigo.

Bitaite falso plano:  A única vitória WT vai ser de Zoe Bäckstedt. Em Roubaix.

EF Education-Oatly (WTW)

Na escola onde as outras andam, já elas são professoras. Foto: EF Education-Oatly

Entradas: Alexis Magner; Alice Towers; Solbjørk Minke Anderson; Stina Kavegi; Caoimhe O'Brien; Auke De Buysser.
Saídas: Lotta Henttala; Alisson Jackson; Sarah Roy; Nina Kessler; Letizia Borghesi; Veronica Ewers; Megan Armitage; Clara Emond; Maya Kingma.
Vitórias 2025: 10 no total - 2 no World Tour.
Classificação WT: 12.º.

São a equipa promovida ao WWT e estão longe de ser uma superpotência no pelotão, mas a vida tem corrido bem à EF Education-Oatly. Têm uma equipa muito construída para dar espetáculo em provas de um dia e estar nas surpresas das provas por etapas mais curtas. Para esta missão, as fichas voltam a estar todas no canivete suíço de Noemi Rüegg, que serve para clássicas acidentadas, sprints de pelotão reduzido ou qualquer corrida na Austrália.

Para as provas de etapas, o foco passará por uma Cédrine Kerbaol em ano de afirmação. Aos 24 anos, está a apontar ao pódio numa Grande Volta. A qualidade está lá, mas falta um pouco mais de comboio de montanha que a ajude.

Ciclistas debaixo d’olho: Esta é fácil de reparar na estrada. A (muito) surpreendente campeã do mundo, Magdeleine Vallieres, está ansiosa por provar que a camisola arco-íris não foi uma one hit wonder. O mesmo para Kim Cadzow: depois de um ano muito fraco em resultados, quer voltar a ser um caso sério dentro do pelotão.

Bitaite falso plano: Noemi Rüegg vence a lotaria da Milano-Sanremo.

FDJ United - SUEZ

Quando Demi Vollering não está em prova, todas as outras ciclistas devem perguntar: "onde está a Demi?" (Foto: FDJ - Suez)

Entradas: Sofia Bertizzolo, Franziska Koch; Eva van Agt; Lauren Dickson.
Saídas: Eugénie Duval; Loes Adegeest; Nina Buijsman; Coralie Demay; Alessia Vigilia; Lauren Molengraaf.
Vitórias 2025: 22 no total - 11 no World Tour.
Classificação WT: 2.º.

2025 pareceu uma época mal conseguida? Se calhar eram só as nossas expectativas que eram muito altas. A FDJ foi a segunda melhor equipa de 2025 para o falso plano, continuam no topo do ranking UCI e tiveram a ciclista do ano em Demi Vollering. Também aqui se viu o peso mediático que tem o Tour de France.

Foi um inverno muito movimentado para os lados da FDJ, com um total de seis saídas e quatro entradas. Mas continua a ser uma equipa muito Demi-pendente. O facto de ser uma equipa francesa e, bem, ter Demi Vollering como superestrela coloca a pressão mediática toda para vencer o Tour de France.

Ally Wollaston, rápida como nunca, até pode ganhar várias etapas e provas ao longo do ano. Évita Muzic e Juliette Berthet (antes era Labous) podem brilhar no Giro. Célia Gery pode ser a maior promessa do ciclismo feminino francês. Mas se a FDJ não ganha o Tour com Demi, vai sempre parecer uma época aquém das expectativas. No pressure.

Ciclistas debaixo d’olho: Dois olhos em Célia Gery sempre, mas isso já sabem. O terceiro em Franziska Koch como grande reforço da FDJ.

Bitaite falso plano: Demi não só não ganha o Tour, como não ganha nenhuma Grande Volta.

Fenix-Premier Tech

Do ciclocrosse para a estrada, Puck Pieterse não quer meter o pedal na poça. Foto: Fenix-Premier Tech

Entradas: Mylène de Zoete; Lotte Claes; Fien van Eynde; Xaydée Van Sinaey.
Saídas: Pauliena Rooijakkers; Ceylin del Carmen Alvarado; Cecilia van Zuthem.
Vitórias 2025: 5 no total - 1 no World Tour.
Classificação WT: 9.º.

Uma equipa belga a sério só treina para uma coisa: as clássicas da Primavera. E fazem muito bem, que é bom ter equipas especializadas numa coisa, em vez daquelas superequipas que são boas em tudo e não deixam lugar para as outras. Sim, estamos a falar contigo SD Worx parem com essa me...

