Antevisão — Itzulia Basque Country
Em tempo Bascal, de ataque em ataque até à vitória final.
Introdução
Depois da Catalunha, voltamos a Espanha no que a provas de uma semana diz respeito. Uma lufada de ar fresco entre a loucura das clássicas da primavera.
Lufada de ar fresco que depende da perspetiva. Há dois anos foi fatídica para grandes nomes do plantel internacional, mas de boa memória para os portugueses a edição de 2025 por culpa da vitória do nosso João Almeida.
Este ano, sem portugueses em prova, mas com dois dos nomes mais badalados da atualidade no ciclismo. O jovem prodígio francês da Decathlon, Paul Seixas, e o mexicano da UAE, Isaac Del Toro. Já para não falar do vencedor de 2024, Juan Ayuso, e do bi-campeão (2018 e 2021), Primož Roglič.
Com os nomes presentes e o perfil de etapas que a organização nos presenteia, este intervalo de clássicas por terras bascas promete e muito.

O percurso
Etapa 1 (ITT) — A semana começa com um contrarrelógio individual de quase catorze quilómetros na bonita cidade de Bilbao. Uma ligeira ascensão inicial seguida de um falso plano em modo descida e termina com uma rampa de quase 500m a 9% de inclinação.

Etapa 2 — Segundo dia de prova e começa o sobe e desce muito característico destas paragens. Saída da mítica cidade de Pamplona e chegada a Mendukilo Kobazuloa, e nos entre tantos temos uma segunda categoria, duas terceiras e perto do final uma primeira categoria, San Miguel de Aralar (9.4km @ 7.9%). Não coincide com o final, mas irá ser decisiva para o desfecho da etapa.

Etapa 3 — Chegamos a metade da prova e é também aquele dia que não é carne, nem é peixe. Pode ser o único dia em que os homens mais rápidos terão alguma hipótese de vingar.

Etapa 4 — Mais um dia e voltamos ao tradicional sobe e desce. São seis subidas de terceira categoria e aquela que está mais perto da meta é de segunda, Legina terá inclinações a rondar os doze por cento. A tirada termina, novamente, em descida seguida de uma ligeira inclinação.

Etapa 5 — Penúltimo dia de prova, mas perfil idêntico à das restantes. No entanto, este destaca-se por ser a etapa com maior quilometragem (176.2km) e aquela que tem mais acumulado (4079m). Cinco ascenssões de terceira categoria e três de primeira. Destaco Izua, são 3.6km a 10%. O final é em descida e em falso plano.

Etapa 6 — Último dia, dia mais curto (sem contar com o ITT), mas o perfil do costume. Promete ser o dia de todas as decisões.

O que esperar
Ayuso, Paul Seixas, Del Toro, Healy, Pello Bilbao, Scaroni, Champoussin… Oh meus amigos, isto vai ser ataques e mais ataques.
Agora a sério, a presença de contrarrelógio logo no primeiro dia e o facto de não ser muito longo pode menorizar as diferenças e tornar os próximos dias bem animados.
Dias esses que são propícios a muita agitação, não vou dizer que serão um constante sobe e desce. Desculpem, já disse de novo. Era inevitável.
Inevitável é também referir o bloco que a Decathlon apresenta aqui para ajudar o seu líder Paul Seixas. É, claramente, em busca da vitória na classificação geral.

O da UAE também não fica atrás, tal como o da Red Bull. O da Trek não salta tanto à vista, mas se Ayuso estiver em forma também não se incomodará com isso. Outro que salta também à vista é o da Astana, com Scaroni, Champoussin, Fortunato, Velasco, Higuita e Tejada. Os caça etapas, os tradicionais puncheurs que tão bem encaixam aqui.
Cartas lançadas e perfil analisado, não espero uma prova a ser controlada por uma só equipa e monótona. Preparem-se para um PCS constantemente a bogar, por não saberem quem está e quem não está na frente.
Favoritos
Juan Ayuso — Deu DNF por queda feia no Paris-Nice a meio de março. Aparece aqui praticamente um mês depois e espero que apresente a forma em que estava e isso será sinal de lutar pela vitória.
Paul Seixas — 19 anos de puro talento. Bateu-se com Ayuso e foi melhor que João Almeida no Algarve e foi o melhor dos humanos na Strade Bianche. Sou fã.
Isaac Del Toro — Vencedor do UAE Tour, terceiro na Strade Bianche e vencedor do Tirreno Adriatico. Sem Pogačar e sem João na equipa ele é dono e senhor da UAE.
A não perder de vista
Antonio Tiberi — Depois de um início de época bastante positivo as suas últimas presenças têm deixado um pouco a desejar. Atenção ao colega de equipa Pello Bilbao, mas o italiano é bem mais forte no contrarrelógio.
Florian Lipowitz — Tem um bi-campeão da prova na equipa, mas como se viu na Catalunha, onde tinha Remco, para ele pouco importa. Vem aqui para voar.
Kévin Vauquelin — Não é nome para vencer, mas acredito que vá lutar pelo top-5.
Tobias Halland Johannessen — Ainda não conseguiu uma vitória, mas tenho gostado muito da forma deste início de época. Não me espantava nada que conquistasse aqui essa primeira vitória e andasse na luta por um top-5 na geral. Tem como handicap o contrarrelógio.
Apostas falso plano
André Dias — .
Fábio Babau — .
Henrique Augusto — .
O Primož do Roglič — A ressurreição do Primož.
Miguel Branco — Ayuso. Bonita vitória sobre primeiro e segundo no Tour.
Miguel Pratas — Wout van Artevelde.
Nuno Gomes — Tadej Seixas!
Nuno Silva — Paulo Seixas toureia o touro que põe os cornos no Ayuso
Rogério Almeida — Obrigado Ion.
Vítor Ferreira — Com a chegada da primavera, as árvores enchem-se de flores, e no meio delas há uma que vai pintar a geral de amarelo: Florian Lipowitz.