Antevisão — Paris-Nice

A Corrida do Sol promete ser quente.

Antevisão — Paris-Nice

Introdução

Não é só em Portugal que o tempo tem gradualmente melhorado, ciclisticamente falando vamos ter o Paris-Nice também conhecido como a corrida do Sol a primeira das big -7. Apesar de já termos tido o UAE Tour e o Santos Tour Down Under, que são corridas por etapas World Tour, para muitos o Paris-Nice marca verdadeiramente o começo de época deste tipo de provas.

A verdade é que desde que vi o bananito Carlos Betancur a ganhar ao Rui Costa em 2014 por 11 segundos nunca mais olhei para a prova da mesma maneira. Em 2026 não vamos ter Rui Costa que já goza da sua merecida reforma, nem Betancur que desfruta das suas bananas da Colômbia sem restrições. Mas vai estar presente o “nosso” Ivo Oliveira em conjunto com outros craques como Jonas Vingegaard, Juan Ayuso, Kevin Vauquelin, Oscar Onley, Lenny Martinez e Brandon McNulty.

O percurso é muito versátil, sprints, chegadas punch, crono por equipas pelo que vão existir hipóteses para todos, tal como já é costume nesta corrida.

Matteo Jorgenson venceu pela segunda vez consecutiva a corrida no ano passado. Florian Lipowitz e Thymen Arensman completaram o pódio. (Foto: Giro do Ciclismo)

O percurso

Etapa 1 — Tal como em edições anteriores a organização opta por colocar uma etapa que teoricamente poderá terminar num sprint seletivo ou até vitória de uma fuga como abertura da corrida. Porém, o histórico diz-nos que o normal será acontecer um sprint com o pelotão mais ou menos completo. No entanto, com a última colina Côte de Chanteloup les Vignes (1,1km a 8,1%) a deixar os ciclistas a apenas 11 quilómetros da meta, acho demasiado convidativo aos ataques e a possibilidade de uma fuga tardia triunfar não me parece nada descabido. Amantes da fantasy atenção que há luta pela camisola da montanha nesta e na próxima etapa.

Achères - Carrières-sous-Poissy (170.9km)

Etapa 2 — Tem algumas semelhanças com a primeira etapa, no entanto, o final é bem mais plano, tudo aponta para um sprint massivo exceto se o vento fizer das suas.

Épône - Montargis (187km)

Etapa 3 — Um contrarrelógio por equipas maioritariamente plano, é mais um teste para as equipas que vão ao Tour poderem afinar as suas capacidades nesta modalidade que não é das mais comuns. Dada a distância de 23 quilómetros podemos já ter algumas diferenças relevantes entre os ciclistas que vão disputar a geral, mas nada que, na teoria, veja como fator decisivo para excluir os favoritos da luta pela geral.

Cosne-Cours-sur-Loire - Pouilly-sur-Loire (23.5km)

Etapa 4 — Uma chegada em final punch para animar a malta. Vejo uma vitória de Juan Ayuso, Lenny Martinez ou Oscar Onley no topo de Uchon (8km a 4,4% com o último quilómetro a 12,8%).

Bourges - Uchon (195km)

Etapa 5 — Se na etapa 4 alguns punchours sprinters podem aguentar as dificuldades e disputar a etapa, a etapa 5 será certamente só decidida pelos ciclistas da geral. As subidas até podem ser mais curtas, mas são mais duras e constantes. É uma etapa que tem tudo para oferecer um bom espetáculo e será um bom teste também para as pernas de um Vingegaard que faz a sua estreia na temporada após alguns percalços (queda e doença) o terem impedido de começar a época mais cedo.

Cormoranche-sur-Saône - Colombier-le-Voeux (206.3km)

Etapa 6 — Numa grande volta era a chamada etapa de transição. Algumas montanhas/colinas no final retiram as possibilidades dos sprinters e favorecem os puncheurs sprinters e atacantes que descam bem. A vitória de uma fuga nesta etapa é uma possibilidade muito real.

Barbentane - Apt (179.3km)

Etapa 7 — Chegada a Auron, a única verdadeira chegada em alto desta edição. Uma etapa curta e parecida da edição do ano passado. São 7,4 km com uma média de 7,1% e uma zona de 1 quilómetro a 9,1%. Não é uma montanha excessivamente dura, mas vai ter um papel bastante importante na definição da classificação geral. Apesar de no ano passado ter vencido aqui uma escapada, acredito que desta vez a vitória vai ser de um dos favoritos da geral.

