Antevisão — Milano-Sanremo

Vento de frente? Minha gente só Pogačar e Van der Poel são crentes.

Antevisão — Milano-Sanremo
Milano-Sanremo

Introdução

O primeiro Monumento após a Figueira Champions Classic está quase a chegar. São duzentos e noventa e oito quilómetros, mais nove comparativamente ao ano passado, que os ciclistas vão ter de percorrer até à chegada em San Remo.

Esta é uma corrida que, sejamos honestos, tirando as paisagens idílicas, não tem muito interesse até ao aproximar dos capos onde aí a dinâmica fica outra. Dito isto, o ano passado foi a Milano Sanremo que nos proporcionou a melhor meia hora de ciclismo da temporada e uma das melhores de sempre, com o duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu Van der Poel, com Filippo Ganna ao barulho.

No entanto, no passado recente já tivemos outros momentos épicos, como em 2017 com a vitória de Michal Kwiatkowski num sprint com Peter Sagan e Julian Alaphilippe decidido por quanto ar tinham nos pneus. Descidas míticas para a vitória dos ases Vincenzo Nibali e Matej Mohorič, alguns sprinters a triunfar (como era costume no passado) Arnaud Démare e Jasper Philipsen, ciclistas de panache Julian Alaphilippe, máquinas de clássicas Mathieu van der Poel e Wout van Aert e ciclistas que ainda hoje não sabem como venceram Jasper Stuyven. Já repararam na anomalia não já? Pois é, Tadej Pogačar não figura nesta lista e o esloveno vai tentar de tudo para ser desta.

Este ano Pogačar vai estar presente com um touro na cartola, Isaac Del Toro. O mexicano será o ciclista no qual Tadej Pogačar e a UAE vão depositar mais esperanças para tornar a corrida difícil antes do ataque do esloveno. Porém, vai lá estar Mathieu an der Poel, e se no ano passado o neerlandês estava forte então este ano está fortíssimo. Van der Poel, depois de “passear” pelo ciclocrosse tem ganho onde lhe apetece e não se vai deixar intimidar pela força da UAE que conta também com Florian Vermeersch, Brandon McNulty e Jan Christen, entre outros. Já Filippo Ganna ainda não demonstrou muito para além do expectável, vencer cronos, no entanto, referiu que no ano passado esteve demasiado forte antes desta prova e que este ano apontou para estar no máximo dos máximos aqui.

Ainda assim dada a natureza imprevisível desta corrida, não podemos descurar outros talentosos ciclistas como Tom Pidcock (acabadinho de vencer a Milano-Torino), Romain Grégoire (4.º na Strade e por pouco não conseguiu seguir o trio da frente na edição do ano passado de Sanremo), Jasper Philipsen (está a subir como nunca e voltou recentemente às vitórias), Wout van Aert (em subida de forma), Mads Pedersen (regressado de lesão) entre outros.

Os três reis magos da edição do ano passado Mathieu Van der Poel, Tadej Pogačar e Filippo Ganna. (foto: Getty Images)

O percurso

É o percurso habitual, partida em Pavia para uma longa pedalada até ao Passo del Turchino (que neste caso se faz em menos de um dia, ao contrário da cidade), depois descida, mais uma longa secção de terreno plano e entramos na fase interessante da corrida. Os capos Melle (2.6km @ 3.6%), Cervo (1.3km @ 3.7%) e Berta (1.7km a 7%) servem de aperitivo para a Cipressa (5.6km @ 4%) e por fim o Poggio (3.6km @ 3.7%) descida super técnica que coincide praticamente com a meta.

Milano - Sanremo (298 km)

O que esperar

Depois do espetáculo do ano passado, as expetativas estão novamente altas, pois vamos ter novamente os mesmos intervenientes.

A UAE como já referido neste artigo traz um bloco bastante forte, apesar das ausências de Tim Wellens e Jhonatan Narváez,. Vão começar a impor um ritmo forte logo nos capos com principal atenção para o Berta que é o mais duro dos três e o que antecede a Cipressa. Depois chegamos à Cipressa, aí acredito que Isaac Del Toro tenha um papel fundamental a atacar o grupo para que Pogacar saia desta subida com o menor número de adversários possíveis. Até à entrada do Poggio vamos ter Del Toro a puxar um grupo de cinco a seis ciclistas, com Pogačar a atacar logo no início da subida final. Vai ser uma subida feita literalmente a abrir com um ou dois ciclistas a conseguirem estar perto dos dois da frente. Pogačar vai bater o record de ascensão do Poggio, mas não se vai conseguir livrar de Van der Poel.