Na frente da equipa — e de qualquer subida com mais de 7% — a Fenix conta com Puck Pieterse, a nova rainha dos muros e paredões. Todas as esperanças de uma boa época para estes lados estão depositadas nela e em várias clássicas World Tour que vão muito bem com Puck.

No sprint, Charlotte Kool procura uma lançadora para relançar também ela a carreira entre as mais rápidas do pelotão. Vai ter sempre Wiebes pela frente? Claro que vai. Mas o importante é participar. E atenção a Millie Couzens, jovem com tendência para picar o ponto.

Para mais pontos WWT, contem sempre com a consistência de Yara Kastelijn em pequenas corridas por etapas, um ataque certeiro de Lotte Claes ou os contrarrelógios de Christina Schweinberger.

Ciclistas debaixo d’olho: Será que as estrelas do ciclocrosse também podem brilhar na estrada? Procurem por Ceylin Alvarado, Aniek van Alphen, Inge van der Heijden e a lenda SARA CASASOLA.

Bitaite falso plano: Puck Pieterse junta dois (!) Monumentos ao currículo.

Human Powered Health

Se isto fosse em Portugal, era a equipa Cogumelo do Tempo. Foto: HPH

Entradas: Nina Buijsman; Marta Jaskulska; Petra Stiasny; Titia Ryo; Jente Koops.
Saídas: Romy Kasper; Maëlle Grossetête.
Vitórias 2025: 2 no total - 0 no World Tour.
Classificação WT: 13.º.

2025 não foi um ano gentil para a HPH, uma das mais fracas equipas do World Tour feminino (lamento, mas não mentimos). Mas começaram esta época da melhor forma: uma vitória surpresa de Maggie Coles-Lyster na Austrália deu à HPH uma dose de "saúde humana" para repetir a fórmula em 2026.

A missão será difícil: esta é uma equipa com muitas ciclistas em descida na carreira, à procura de um relançar ou de uma reforma tranquila. Mas a vontade de resultados continua lá. Contem com Lily Williams ou Kathrin Schweinberger para sprintar em clássicas e etapas ou Thalita de Jong para se safar bem em Espanha.

Ciclistas debaixo d’olho: A escolha é escassa. Mona Mitterwalner gosta de andar na montanha. Fora da caixa, olho na francesa Titia Ryo, 21 anos e 2.ª na Juventude do Tour.

Bitaite falso plano: Este ano ganham uma no World Tour, vá. Mas por engano.

Lidl - Trek

A Lidl foi às compras e não sabemos que Vuelta deu aqui. Foto: Lidl-Trek

Entradas: Ricarda Bauernfeind; Loes Adegeest; Margot Vanpachtenbeke; Marine Lenehan.
Saídas: Ellen van Dijk; Elizabeth Deignan; Ilaria Sanguineti; Izzy Sharp.
Vitórias 2025: 16 no total - 5 no World Tour.
Classificação WT: 4.º.

Às vezes, esta equipa parece o supermercado que lhe dá nome: sem um forte corredor do meio, fica uma seca. A Lidl-Trek continua em reconstrução e à procura da sua grande estrela voltista desde a saída de Elisa Longo Borghini.

A esperança continua em Niamh Fisher-Black (sim, é irmã do Finn) para melhorar o 5.º à Geral do Tour no ano passado. É bom lembrar: se não fosse o furacão Vallieres, então Fisher-Black seria campeã do mundo. Por isso respeitinho. A equipa reforçou-se bem para dar aquele poder extra no comboio de montanha: Ricarda Bauernfeind (ex-CANYON) e Loes Adegeest (ex-FDJ) são reforços interessantes à procura de espaço que não tinham nas anteriores equipas.

Nas clássicas da Primavera, espera-se mais um ano forte de Elisa Balsamo, um nome a ter em conta sempre que a estrada inclina. No sprint a coisa é mais escassa: valha-nos Clara Copponi para uns pódios e Riejanne Markus para andar na luta na ilha de Chongming.

Ciclistas debaixo d’olho: A resposta é óbvia: Isabella Holmgren, vencedora do Tour de l'Avenir Femmes 2025 e que – esperamos nós – terá a hipótese de liderar uma Grande Volta aos 20 anos.

Bitaite falso plano: Isabella Holmgren é pódio de uma Grande Volta. Temos ciclista.

