Cycling Fantasy — AlUla Tour
Estradas de alcatrão no meio do deserto? É tipo a Fonte da Telha na Arábia.
Há tradições do início do ano que custam, mas que são para cumprir. Cantar as janeiras. Inscrever no ginásio. Comer bolo-rei, mesmo que achemos aquilo uma massa seca cheia de fruta sem prazo de validade.
No ciclismo, a tradição dos voltistas é também este "regresso ao ginásio" nas Arábias, para o que já é conhecida (por mim) como a Santíssima Trindade do Secador: as voltas na Arábia Saudita, Emirados e Omã. A primeira de todas é este AlUla Tour, prova simpática do calendário 2.Pro com umas retas e uma subida enorme.
Em 2025, foi aqui que a Uno-X meteu três ciclistas no Top-5 antes de uma época muito forte. Foi aqui que Jordan Jegat fez 10.º na GC antes de fazer 10.º no Tour (coincidência? Não me parece). Foi aqui que Alan Hatherly fez dois pódios antes de ser procurado pela Interpol o resto da época.
Mas, mais importante, foi aqui que Tom Pidcock venceu a GC antes de fazer um pódio na Vuelta. E, como é óbvio, dar-nos A MINHA FOTO FAVORITA de toda a temporada: (ver abaixo).
Mesmo que não acordem cedo para ver o pelotão a torrar ao sol numa estrada de alcatrão rodeada de areia – juro, às vezes parece a Fonte da Telha – uma coisa têm de cumprir: a equipa para a vossa fantasy.

Análise ao percurso
Etapa 1 — A edição de 2026 começa onde acabou a anterior, às voltas numa pista de corridas de camelos. O ano passado, deu sprint ganho pela lenda Moschetti. Não espero um final diferente.

Etapa 2 — Mais uma etapa, mais um cromo repetido de 2025. Agora é circuito na estação de comboios. Sprintalhada garantida.

Etapa 3 — A primeira subida da prova chega no terceiro dia. Quase 5 km a 6% de inclinação, com o final em Bir Jaydah a chegar aos 9.4%. Aposta para um ou dois montanhistas, que a Geral começa a desenhar-se aqui.
(O ano passado encurtaram esta etapa por más condições de estrada na descida. Esperemos que um ano tenha dado para meter alcatrão.)

Etapa 4 — A única etapa diferente de 2025... vem de 2023. Um bom treino para os comboios de sprint no pelotão, com uma reta final de quase 5 km. Sabem quem ganhou da última vez que passaram aqui? Jonathan Milan. Parece poesia.

Etapa 5 — Dia de unipuerto. Não esperem grandes surpresas, isto é puro teste de pernas. No topo de Harrat Uwayrid, depois de 3 km a 12% de pendente (só para os fortes), decide-se quem tira a foto celebratória com os camelos.

Shortlist falso plano
1200:
- Jonathan Milan — O grande favorito a todas as etapas de sprint. Tão obrigatório como usar protetor solar em Shalal Sijlyat.
600:
- Jan Christen — Vem para ganhar. Subidas curtas e inclinadas, concorrência média e não tem de puxar para ninguém? É a paixão de Christen.
- Phil Bauhaus — Numa terra com tanta poeira, vai comer muita do Milan. Sprinter fiável para uns pódios, numa prova onde o orçamento não é problema.
400:
- Paul Double — O vencedor do Tour of Guangxi é obrigatório nesta lista. Agora levar na equipa? A este preço, já tive ideias piores.
- Pascal Ackermann — Sprinter da Jayco AlUla, a equipa da casa. E sabemos que, na AlUla, o polvo é quem mais ordena.
- Milan Fretin — Sinónimo de pontos fiáveis nas chegadas ao molho. Levo sem fazer frete.
- Matteo Malucelli — O sprinter da Astana teve 8 vitórias e 15 pódios em 2025. Não vos digo onde foram, que apontar é feio.
- Alberto Bettiol — A amante secreta de Henrique Augusto tem sempre uma fase da época em que é máquina. Só nunca sabemos quando.
- Fernando Gaviria — Acabado de chegar à Caja Rural, o espanhol desce do World Tour (Movistar) para recuperar a magia de outros tempos.
- Eddie Dunbar — O reforço dos Pinarellos para atacar as montanhas. Fez aqui o melhor resultado da época anterior: um 4.º lugar na subida mais fácil. Tudo dito.
200:
- Afonso Eulálio — Numa Bahrain em modo treino, tem aqui uma boa hipótese para mostrar como sobe bem e fazer uns bons resultados.
- Rainer Kepplinger — Vem à procura da desforra. Em 2025, teria sido 2.º à Geral (fez dois pódios) se não fossem os abanicos na última etapa. Fica a dica.
- Alan Hatherly — O ano passado sacou dois pódios de etapa e um 6.º na Geral. Se acham que, na Arábia, uma bomba cai duas vezes no mesmo sítio...
- Matteo Moschetti — Venceu aqui ao sprint em 2025. Pontos garantidos, mas não sei dizer quantos. Devo pagar para ver.
- Henok Mulubrhan — Quem ganha em Qinghai é capaz de tudo.
- Joris Delbove — Vencedor do Tour of Langkawi, prova conhecida por este tipo de subidas. Quando a estrada inclinar, até Joris.
- Byron Munton — Há quanto tempo não ouviam que ele ganhou a Senhora da Graça?
- Gianmarco Garofoli — Deixa-te de fugas e sobe isso como tu sabes, moço.
Jakob Omrzel — Um talento tremendo, vencedor do Baby Giro em 2025. Aposta para agora ou para 2027?- Liam O'Brien — Ainda não é desta, mas os vossos filhos vão adorá-lo.
- Davide Stella — Menção ao jovem sprinter da UAE (19 anos) que já venceu em Grândola.
- Dillon Corkery — Lançado pelo Jakobsen? Vai ser um mimo.
- Frits Biesterbos — A nova obsessão falso plano. Vice-campeão mundial de gravel. E a escolha de, pelo menos, uma equipa na nossa Directeur Sportif (já conheces?).
Código da liga falso plano: FALSOPLANO
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