Cycling Fantasy — Tre Valli Varesine

Não falei contigo com medo que Os montes e os Três Vales Varesini que me achas Caíssem a teus pés

Cycling Fantasy — Tre Valli Varesine

Análise ao percurso: Eu sei, vocês não querem, eu não quero, ninguém quer. O final está próximo e estes meses de Novembro a Janeiro só se superam porque temos pista e ciclocrosse. Bem-ditos sejam. Mas já diz o povo e o Gustavo Santos: não chores porque acabou, sorri porque aconteceu. 2026 foi uma temporada incrível. E a Tre Valli Varesini é, por norma, um dos seus epicentros de saída, uma abaladiça fresquinha e saborosa.

A última prova do Trittico Lombardo traz-nos o percurso mais interessante e a startlist mais recheada — a Volta a Lombardia está ao virar da esquina. A edição número 105 de uma história corrida organizado pela Società Ciclistica Alfredo Binda desde 1929 (dez anos depois da primeira vez que a Tre Valli foi para a estrada e tornando-a profissional), associação criada após o primeiro título mundial do lendário ciclista italiano, em 1927, na Alemanha.

O percurso faz-se sobretudo em circuito, após uma zona plana de início de cerimónia. São 196kms entre Busto Arsizio e Varese, com oito passagens na meta antes da final, de um traçado que se faz em dois circuitos, um primeiro mais curto (cerca de 16kms e feito por seis vezes) e um segundo mais longo, a coincidir com o final (duas voltas de 30kms).

Quer num caso, quer noutro, é a subida de Montelo a marcar esta corrida: dois quilómetros a 5%. Ou seja, mais do que a dureza, é a repetição, a acumulação do cansaço e um percurso que quase não tem plano, ou se sobe, ou se desce. Nas duas últimas voltas há uma diferença, é que além da subida de Montelo temos a ascensão a Barasso (900m a 8%) precedida de Oltrona al Lago - Cinque Piante, que são no fundo 300m a 10% que marcam o início dessa subida de Barasso. Segurem-se bem, o espectáculo está garantido.

Aviso à navegação: como já devem ter reparado, as startlists nesta corridas em dias consecutivos e em solo italiano são muito sobrevalorizadas. Por isso, já sabem, é muito possível que os nomes que vou colocar abaixo não partam, outros se juntem, e que no final de tudo, tenhamos uma bela salganhada e salada de frutas. Se isso torna fazer esta equipa um inferno ainda maior do que já seria devido à qualidade da lista de partida? Sim.

Enfim, metam suplente. E façam uma última revisão pelas 11h30.

Shortlist falso plano

1000:

  • Tom Pidcock — Um dia, quem sabe, Tom Pidcock vai acertar no momento do ataque. Quando? Não sabemos. Pelo caminho, ser segundo dá muitos pontos.

800:

  • Santiago Buitrago — É a carinha dele. Sem tirar nem pôr. As dúvidas do momento de forma permanecem, no entanto.
  • Antonio Tiberi — Está a andar bem. Por outro lado, andar bem significa que não foi capaz de bater Tobias Svarre na CRO Race. O que também não tem de ser um motivo de exclusão.
  • Ben Healy — Ele tentar, tenta. E a forma no Canadá e em Bolonha estava lá. Mas a forma nem sempre ganha corridas.
  • Matteo Jorgenson — Não sei se não era o mais forte no Giro dell'Emilia. O trio da Visma volta ao ataque e Matteo já deve estar farto de ver os outros ganhar.
  • Christian Scaroni — Desta vez a ver se corre para ganhar e não para ser terceiro.
  • Roman Grégoire — Desta vez não são 2kms a 10%. Eis uma circunstância que é capaz de dar jeito ao francês.
  • Tobias Halland Johannessen — Este foi daqueles que vim escrever depois porque nem tinha reparado que estava na startlist. Olhem-me o abuso destas opções de 800. Que insanidade.

600:

  • Jhonatan Narváez — Terá ficado irritado com a falta de companhia para a obtenção de um resultado diferente ontem na Coppa Bernocchi. E as pernas, como dá para perceber, já não são as do Giro.
  • Mathys Rondel — Talvez precisasse de mais dureza, mas as pernas que demonstrou em Ljubljana obrigam-no a constar desta lista.
  • Quinn Simmons — Estará mais do motivado do que nunca após os resultados eleitorais no Brasil.
  • Mauro Schmid — Parece impossível, mas após 10 meses continua a ser um corredor que dá garantias. Impressionante temporada do helvético.
  • Davide Piganzoli — É um rijo do caraças. A forma como ele ganhou em Bolonha está ao alcance apenas dos maiores sofredores, daqueles que acreditam quando já todos o enterraram. Vão deixar de fora?
  • Ben Tulett — Mais uma abelha carregadinha de mel. E com o extra de ter aquela ponta final malandrinha.
  • Tim Wellens — Minha nossa. É mesmo muita gente de enorme qualidade. Talvez Wellens não seja a opção mais sedutora, mas lá que é capaz de sacar coelhos da cartola, lá isso é.

400:

  • Benoît Cosnefroy — Gostava mais quando era 200, mas continua a ser apetecível.
  • Ramses Debruyne — A consistência é tremenda. É outro caso de homem que perdeu espaço no meu coração assim que subiu de preço.
  • Paul Lapeira — Se o peixe graúdo acelerar a sério, não sei se o senhor Lapeira tem andamento para isto. A verdade é que fez tudo bem: ganhou a Coppa Agostoni e descansou na Bernocchi para ver o seu colega Isidore vencer.
  • Roger Adrià — Gosto sempre de pensar no Adrià para finais como este. Não sei se com tanta gente terei lugar para ele, no entanto.
  • Diego Ulissi — 18 anos consecutivos a vencer pelo menos uma corrida e vai estragar agora?

200:

  • Ludovico Crescioli — Isto não é o Europeu e ele pode, finalmente, encontrar a liberdade que merece.
  • Mikkel Honoré — Quem treina com Pogačar arrisca-se a ganhar.
  • Simone Gualdi — É italiano e adora estas clássicas acidentadas. Mostrou pernas no Giro dell'Emilia.
  • Jarno Widar — Este já não mostrou tantas pernas, mas continua a ser o Widar.
  • Lorenzo Finn — Até prefiro que não ganhe para continuar a 200.
  • Henrique Bravo — Bravo, bravíssimo, o nosso Bravinho vem à piscina dos grandes. Tal como Simmons, ainda que espero que por motivos diferentes: estará mais do motivado do que nunca após os resultados eleitorais no Brasil.
  • Filippo Zana — Levei o Pippo na Emilia e flopou. Já sabem o que fazer.

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