Liv AlUla Jayco

Que a sorte esteja convosco. Foto: Liv AlUla Jayco

Entradas: Nadia Gontova; Noä Jansen; Matilde Vittilo; Mackenzie Coupland.
Saídas: Mavi García; Anna Trevisi; Amber van der Hulst.
Vitórias 2025: 5 no total - 3 no World Tour.
Classificação WT: 10.º.

É a equipa favorita do Dias e é fácil perceber porquê: são as agentes do caos do pelotão feminino. E o caos dá-se bem entre si. A Jayco, no fundo, personifica o espírito de um pelotão World Tour feminino. Um forte trabalho de equipa, ataques constantes e um gosto especial para tentarem ganhar provas de um dia "do meio da rua".

Com a saída da veterana Mavi García, este será um ano para as novas caras da Jayco se afirmarem. É uma equipa relativamente jovem, com muitas atletas para quem este será um ano decisivo entre a "eterna promessa" e a "estava na cara que ia ser uma estrela, nunca duvidei". Achamos que vai dar certo. O Dias já acendeu uma velinha no cimo de Fernão Ferro.

Ciclistas debaixo d’olho: Para as GC, Monica Trinca Colonel vai ter de mostrar que se aguenta bem numa Grande Volta, depois de um 7.º na Vuelta e dois DNFs. Fezada em Ella Wyllie, se o pelotão estiver distraído. E olho muito atento nas clássicas para Mackenzie Coupland, campeã australiana de 20 anos.

Bitaite falso plano: A velinha do Dias não resulta. Zero vitórias este ano.

Movistar Team

Em 2026, é sempre a subir. Foto: Movistar

Entradas: Francesca Barale; Paula Ostiz.
Saídas: Jelena Erić; Paula Patiño.
Vitórias 2025: 17 no total - 10 no World Tour.
Classificação WT: 5.º.

Querem uma equipa de extremos? Não vão mais longe. A Movistar — representante espanhola no World Tour feminino — só conhece dois tipos de ciclistas: as que ganham tudo e as que não ganham nada. As super novas e as com um pé na reforma. As que se matam a trabalhar e as que andam em marcha-atrás.

Este ano, a luta por pontos UCI faz-se em duas frentes: nas corridas por etapas, Marlen Reusser quer melhorar um 2025 que já por si foi fantástico. É natural: quem foi 2.ª na Vuelta e no Giro só tem um sítio para onde trabalhar. Agora que ela acredita ser possível, pode ser que a Movistar faça o mesmo.

Nas clássicas, o palco está aberto para a promissora Cat Ferguson: 19 anos, máquina em falsos planos, vai fazer melhor que as 3 vitórias do ano passado. Uma já está. Cuidado com ela. Para amealhar umas vitórias de rotina, podem sempre contar com um dia bom de Liane Lippert. Na Movistar, não faltam opções nem talento.

Ciclistas debaixo d’olho: Num plantel recheado de juventude, estejam atentos a Paula Ostiz na montanha e Carys Lloyd nas chegadas ao sprint. Ambas com 19 anos e muitos pódios num futuro próximo.

Bitaite falso plano: Reusser vencedora de Grande Volta, Cat Ferguson vencedora de Monumento? Eu acredito.

Team Picnic PostNL

Já foram uma equipa mais Kool. Foto: Picnic PostNL

Entradas: Dilyxine Miermont; Mia Griffin; Gaia Masetti; Lucie Fitys; Audrey De Keersmaeker; Robyn Clay; Daniela Hezinová; Megan Arens.
Saídas: Marta Cavalli; Charlotte Kool; Franziska Koch; Megan Jastrab; Nienke Vinke; Francesca Barale; Esmée Peperkamp; Abi Smith; Silje Bader.
Vitórias 2025: 4 no total - 1 no World Tour.
Classificação WT: 14.º.

Um Picnic renovado e com direito a sangria. No mercado, a equipa perdeu 9 ciclistas, o que até poderia ser sinal de crescimento, não fosse um problema: perderam quase todas as ciclistas que traziam resultados. A equipa estava construída à volta da sprinter Charlotte Kool que, mais do que perder a rapidez na ponta final, foi ofuscada pelo furacão Wiebes (6-0 em confrontos diretos). Agora é tempo de virar o foco. O casting para a mais rápida da equipa está em aberto e não faltam candidatas. Mas também há boa gente focada em fazer desta uma equipa de caça nas montanhas.

No fundo, a Picnic está tipo uma empresa no LinkedIn: é uma equipa muito jovem – a ciclista mais velha tem 28 anos – dinâmica e focada em objetivos. Estamos a torcer por elas.