No final podemos ter um sprint a dois, ou até com mais um ou dois ciclistas caso Pogacar e Van der Poel não colaborem da melhor forma, e vitória ao sprint de Mathieu van der Poel.

Este é o meu cenário, no entanto, dada a imprevisibilidade desta corrida, a situação poderá ser outra. Espera-se vento de frente e isso poderá prejudicar ataques ainda longe da meta, pelo que podemos perfeitamente ter uma corrida conservadora até ao Poggio. Já os sprinters até podem agradecer esta situação meteorológica, mas com tanto ciclista bom escalador e explosivo só vejo mesmo Jasper Philipsen e Tobias Lund Andresen a poderem ter algumas hipóteses.

Favoritos

Mathieu van der Poel— Vencedor de duas edições, é para mim o principal candidato, está em grande forma e não tem nenhum tipo de pressão do lado dele.

Tadej Pogačar Todos os anos perguntamo-nos, será que é desta? Para mim não vai ser, mas é o segundo principal candidato à vitória ainda para mais a contar com a ajuda do seu colega Del Toro.

A não perder de vista

Filippo Ganna — O terceiro magnífico do ano passado, "Pippo" fez uma preparação a apontar especificamente para esta corrida. Já provou que em grande forma consegue estar com as duas lendas, se tiver ainda melhores pernas que no ano passado é dos poucos que os pode bater.

Tom Pidcock — Nunca demonstrou totalmente a sua qualidade nesta corrida, Pidcock estando bem posicionado é também dos poucos capazes de seguir Van der Poel e Pogacar e é um exímio descedor. Poderá utilizar a sua técnica de descida para ganhar uma distância que o permita triunfar.

Isaac Del Toro — Em princípio será o gregário de luxo de Pogacar, no entanto, sabemos bem da qualidade do mexicano e caso a UAE queira ganhar a corrida sem ser com Pogacar, poderemos ver Del Toro com um papel mais livre a lançar ataques. Sinceramente esta perspectiva parece-me a mais realista para a UAE conseguir triunfar: Pogačar marcado ataca Del Toro.

Wout van Aert — Está em subida de forma, talvez ainda seja demasiado certo para voltarmos a ter o velho Wout, mas é uma boa opção.

Romain Grégoire — O francês esteve muito perto de se colar aos três da frente no ano passado, mas acabou por não conseguir aguentar o ritmo. Este ano parece-me estar mais forte, se tiver as pernas que teve na Strade Bianche é também ele um possível vencedor.

Jasper Philipsen — Após uma preparação específica para clássicas acidentadas, Philipsen sobe como nunca o vimos. Vai estar presente no segundo grupo e caso chegue a Van der Poel terá o melhor lançador da corrida.

Tobias Lund Andresen — A saída da Picnic fez-lhe maravilhas, já sabíamos que era bom sprinter e que passava bem colinas, mas este ano está num outro patamar. Se a Decathlon ainda não sentiu falta de Olav Kooij muito se deve a este ciclista.

Christophe Laporte — Está totalmente recuperado da doença que o impediu de correr grande parte de 2025, é um ciclista que parece renovado no sentido de que faz de tudo para recuperar a época perdida do ano passado. Tem Van Aert na equipa, mas sinceramente num sprint se eu fosse diretor da Visma optava por Laporte.

Mads Pedersen— Termino com Pedersen, não só porque é uma adição de última hora, como vem de lesão e recuperou milagrosamente a tempo de Sanremo. Pelo menos é o que fazem transparecer cá para fora, na realidade o estado de Pedersen é uma incógnita e provavelmente ainda não estará com pernas suficientes para aguentar com o nível de ciclistas que aqui temos.

Apostas falso plano

André Dias — Este ano, a UAE não vai dar hipóteses. Ganha Isaac del Toro.

Henrique Augusto — PIIIID a la Mohoric.

O Primož do Roglič — Matthew Brennan e eu saco chapa outra vez.

Miguel Branco — O segundo principal favorito: Bjorn Koerdt.

Miguel Pratas — 1/5 Pogi.

Nuno Gomes — Hattrick MVDP .

Nuno Silva — Showman Mathieu van der Poel.

Rogério Almeida — Modo fácil, esta Pogačar NÃO GANHA nem que se fod* todo.

Vítor Ferreira — Ataque decisivo no Poggiacar.