Antevisão — Eschborn-Frankfurt

Se na Amstel o prémio é uma cerveja aqui devia ser uma salsicha.

Antevisão — Eschborn-Frankfurt

Introdução

Uma corrida que já vai para a sua 63ª edição, mas da qual facilmente nos esquecemos do seu estatuto World Tour por não ter um grande impacto. Ainda assim tem um percurso onde espetáculo não faltará.
De 2014 a 2022 foi uma corrida que apesar de ter as suas dificuldades foi ganha por sprinters e alguns até bem puros como disso são prova os as vitórias de Sam Bennett ou Pascal Ackermann.

No entanto a organização percebeu que esta corrida se estava a tornar demasiado previsível e de certa forma aborrecida até aos últimos quilómetros. A solução para estes problemas? Introduzir mais montanhas e relativamente mais perto da meta.
Uma decisão que, embora certamente não tenha agradado muito aos homens rápidos, contribuiu para o aumento do espetáculo da corrida. As últimas três edições foram ganhas em sprint, sim, mas em grupos reduzidos.num grupo reduzido. Mas não sem que antes tenham existido alguns ataques tardios como na edição de 2023, que resultou numa vitória de Soren Kragh Andersen saído de um grupo de atacantes.

Michael "Bling" Matthews foi o vencedor da edição do ano passado. (Foto: Cor Vos)

O percurso

A edição deste ano fica tornou-se mais complicada para os sprinters. Após o Feldberg (7,7 km a 6%), vamos ter o Burgweg (0,5 km a 9%) e dupla passagem pelo Mammolshain (2,2 km a 7,7%) seguido de cerca de 35 quilómetros planos para a meta. Um percurso bastante seletivo que convida aos ataques.

Eschborn - Frankfurt am Main (211.4 km)

O que esperar

Uma corrida semelhante às das edições a partir de 2023. As equipas com ciclistas de perfil mais punch vão trabalhar nas montanhas para deixar para trás os velocistas mais puros aqui presentes e diminuir a dimensão do pelotão. Chegado ao Mammolshain acredito que, por ser uma dupla passagem, existam muitos ataques e se forme uma fuga com os melhores trepadores aqui presentes. Tudo vai depender depois dos 35 quilómetros seguintes da colaboração desse grupo, pois atrás as equipas com os ciclistas rápidos e que não sobem mal vão trabalhar a fim de levar a prova a terminar num sprint em grupo reduzido.

Favoritos

Tobias Lund Andresen — Se retirarmos Paul Seixas da equação, Tobias Lund tem sido a cara da Decathlon esta temporada, após uma excelente prestação nas clássicas, onde subiu como nunca e provou que se adapta bem ao empedrado. Começa agora uma nova fase da temporada e tem tudo para obter mais uma vitória a menos de uma semana do Giro.

Tom Pidcock — Em condições normais seria o principal favorito, mas apesar de ter ganho uma etapa nos Alpes, acusou a sua lesão na Liège (embora tenha sido também vítima de um furo). Ainda não parece estar a 100%, ainda assim é um nome a figurar entre os melhores e não pode ser descurado.

A não perder de vista

Magnus Cort — É um 8 ou 80, ora faz uma grande prestação, ora nem o vês. Ano passado fez 2.º lugar aqui e apesar da corrida ter ficado mais dura este ano, adapta-se perfeitamente… se lhe apetecer.

Laurence Pithie — É mais um ciclista que anda bem nas clássicas. E não podemos esquecer que, num sprint seletivo, Pithie tem uma boa ponta final.

Anders Foldager — O vencedor surpresa da Brbantse Pijl, corre na equipa do vencedor do ano passado, Michael Matthews. Com a ausência de Matthews e, apesar da presença de dois ciclistas da casa em Ackermann e Engelhardt, parece-me ser no dinamarquês que as chances de nova vitória da Jayco residem. Não só pela sua forma como por se adaptar bem a este tipo de percurso.

Tibor Del Grosso — É tido por alguns como o sucessor de Mathieu Van der Poel, mas apesar de já ter conseguido alguns bons resultados ainda não conseguiu corresponder ao hype. Ele mesmo já se tentou distanciar destas comparações, mas tem mais que qualidade suficiente para brilhar nesta prova.

Axel Laurance — Tem feito uma temporada algo irregular, alterna momentos de brilhantismo com total anonimado. Já venceu e adapta-se bem a este tipo de percurso. Caso tenha acordado do lado certo da cama.

Ben Tulett — Umas boas Ardenas para este jovem britânico, tem a explosão necessária para se distanciar nas subidas finais e também não sprinta mal num grupo reduzido.

Tim Wellens — Uma queda estragou-lhe a temporada de clássicas, onde apesar de ter corrido ainda não estava na sua melhor forma. Já passaram mais uns dias desse momento e caso Wellens esteja melhor é um forte candidato á vitória.

Paul Lapeira — Se por algum motivo Tobias Lund não aguentar as dificuldades a Decathlon tem Lapeira. Um excelente plano B, pois não só sobe bem este tipo de colinas como tem uma boa ponta final em grupos seletivos e um instinto ofensivo.

Ion Izagirre — A sua temporada de despedida. E que temporada, caiu na Liége, mas mesmo assim terminou no grupo de Remco. Não tem nada a perder pelo que podemos esperar um Ion bem ofensivo.

Corbin Strong — Sempre um nome strong neste tipo de perfil.

Apostas falso plano

André Dias — Não sei. Acho indecente que numa corrida com nome de salsicha, a Decathlon não traga o Noa Isidore.

Henrique Augusto — Bigodes ao poder. Magnus (não) Cort (o bigode) Nelson

O Primož do Roglič — SalsPIDcha

Miguel Branco —Danny Van Poppel. Ou então leva amarelo.

Miguel Pratas — Mais uma clássica WT para o Tobias.

Nuno Gomes Tibor "MvdP" del Grosso.

Nuno Silva — Tobias Lund aquece os motores para o Giro com um triunfo.

Rogério Almeida — Fast and Furious : Noah Hobbs & Shaw

Vítor Ferreira — Verstrynge para quem faz 4° em Liége, isto aqui Emiel.