Ciclistas debaixo d’olho: Contem com Eleonora Ciabocco para aparecer nas Voltas mais curtas. Dilyxine Miermont pode aparecer em corridas de etapas, só precisa de as conseguir acabar. Pfeiffer Georgi vem em crescendo da época anterior. Rachele Barbieri nos sprints de segunda linha (não perguntem, é fezada).

Bitaite falso plano: Vão ter mais camisolas da juventude que a Kool terá vitórias na nova equipa.

Team SD Worx - Protime

Finalmente um ano mau da SD Worx? As outras equipas podem esperar sentadas. Foto: SD Worx - Protime

Entradas: Nienke Vinke; Valentina Cavallar.
Saídas: Chantal van den Broek-Blaak; Skylar Schneider; Laura Stigger; Geerike Schreurs.
Vitórias 2025: 48 no total - 27 no World Tour.
Classificação WT: 1.º.

Foram a equipa do ano em 2025, com 48 vitórias. Mais do dobro das vitórias da 2.ª classificada. Só Lorena Wiebes sozinha fez 25. Obrigado. Este ano, a SD Worx só tem o desafio de se superar com o grande objetivo que perseguem desde a saída de Demi Vollering: vencer uma Grande Volta com a (muito bem) regressada Anna van der Breggen. Ou, se forem teimosos, morrer a tentar com Lotte Kopecky.

Esperamos que as ideias de uma GC Kopecky estejam ultrapassadas e voltem a colocá-la (à Lotte, não à Julia) como uma das principais figuras da época de clássicas. Com um dos plantéis mais fortes e completos do pelotão feminino, a SD Worx tem tudo para voltar a dominar. E só perder a Roubaix para a Zoe Bäckstedt. Coisas que acontecem.

Em números de transferências, perde mais do que ganha. E em qualidade também, a não ser que estivéssemos em 2017 e Chantal Blaak ainda fosse a campeã do mundo.

Elas são as personagens principais do ciclismo feminino. O que acontecer aqui define tudo o resto. Tragam pipocas.

Ciclistas debaixo d’olho: Atenção a Nienke Vinke. Pode dar um salto qualitativo enorme já este ano.

Bitaite falso plano: Wiebes ganha Sanremo e não ajuda Lotte Kopecky. Esperem, isso já aconteceu. Ok, Vinke vai ser a melhor ciclista da SD nas Ardenas, fazendo pódio em pelo menos uma das provas.

Team Visma | Lease a Bike

Pauline, Ferrand e Prévot. Tudo o que as abelhas precisam para mais um ano de sucesso. Foto: Team Visma

Entradas: Sarah van Dam; Daniek Hengeveld; Katharina Sadnik.
Saídas: Eva Van Agt; Linda Riedmann; Fem van Empel; Sophie von Berswordt; Carlijn Achtereekte; Mijntje Geurts.
Vitórias 2025: 18 no total - 7 no World Tour.
Classificação WT: 6.º.

Comecemos por quem dispensa apresentações: a ciclista que já venceu o prémio mais importante do ciclismo mundial. Falamos de Sarah Van Dam, a vencedora do prémio "ciclista mais falso plano" da temporada passada e de quem espero uma subida de nível nesta nova equipa.

Quem também não anda nada mal, apesar de não ser tão reconhecida, é Marianne Vos. Mesmo com o passar dos anos, a rainha continua a ser sinónimo de garantia de vitórias. Tem um calendário escolhido com bastante critério para ser sempre competitiva mas, acima de tudo, servir de inspiração para muitas jovens ciclistas (ver abaixo).

Para 2026, a regra dentro da equipa parece ser clara: continuar a regar as sementes plantadas. Tanta água que lhes metem que este ano podem começar a colher frutos.

Pauline Ferrand-Prévot vai tentar repetir o grande ano de regresso ao ciclismo de estrada e revalidar os títulos de campeã no Tour de France e Paris–Roubaix. Para as chegadas em pelotão compacto, as "abelhas" contam com Martina Fidanza, apesar de confiarmos mais em Nienke Veenhoven para trazer resultados neste quesito. Uma nota ainda para Margaux Vigié e Femke de Vries, duas ciclistas que conseguem ser um apoio importante para as suas líderes e aproveitar as oportunidades com alguns bons resultados.