Nice - Auron (138,7km)
Auron 7.4km a 7.1%

Etapa 8 — A tradicional etapa de Nice a Nice, muita montanha, cenários bonitos e descidas perigosas. No ano passado foi aqui que Matteo Jorgenson mostrou ser o boss da edição. É uma etapa que dará em princípio para fuga, no entanto, se tivemos um Vingegaard confiante e em boa forma poderá, à semelhança do seu colega de equipa no ano passado, demonstrar que quem manda é ele.

Nice - Nice (129.2km)

O que esperar

A falta de sprinters pode proporcionar uma vitória de um sprinter puncheur como Axel Zingle na primeira etapa, mas a segunda já será para os puros velocistas. Visma ganha o TTT graças à presença de Affini, Campenaerts e Armirail, mas as diferenças para a INEOS, UAE e Lidl não serão significativas.

Já nas etapas punch vamos ter Juan Ayuso, Lenny Martinez e Oscar Onley a brilharem. Mesmo Vingegaard em boa forma poderá fazer um bom resultado.

Não acredito que tenhamos um ciclista super dominador e vamos entrar na etapa 8 com a geral ainda por decidir, Ayuso é um excelente descedor e a vitória poderá ir para a Lidl-Trek uma vez que o prevejo sempre bem posicionado na geral.

Favoritos

Jonas Vingegaard — Em 2 duas participações Vingegaard fez terceiro em 2023 atrás de David Gaudu e na outra abandonou após queda, mas mesmo antes de abandonar a corrida já não estava propriamente a correr bem. Será que há terceira é de vez? Em condições normais talvez fosse, mas é a sua primeira corrida do ano e logo após queda e doença que o impediram de começar mais cedo. Ainda assim, na teoria, é o principal candidato à vitória.

Juan Ayuso — Acabadinho de ganhar a Algarvia, Ayuso demonstrou estar com boas pernas e atitude ambiciosa, para mim é ele quem ganha o Paris-Nice. Um percurso perfeito para ele e a Lidl apresenta-se muito forte aqui.

A não perder de vista

Brandon McNulty — Com a saída de João Almeida, as ambições à geral por parte da UAE dependem dele. Vamos ver como se apresenta aqui após um Algarve infeliz. É um percurso que assenta nas suas capacidades.

Kevin Vauquelin— Começou com o pedal direito esta sua nova fase de carreira na INEOS e adapta-se bem ao percurso. Traz consigo mais uma super equipa.

Carlos Rodriguez — É tão talentoso como azarado, Carlitos até não começou mal a época com um segundo lugar na Provença. Quando se consegue manter em cima da bicicleta é um dos melhores trepadores do pelotão.

Oscar Onley — Completa o tridente de luxo da INEOS e para mim é o melhor ciclista da equipa para esta corrida. Dono de um excelente punch vai desde cedo começar a dar bons pontos.

Lenny Martinez — O pequenino Lenny tem muita garra, mas às vezes faltam-lhe as pernas. Vai estar bem nos primeiros dias, pode acusar algum cansaço no fim, tal como no ano passado. No entanto, gosta do frio e sabemos que ainda não estamos em período de calor.

Daniel Martinez — Tem feito um bom arranque de temporada, como uma passagem interessante por terras portuguesas, já fez segundo no Paris-Nice em 2022 e seguindo a lógica do nosso moderador que para já se vem provando verídica, está em ano sim.

Aleksandr Vlasov — É mais um da Red Bull que está a andar bem, na Valenciana até sprintou e na Andaluzia apesar de não ter sido tão vistoso ainda fez top-10 na geral. Já foi 2.º em 2021 é um candidato a top 5.

Biniam Girmay — A mudança para a NSN está a correr bem, Girmay tem um belo comboio à sua disposição e dada a falta de sprinters é na minha opinião o ciclista mais rápido. Tem tudo para vencer a segunda etapa e quem sabe a primeira.

Ivan Romeo — Motivado por Cat Ferguson (gossip falso plano), o jovem talento espanhol vem de ganhar a Andaluzia, é um perigo nas fugas e também sobe muito bem.

Axel Zingle — Teve um bom arranque de época ao lançar Laporte na Andaluzia e ajudando Brennan a ganhar a Kuurne, vai ter aqui a sua oportunidade e tem pelo menos 2 etapas que pode vencer.

Apostas falso plano

André Dias — Remi Cavagna. Do fim ao ínicio.

Henrique Augusto — O segundo melhor Pescador do pelotão vai levar a melhor.

Miguel Branco — Juan Ayuso. Pela boca morre o peixe.

Miguel Pratas — Ivan de Alfa Romeo.

Nuno Silva — Ai Ai Ai(y)uso.

Rogério Almeida — Girmay vai ser o melhor sprinter.

Vítor Ferreira — O João Almeida é que não é.