Antevisão — Omloop Nieuwsblad
O regresso de uma paixão tóxica chamada pavé.
Introdução
O World Tour aterra pela primeira vez na Europa em 2026 e logo em grande estilo. Vai começar a temporada de clássicas e traz como sempre consigo um velho conhecido, o pavé.
É por terras belgas que se inicia esta paixão tóxica de muitos amantes do ciclismo. Tóxica, porque nos faz vibrar (que digam os ciclistas) e ao mesmo tempo levar as mãos à cabeça com aquela queda de três piruetas do ciclista que achávamos que ia mesmo ganhar. Mas mais um ano e cá estamos com o mesmo entusiasmo.
Mais um ano e a constatação de um facto histórico dos últimos anos desta vez prova. Quando a Visma parte a corrida temos vitórias a solo, 2022, 2023 e 2024, quando não o faz acaba tudo ao sprint. Este ano não sei se haverá Visma, ou Søren Wærenskjold, mas van der Show será garantido.

O percurso
Com duzentos e oito quilómetros de percurso e a partida em Gent o início espera-se calmo até aos primeiros setores de pavé. Mas onde a corrida se pode começar a decidir é na aproximação a Geraardsbergen.
Com o segundo bloco de setores a surgir e a organização a acrescentar o Tenbosse (400m @ 6%) e o Parikeberg (700m @ 5.3%) antes do Muur a corrida vai endurecer. Muur esse que dispensa apresentações, é um quilómetro com percentagens a rodar os vinte no final do topo. E antes de uma descida com ligeira inclinação até à meta no centro da cidade de Ninove temos o Bosberg (0.9 @ 6.4%) que poderá ajudar a manter as diferenças que possam ser feitas no Muur.
Uma nota importante para a possibilidade de alguma chuva, mas mais importante o aparecimento de vento pelas costas após a passagem pelo Bosberg, o que pode facilitar o triunfo de quem conseguir fazer diferenças nesses dois últimos topos.

O que esperar
Há Mathieu van der Poel e não há Wout van Aert que parece ter adoecido à última da hora. Ou seja, o duelo sempre esperado não irá existir desta vez, ainda assim com ou sem belga, o homem da Alpecin vem para dar show e não me admirava vê-lo a arrancar e ir uns bons quilómetros a solo.
No entanto, a grande dúvida aqui está naquilo que a Alpecin quer para a corrida. Quer van der Poel a vencer ou quer levar isto para o sprint? Se quiser levar para o sprint tem Jasper Philipsen e Kaden Groves como trunfos, mas as outras equipas também estão muito bem apetrechadas no que aos homens mais rápidos diz respeito. O risco torna-se maior.
Paul Magnier, da Soudal, que esteve em grande plano no Algarve, Biniam Girmay, da NSN, que já mostrou boa forma este ano e até venceu uma clássica em Espanha, Tobias Lund Andresen, da Decatlhon, também já triunfou em terras australianas e claro, o campeão do ano passado, Søren Wærenskjold, da Uno-X. Destaco ainda neste campo dois nomes: Matthew Brennan, um prodígio enorme e para mim um dos favoritos a vencer, e o britânico da Ineos, Ben Turner, o seu porte físico assenta que nem uma luva neste tipo de terreno.
Apesar de a força das equipas que querem levar isto para uma discussão ao sprint, nem que seja apenas pelo segundo lugar, queria destacar apenas a equipa da Emirates, com Wellens, Politt e Florian Vermeersch, e a equipa da Tudor com os pesos pesados, Stefan Küng e Matteo Trentin.
Por fim, Thomas Pidcock e Arnaud De Lie... Não vou dizer que conseguirão fazer frente ao neerlandês da Alpecin, mas têm, principalmente o homem da Lotto, capacidade para responder e são rápidos na linha da meta.
As forças para uma vitória discutida ao sprint são grandes, veremos se a força de Van der Poel não será mais uma vez maior que todas as outras.

Favoritos
Mathieu van der Poel — Agarrem-no se puderem.
Paul Magnier — O favorito se isto der sprint.
Matthew Brennan — O meu protegido.
A não perder de vista
Biniam Girmay — O meu joker.
Arnaud De Lie — Vai flopar, fácil.
Thomas Pidcock — Vai tentar seguir na roda de van der Poel, mas vão faltar as pilhas.
Tobias Lund Andresen — Esteve bem na Austrália e é ciclista na Decathlon. É preciso ter muita atenção.
Tim Wellens — E se fizer uma à la Visma com Politt? Eram bem capazes disso.
Lukas Kubiš — Sei que não falei nele nas hipóteses para o sprint, mas está a fazer um início de época único e fez sexto em 2025.
Ben Turner — Basta o relógio estar certo.
Apostas falso plano
André Dias — Paul Magnier. Os búzios dizem que é ano de sprint.
Fábio Babau — Jasper, dará entrada na meta na linha VDP.
Henrique Augusto — O pai desta vez decidiu que os meninos nem no início de época podiam brincar. Mathieu van der Poel.
O Primož do Roglič — O Van der Poel decide quem ganha. Ou ele, ou o Jasper.
Miguel Branco — Acho que o Wellens faz segundo.
Miguel Pratas — Omloop Kubišblad.
Nuno Gomes — MvdP, cuidado que não vale bujas!
Rogério Almeida — Capiot pai ganhou duas vezes. Por isso, a família não precisa de mais.