Ciclistas debaixo d’olho: Um trio de jovens ciclistas, cada uma na sua especialidade: Marion Buñel (voltista), Lieke Nooijen (ITT) e Nienke Veenhoven (sprintalhada). Numa segunda linha de ciclistas muito jovens e que têm tudo para continuar a evoluir: Rosita Reijnhout, Imogen Wolff, Viktória Chladoňová e Maud Oudeman.

Bitaite falso plano: Pauline Férrand-Prévot: tudo menos o Tour.

UAE Team ADQ

Amigas, amigas, alcatrão à parte. Foto: UAE Team ADQ

Entradas: Mavi Garcia; Pauliena Rooijakkers; Megan Jastrab; Federica Venturelli; Febe Jooris.
Saídas: Sofia Bertizzolo; Tereza Neumanová; Elizabeth Holden.
Vitórias 2025: 28 no total - 7 no World Tour.
Classificação WT: 3.º.

São de longe a equipa mais dominante no masculino. Mas a UAE no feminino? Mesma dinâmica no plantel, outra conversa nos resultados.

Como na época passada, as fichas voltam a estar todas na "Pogačette" da equipa, a veterana Elisa Longo Borghini nas Grandes Voltas. Vai à caça de revalidar o Giro d'Italia e talvez faça umas clássicas pelo caminho. Está rodeada de um plantel com muita qualidade, com ciclistas capazes de lutar por pódios em qualquer prova da época.

Mas quando Borghini não está em prova? É como nos dias de folga de Pogačar e vai cada uma por si. A prestação no Tour Down Under já deixou um gostinho do que podemos esperar na época: há mais feitios que espírito de equipa. No sprint, é bar aberto entre Lara Gillespie e Megan Jastrab. E o regresso de Mavi García – um bom reforço para o trabalho nas montanhas – afinal meteu só mais uma veterana a competir pelos holofotes com as novas esperanças.

Desta UAE, esperem o mesmo de sempre: consistência. Nos resultados, na estrada, no drama.

Ciclistas debaixo d’olho: Aprendam já a escrever que é mais fácil. Este é o ano de Dominika Włodarczyk. A polaca que fez 4.º à Geral num Tour de France onde só ia para bulir tem a mira apontada a algumas GCs este ano. Será que lhe confiam uma Grande Volta? Capacidade não falta. O ano também promete para Maeva Squiban. A francesa que chocou o mundo com duas vitórias no Tour de 2025 anda a treinar para a época de clássicas. O ano passado ela avisou. Este ano, dêem-lhe uns metros e só a apanham depois da meta. E muita atenção à espanhola Paula Blasi, que é um íman de pontos UCI.

Bitaite falso plano: Três pódios nas Grandes Voltas, mas por três ciclistas diferentes.

Uno-X Mobility

Às vezes aqui faz frio. Foto: Uno-X Mobility

Entradas: Francesca Pellegrini; Sigrid Ytterhus Haugset; Alessia Virgilia; Laura Tomasi; Jelena Erić.
Saídas: Maria Giulia Confalonieri; Simone Boilard; Solbjørk Minke Anderson.
Vitórias 2025: 14 no total - 1 no World Tour.
Classificação WT: 11.º.

Até no World Tour o fosso está a ficar cada vez maior entre as super-equipas e as "outras". A prova A, B e C disso está nas simpáticas nórdicas da Uno-X. À procura de renovação — e de alguns pontos que as tirem do fundo do WWT — reforçaram-se com o que havia: três italianas de segunda linha, mais uma nórdica e Jelena Erić, campeã sérvia desde a Era Medieval.

A esperança para esta época está, à boa maneira nórdica, em perseguir auroras boreais. Aqueles momentos de magia instantânea que trazem resultados. Tiveram uns lusco-fuscos com Mie Bjørndal Ottestad, especialista em ataques tardios quando apanha um pelotão a dormir.

Com a Uno-X em prova, a garantia é a de ataques tardios, gente na fuga e algum momento divertido em clássicas. O diretor desportivo da equipa é o mítico Thor Hushovd. De sofrimento em cima da bicicleta, percebe ele.

Ciclistas debaixo d’olho: Este terá de ser o ano de afirmação de Linda Zanetti, vinda de um 2025 abaixo do esperado. Katrine Aalerud é sempre uma aposta para Top-5, sobrtudo em contrarrelógio. E procurem por Marte Berg Edseth nas clássicas da primavera.

Bitaite falso plano: Este artigo vai ser mais longo que o CV da Uno-X este ano. Zero etapas, uma vitória na Geral no Tour da Noruega.