Cycling Fantasy — CRO Race

CRO Race ou "porque é que o Magnier vem aqui limpar cinco etapas".

Cycling Fantasy — CRO Race

Análise ao percurso

Todos os olhos estão postos no Canadá. Mas aqui pela Europa há quem continue a dar ao pedal. Já tão tipicamente associada ao fecho de contas no final da temporada, a CRO Race é uma corrida UCI Pro Series que vai colocar em 2026 a sua 11.ª edição na estrada. O percurso é em tudo semelhante ao do ano passado: muitas oportunidades para os sprinters e uma etapa de classificação geral (etapa 3, com chegada a Labin). Há aqui um asterisco, no entanto. A etapa 4, entre Pula e Rijeka, tem a mais dura e mais exigente subida destes seis dias de competição; acontece que Učka (10kms a quase 8%) está a mais de 60kms da meta e o seu potencial para fazer grandes diferenças na geral atenua-se bastante.

A etapa rainha, marcada pela duríssima e explosiva ascensão de Skitača.

Tendo em conta o percurso e a predominância de chegadas planas, diria que a composição da equipa ideal deve andar mais ou menos por sete homens rápidos e dois de geral. No limite, 6 para 3.

Shortlist falso plano

1000:

  • Paul Magnier — Venceu quatro etapas o ano passado e terá ficado chateado de não ter conseguido a quinta, na última paragem, em Zagreb. Este ano, o objectivo deve ser semelhante: ganhar tudo o que pode. Será seguramente o corredor mais pontuado.

800:

  • Antonio Tiberi — A temporada está longe de poder ser considerada positiva. Mais uma razão para querer ganhar esta corrida. A isto acrescente-se: não andou mal nas primeiras clássicas italianas de Outono e a concorrência não é propriamente feroz.

600:

  • Juan Sebastián Molano — Não gosto nada de levar corredores que estão de saída da equipa. Mas estou a tentar agarrar-me à ideia de que Molano sai a bem da UAE, que sempre foi um corredor querido na equipa, que faz sentido sair para ter mais liberdade, que a Lotto não é uma rival da UAE, isso tudo. Se acreditarem em vocês vão ver que tudo dá certo — como, de resto, Pedro Chagas Freitas (o Molano da escrita) nos avisa há mais de duas décadas.
  • Tim Wellens — Está em bela forma e tem uma personalidade admirável: ir ao Canadá trabalhar para Remco Evenepoel? Vão vocês. Eu cá vou à Croácia limpar o Tiberi. É possível que seja uma tarefa árdua, mas Wellens não é só um homem experiente e capaz, é um homem que consegue inventar situações de corrida que favorecem as suas características. Cautela.
  • Ilan Van Wilder — O Tour estava a ser de nível bastante interessante, até se ver obrigado a abandonar à etapa 20. Depois disso, ainda não regressou ao seu melhor. Esta é uma bela oportunidade. Só é pena que não exista contrarrelógio nestes seis dias.

400:

  • Edoardo Zambanini — O ano passado chegou aqui com Omrzel e Caruso na equipa e foi segundo na geral. Este ano vem com Tiberi e com um Žak Eržen com mais estatuto e forma. Ainda não sei bem o que lhe fazer, Zambanini é perito a agarrar oportunidades e ainda pode sprintar nos dias em que o jovem esloveno ficar pelo caminho.
  • Tim Torn Teutenberg — Mais um corredor que vai sair da equipa e que eu vou ter de encaixar na equipa. É possível que se sigam mil anos de azares e desamores. Por isso, se estás a ler isto, por favor, envia esta mensagem para, pelo menos, 15 dos teus contactos e garante que Tim Torn Teutenberg e o autor deste artigo terão sucesso nas suas carreiras.
  • Danny van Poppel — É sempre assim com Danny van Poppel: nunca parecemos conseguir dizer que vai ser para ele, que vai ser o neerlandês a liderar, a ser protegido, etc etc etc. É sempre um desatino. Neste caso, além da presença de Davide Donati na equipa, há a desconfiança de — após um ZLM Tour de bom nível — três clássicas belgas onde não esteve bem, não terminando duas delas.
  • Erlend Blikra — Sprinter com velocidade e com ampla dificuldade em aguentar sequer uma ladeira a 1,5%. Façam o que vos manda o coração.

200:

  • Žak Eržen — O ano passado agarrou aqui dois top-10, algo bastante importante para a sua afirmação dentro da Bahrain. Chega aqui num momento interessante e parece ser daqueles que está no sítio certo para explodir. Vamos ver se começa aqui.
  • Davide Donati — Bem mais do que um sprinter, Davide Donati não deixa de o ser. É jovem, tem carradas de talento e terá, com toda a certeza, uma carreira bem-sucedida. Aqui na CRO Race terá de dividir holofotes com Danny van Poppel, o que, tendo em conta a sua idade, já diz bastante do seu valor.
  • Oded Kogut — Na chegada à capital Zagreb, na última etapa de 2025, Kogut estragou a festa de Magnier, que assim "só" venceu quatro etapas. Foi um dia chuvoso, difícil e intenso. Na perspectiva de Kogut, que venham de lá essas nuvens.
  • Adrien Boichis — Se Boichis está na lista de partida, Boichis vem parar ao artigo. O campeão mundial de XCC em Val di Sole é garantia de espectáculo em tudo o que existe e tenha duas rodas. Mais: a única vitória por etapas que tem na carreira foi na Istrian Spring Tour, na Croácia, em 2025.
  • Joel Nicolau — O ano passado foi quarto na etapa rainha e na geral desta CRO Race. O arranque de temporada foi melhor do que o momento que vive agora, mas não deixa de se afigurar como um candidato ao top-10.
  • Dušan Rajović — Já o disse e repito: alguma equipa World Tour se devia mexer para garantir o sprinter sérvio. O contrato com a Nippo acaba agora e as pernas de Rajović são pontos e vitórias.
  • Nicolò Buratti — Uma queda grave no Tour de Hainan, em Abril — onde será escusado dizer quem o tinha na equipa fantasy — obrigou Buratti a estar afastado durante vários meses. A verdade é que chegava ali com confiança, após um arranque de temporada de belo nível na Andaluzia. Entretanto, as coisas estão difíceis e as desistências sucedem-se. Esta é a corrida em que o italiano quer voltar a sentir-se bem e sublinhar que pertence ao World Tour.
  • Radosław Frątczak — Chega aqui com duas vitórias na Volta a Roménia. E o ano passado foi quinto na chegada a Zagreb.

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