Cycling Fantasy — Tour de Luxembourg
Cinco dias no Luxemburgo? E há estrada para isso tudo?
Eu não sabia que havia tanto espaço no Luxemburgo para uma prova de cinco dias com etapas longas, mas aqui estamos. Desconfio que eles tenham inventado estrada ou invadido a Alsácia-Lorena só para justificar a corrida.
Esta edição do Tour de Luxembourg calha ali na mouche do calendário para que ninguém queira cá aparecer: começa no mesmo dia do Tour de Wallonie, portanto os puncheurs de topo escolheram subir o paredão de Namur. (Todos menos um.) Acaba no dia do campeonato do mundo de contrarrelógio, portanto muitos convocados para seleções ficam de fora. Esta pontaria de agenda pode baixar a qualidade da startlist, é certo, mas também abre as portas a uma corrida mais aberta. Na luta pelo segundo lugar.
Sem muitos sprinters em prova (e sem sprints claros para acompanhar), com muito sobe-e-desce nos quilómetros finais e um contrarrelógio que engana pelo meio, vai ser uma prova com muita emoção. Pelo segundo lugar.
Análise ao percurso:
Etapa 1 — Esta parece a etapa mais simpática e, logo aí, está tudo dito. Mesmo com o Côte de Stafelter para puxar no fim, esta pode ser a etapa mais simpática para os poucos sprinters-punch em prova. Os que aguentem uma reta final a 8.8% de inclinação, pelo menos.

Etapa 2 — Welcome to the Junglinster. As primeiras contas da Geral fazem-se aqui, em chegada de grupo reduzido.

Etapa 3 — Não há um minuto de descanso. É sempre a bombear. Os 20 quilómetros finais são particularmente penosos, mas vão levar a muitos ataques. De longe, de perto, de lado, à socapa, sem mãos no guiador. Vai valer tudo.

Etapa 4 (TT) — Não se deixem enganar pelo aspeto plano. Olhem ali para o Berg de 870 metros com médias a 10.1%. Sendo um contrarelógio de esforço médio – perto de 20 km – a subida vai fazer estragos. A única esperança do pelotão é que van der Poel se engane aqui no caminho e meta na autoestrada até Marselha.

Etapa 5 — Para acabar, há circuito de três voltas com um amigo Pabeierbierg (830m a 8.3%), só para fechar as contas para o Mathieu.

Shortlist falso plano
1000:
- Mathieu van der Poel — A minha única dúvida é se o contrarrelógio é demasiado para ele ou se faz 5 vitórias em 5 etapas.
600:
- Davide Piganzoli* — Aposto que o Davide desejaria ter mais montanha na prova. Este ano, é uma incógnita em provas com este perfil mais punchy. Mas numa Visma sem melhores opções e numa corrida onde o budget dá para tudo, porque não?
400:
- Jasper Stuyven — Um brilharete no Giro, mais modesto no Tour, pódio no Reino Unido... Este Jasper não vai ser um disaster.
- Igor Arrieta* — Há dois tipos de Arrieta: o que brilha e faz "melhor equipa" ou o que acaba a ser procurado pela Interpol. Sem ter de trabalhar para outros, acredito mais no primeiro.
- Marijn van den Berg — Numa prova com tantos Berg na estrada, queriam que o deixasse de fora? Fez parte da "melhor equipa" em 2025.
- Andrea Raccagni Noviero* — Podia ser o US Open de ténis. Se Raccagni Noviero está em prova, eu levo. Não tenho resposta concreta, só vibes.
- Andrea Bagioli — Se fosse um campeonato de farmar aura, estava ganho. Como é uma prova de ciclismo de cinco dias, vai ter de se contentar com um top-5.
200:
- Mathieu Kockelmann* — Se houver algum sprint de pelotão, vai para o homem da casa. A única questão é: vai acontecer?
- Pedro Silva — POR-TU-GAL! Dizem que o Luxemburgo é um Portugal 2.0. Este ano, a Feira dos Sofás - Boavista levou isso a sério e veio a esta prova do circuito .Pro, uma conquista merecida na boa época que tem feito. Destaco Pedro Silva, pódio na Grandíssima...
- Oscar Rota* — ... e a escolha fora da caixa. Rota andou vários dias de camisola da montanha por amealhar pontos nas fugas. Numa prova com este perfil, há uma boa hipótese de pensar no mesmo (espero que sim). Já sabem como se diz: a Rota que é...
- Adrià Pericas* — Na Volta a Portugal, venceu a camisola da Juventude
e foi um entrevistado aborrecido como tudo. No Luxemburgo, em princípio, não será nenhuma das duas. - Julius Johansen — Mostra-lhes que devias ter ido ao Campeonato do Mundo de TT, moço. Desde que descobri que ele tem um caniche, levo sempre.
- Per Strand Hagenes* — Com base unicamente nos resultados que teve em maio, eu acho que vai voar aqui.
- Senna Remijn* — A próxima grande senna. O MvdP vai à frente para abrir caminho, ele vem logo atrás.
- Emiel Verstrynge* — Já a pensar na época de CX 26-27.
- Pierre Gautherat* — A minha escolha Decathlon para a prova. Tinha de pôr algum, senão nunca mais posso ir comprar meias.
- Lukas Nerurkar* — Um Top-10 na Coppa Sabatini. É isto. Estamos a trabalhar com pouco aqui, malta.
- Bauke Mollema — Um Bagioli do Lidl. Literalmente.
- Tao Geoghegan Hart — Já nem serve para ferramenta da Parkside.
- Nicolas Breuillard — Que vazio de startlist. Até me obrigam a isto.
- Jermaine Zemke* — A minha pick escondida. Juro que vou arranjar forma de o pôr na equipa. Se for um flop, ao menos fui de cabeça.
*Conta para a classificação da Juventude.
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