Cycling Fantasy — Tour of Hainan

Escolher favoritos aqui? Hainan que nan dói.

Cycling Fantasy — Tour of Hainan
Cycling Fantasy

Quem acompanha falso plano à séria como se fosse uma novela de horário nobre sabe bem que eu só tenho três paixões na vida: o Vitória de Setúbal, enganar-me a olhar para a câmara no podcast enquanto também me engano em antigos vencedores de Grandes Voltas... e todas as provas do calendário chinês.

Sim, Roubaix foi fantástico. Ok, o Giro d'Italia 2025 foi muito entusiasmante. Ya, a Milano - San Remo é uma lotaria entusiasmante. Mas alguma vez se compara à emoção de ver uma Geral decidida nas bonificações às 5 da manhã entre dois ciclistas que nem sabem bem como se apanharam sozinhos na frente de um pelotão perante os aplausos pouco entusiasmados de 40 turistas na ilha de Hainan? Estão loucos? ISTO É CICLISMO.

Esta é daquelas provas em que o falso plano tem mais seguidores no Instagram que a corrida. (Está na hora de mudarmos isso, não acham?)

Tour of Hainan merece todo o nosso carinho. Até porque se não formos nós a dar, não vão ser certamente os repositores de buffet da ilha que o farão.

Não encontrei nenhuma foto no site da corrida. Então tirei uma foto da secção de fotos do site da corrida.

Análise ao percurso:
Esta tem tudo o que esperam de uma corrida na China, mas parece que em versão suave. Há sprintalhada da boa. Um paredão aleatório a fechar uma etapa de seca para os amantes do plano. Uma montanha lixada a abrir etapa e depois sempre a descer. Ingredientes perfeitos para papar umas chegadas ao pequeno-almoço.

Etapa 1 — Os organizadores disto parecem os meus pais em férias de família: primeiro dia desfaz-se as malas e dá-se uma voltinha ao pé do hotel.

Etapa 2 — E no segundo dia é logo para subir a ilha. As subidas em Yinggeling (8km a 5%) e Atuoling (6.6km a 6%) vão rebentar com o pelotão.
Com 92% de certeza, sairá daqui o pódio da Geral. Sim, à etapa 2. Façam equipa a contar com isso. E mais não digo, que eu tenho um top-700 para defender.

Etapa 3 — Uma fuga vai tentar. Uma fuga vai falhar. Fica tudo na mesma. Linghsui parece alto spot para férias, tem teleféricos e um parque de diversões.

Etapa 4 — A insónia tem tratamento e pode ser superada através de mais higiene do sono, horários fixos para deitar ou umas gominhas de valeriana. Em caso de persistência, ver esta etapa até ao último quilómetro. O que não tiver ficado da Geral à etapa 2 talvez se decida aqui com umas bonificações.

Etapa 5 — Aqui está a boa e velha etapa "à chinesa" que tanto amamos. Montanhão a abrir com a subida mais longa da prova, sempre a subir até aos 5o km. E depois é falso plano invertido até à meta. Não se deixem enganar: dá sempre sprint compacto (e ganho por Aaron Gate nos últimos dois anos). Aqui vai ser igual. Adeus e até para o ano.

Shortlist falso plano

1200:

  • O espectador. — Não há nada mais valioso que alguém que assista a esta prova.

1000:

  • Não há aqui ninguém.

800:

  • Ainda não.

600:

  • Desce mais um bocado.

400:

  • Matteo Malucelli — O mais pontuado em 2025, pódio em todos os sprints, candidato a levar mais um para casa. Este ano, já venceu uma etapa na Arábia contra Jonathan Milan. Aqui a concorrência é mais forte, mas é capaz de se sair bem.
  • Guillermo Thomas Silva — Os loucos que acompanham a Volta ao Lago Qinghai sabem o que esperar aqui: um todo-o-terreno que diz, como José Malhoa, "eu vou a todas". Se a equipa o deixa brilhar, ele é diamante.
  • Enrico Zanoncello — Mais um sprinter que ganha bónus a correr na Ásia. A forma não está no ponto, mas isso aqui não interessa muito.

200:

  • Alexander Salby — A China é mais de imperadores, mas o rei é o Salby. As nossas fontes dizem que ele arranjou uma namorada nova e anda a curti-las. Falso plano diz que é fazer na equipa o que o Salby faz com a moça.
  • Steffen De Schuyteneer — Um dos maiores candidatos a picar o ponto em 4 de 5 etapas. Está um perigo.
  • Vadim Pronsky — Entrada de última hora, à procura da 2.ª GC do ano. A prova? A Taça da Princesa Maha Chakri Sirindhorn, na Tailândia. Óbvio.
  • Iúri Leitão — HERÓIS DO MAR NOBRE POVO
  • Dušan Rajović — É para levar, estou a falar a sérvio.
  • Nicolas Vinokurov — Está a andar bem e tem uma boa equipa para o apoiar. Sem Henok à partida, pode ser a aposta da Astana para GC. O Valadas diz que é ele que ganha. Eu levo para ver.
  • Eduardo Sepulveda — A Li Ning Star é a melhor equipa chinesa do pelotão. Esta época, foi buscar o geriátrico Sepulveda à Lotto para sacar a vitória da prova à Astana. O pior é que ainda resulta.
  • Cristian Raileanu — Em 2025, o reino de Hainan quase foi dele. Este ano é mais hakuna matata.
  • Sebastian Berwick — GC da Caja Rural, vai ser ótimo para as subidas. Também sabe descer?
  • Alessandro Fancellu — Escolha de GC mais fora da caixa, mas não descabida.
  • Paul Hennequin — Grande exibição no Tour of Taiwan. Se a cena dele for "ilhas chinesas que deviam ser independentes", então é para levar.
  • Cristian Pita — Sprinter fiável. Não é corada.
  • Lorenzo Quartucci — Aposta da Burgos. Aquela etapa 4 vai estar-lhe na mira.
  • Baptiste Veistroffer — "Eu perdi a montanha em Jerez / E os pontos na Omã".
  • Jesper Rasch — O meu hot take para a melhor equipa da prova. Vai coçar o pódio nas etapas 1, 3 e 5.
  • Eduard-Michael Grosu — Uma pick de dar a volta ao pescoço.
  • Jambalyamts Sainbayar — O primeiro a passar no Kwaremont, o primeiro no meu coração.
  • Matteo Scalco — Hainan não tem camisola da Juventude, senão era com este. O Scalco dá-se bem quando há socalcos maiores.
  • Cameron Scott — Pontos de lançador-sprinter do Salby não se deitam fora.
  • Yangshuo Liu — Campeão de juniores chinês. Ainda vamos ouvir falar pouco dele.

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