Antevisão — Figueira Champions Classic
Que o São Valentim abençoe esta história de amor entre a Figueira, o falso plano e bigode mais lindo do mundo do ciclismo.
Introdução
Há quem diga que a Figueira Champions Classic se tem consolidado como uma das clássicas mais importantes de início de temporada. Mas a equipa falso plano é visionária e, como todos já sabem, a prova portuguesa é obviamente o primeiro Monumento do ano.
O início de ano em Portugal, principalmente na zona centro, não tem sido nada fácil devido às tempestades e, a certa altura, chegámos a temer se a prova tinha condições para acontecer. Boas notícias e o São Pedro até parece que, passados não sei quantos dias de chuva, nos vai brindar com um pouco de sol. A nós e ao pelotão de luxo que estará presente na quarta edição da prova.
A Figueira Champions Classic terá um recorde de vinte e quatro equipas (com presenças por confirmar), oito delas World Tour, mas a presença de portugueses é sempre bem vincada. Só na UAE são três: os irmãos Oliveira e o grande campeão António Morgado. Juntam-se Nelson Oliveira na Movistar e muitos outros pelas equipas tugas.
Reunidas as condições, fechem a geleira e acomodem-se juntos aos elementos do falso plano na Rua do Parque Florestal. Esperamos por vocês com uma sweat no corpo e uma gelada na mão.

O percurso
O perfil da prova mantém-se igual ao de 2025. São quase cento e noventa e três quilómetros com um início em estilo praticamente de passeio e, como já é habitual, as coisas começam a aquecer a cerca de noventa quilómetros da meta.
É no início do circuito final que se começa a decidir a prova. São três as passagens pela Rua do Parque Florestal (2.3kms @ 7.1kms) e por Enforca Cães (800m @ 7.3%), onde se espera para além da emoção da corrida também lindas paisagens do nosso belo Portugal. As imagens de helicóptero costumam ser realmente estonteantes (que é como também descrevemos o estado do Henrique no final da prova).
Após a última passagem, por este belo sítio os ciclistas irão ficar a seis quilómetros da meta, localizada bem no centro da Figueira, na Avenida 25 de abril.
Para quem estiver interessado, a corrida inicia-se pelas 11h45 na Torre do Relógio.

O que esperar
Sem a presença de um todo-poderoso como aconteceu em 2024 com Remco Evenepoel e com as condições climatéricas instáveis - é capaz de ter vento - não vejo ninguém a querer atacar de longe, ir a solo e conseguir vingar. Por isso, acredito que a última volta do circuito será aquela com mexidas e de onde sairá o ataque do vencedor.
As equipas da UAE, com o favorito António Morgado, a Tudor com Hirschi que já fez aqui sexto e o percurso é ao seu estilo, a Red Bull com Martínez e até o jovem Finn e a Trek com os experientes Toms Skujiņš e Lennard Kämna parecem-me as equipas com maior capacidade para mandar na corrida e impor o ritmo para depois soltarem as fichas na Rua do Parque Florestal.
A equipa da Movistar também tem nomes para estarmos atentos e que podem atacar na parte final da corrida e serem felizes. São eles Javier Romo e o colombiano Diego Pescador. Não me surpreenderia que tentassem a sorte na última passagem pela Rua do Parque Florestal.
Max Poole, um dos melhores trepadores aqui presente, pode também surpreender. Digo surpreender, porque acho que gosta de subidas mais longas, mas pode sempre tentar. Para além dele, Fabio Christen e Alex Aranburu, este último numa vertente mais de sprint em grupo reduzido, serão claramente dos mais rápidos aqui presentes.
Com tantos nomes capazes, aquilo que poderá fazer mesmo a diferença é a vantagem que irão ter no final da Rua do Parque Florestal. Se será ou não suficiente para a vitória sair desse grupo ou se de um grande grupo perseguidor para disputar o sprint final, veremos.

Favoritos
António Morgado — O atual, antigo e futuro vencedor.
Marc Hirschi — Já fez sexto e o perfil assenta-lhe muito bem.
Fabio Christen — Um jovem classicómano que é também trepador. Faz aqui a sua estreia em 2026.
A não perder de vista
Alex Aranburu — O favorito se conseguir entrar num grupo reduzido. Na reta da meta será o mais forte.
Jarno Widar — Vinte aninhos e imensa qualidade. Se têm dúvidas, vejam a época dele o ano passado na equipa de desenvolvimento da Lotto.
Max Poole — Para mim, o melhor trepador em prova. Será requisito suficiente?
Daniel Felipe Martínez — Já foi muito feliz em Portugal em 2024, mais propriamente na Volta ao Algarve.
Apostas falso plano
André Dias — Aquele gajo da equipa do McNulty, Giaimi, Fabries, Grosschartner e dos irmãos Oliveira.
Fábio Babau — Christen lá do fundo do Bau.
Henrique Augusto — Bi-Morgadão.
O Primož do Roglič — Havia o Toni do Rock, agora há o Toni das bikes.
Miguel Branco — A Figueira é terra de Pescador.
Miguel Pratas — Bis do Toni.
Nuno Gomes — João Almeida, se tivesse solinho. Assim foi passear o cão.
Nuno Silva — Morgado. Kockelmann faz segundo.
Rogério Almeida — Quando o Morgado passar, o Dias já não o reconhece.
Vítor Ferreira — Se queres ganhar e não tens par, chama o António.