Antevisão — Tour de Romandie
Só se crescerem dentes às galinhas é que Pogačar não acrescenta esta corrida para o seu palmarés.
Introdução
Uma corrida muito montanhosa e querida dos portugueses (embora não tanto como a Volta à Suiça). No ano passado tivemos uma vitória impressionante de João Almeida frente a Remco Evenepoel. Um triunfo que soube muito bem, particularmente àqueles fãs mais fanáticos que ainda não perdoaram ao belga os episódios que aconteceram quando o duro das Caldas e o ex-novo Merckx partilhavam equipa.
Este ano não está cá o João (mesmo que estivesse não tínhamos muita ilusão) mas o contigente português está representado por Ivo Oliveira, que até poderá fazer um bom resultado no prólogo inaugural antes de se colocar ao serviço de Tadej Pogačar.
Estamos já no final de Abril e o esloveno ainda não correu nenhuma corrida por etapas, estreia-se agora na Volta à Romandia, uma corrida que nunca fez e que certamente quererá acrescentar ao seu já ilustríssimo currículo de vitórias. Curiosamente quem também vai estar aqui presente é o ex-esquiador Primož Roglič. O compatriota de Pogačar detém duas classificações gerais desta corrida e está a uma de igualar o recordista Stephen Roche. No entanto com o seu conterrâneo aqui presente, Roglič terá provavelmente de esperar para o ano para igualar este recorde.

O percurso
Prólogo — Como costume abrimos a corrida com um prólogo. Este ano com 3,2 quilómetros, tem como principal novidade terminar numa subida de 1,1 km a 4,9%, com zonas a 7%. Favorece ciclistas com explosão em subida.

Etapa 1 —Uma etapa curiosa. Praticamente so há dois tipos de terreno, ou muito plano ou muito íngreme. A subida de Ovronnaz (8,9 km a 9,6%) termina a cerca de 34 quilómetros da meta e é a principal dificuldade do dia. Apesar da ainda longa distância para a meta, Tadej Pogačar vai sentenciar a corrida já aqui.


Etapa 2 — Bem diferente da etapa anterior, aqui a dificuldade não está nas pendentes das subidas, mas na sua frequência. Uma etapa quase sem metros planos, poderá não ser muito fácil de controlar para as equipas que tem puncheurs, pelo que uma fuga a triunfar ou até um ataque tardio não seria descabido. No entanto, para os homens mais rápidos esta é a única oportunidade nesta prova.

Etapa 3 — Partida e chegada a Orbe, tem algumas semelhanças com a primeira etapa em linha, embora a montanha dominante, Col du Mollendruz (9 km a 6,1%), seja bem menos dura. Acredito que a geral já esteja mais ou menos decidida por isso é um bom dia para a fuga. Mesmo assim alguns ciclistas que sintam que ainda podem progredir na geral podem tentar alguma coisa.

Etapa 4 — Penúltima etapa, mais montanhas longas. Desta vez com uma frequência superior e uma longa descida até um final em falso plano descendente. Tudo vai depender do humor de Pogačar, se quiser levar mais uma é sua, senão será novamente para uma fuga.

Etapa 5 — Por fim terminamos com uma chegada em alto a Leysin (14,3 km a 5,9%). O vencedor já sabemos quem é, mas ainda se podem fazer algumas diferenças para definir os lugares finais da geral.

O que esperar
Mais uma corrida para o currículo de Tadej Pogačar. É verdade que a concorrência aqui não é má, é a concorrência de uma prova de World Tour, com nomes consagrados como Roglič ou jovens talentosos como Florian Lipowtiz e Lenny Martinez, que até já conseguiram acompanhar os outros peixes graúdos do ciclismo. Mas falta aqui Vingegaard e Paul Seixas, embora mesmo esses, neste tipo de terreno, só com um azar de Pogačar o poderiam impedir de triunfar.
Podia estar aqui a inventar teorias, de que é a primeira corrida por etapas de Pogi, Pogi tem ainda o chip das clássicas, pode acusar falta de ritmo em corridas por etapas, mas não estaria a ser honesto para convosco, Pogačar vai limpar isto com a facilidade habitual de sempre.
Porém, para os restantes lugares do pódio a corrida vai ser bem disputada, temos um leque bastante grande de ciclistas que entre si podem almejar o segundo lugar e as diferenças entre eles serão reduzidas. Podemos contar com luta pelo pódio até ao final da última etapa.
Favoritos
Tadej Pogačar — Já se torna aborrecido dizermos o quão bom ele é. Só se crescerem dentes às galinhas é que o esloveno não acrescenta esta corrida para o seu palmarés.
A não perder de vista
Primož Roglič — Acho que se enganou porque apesar desta corrida ser na Suíça, não é a Volta à Suiça. E é a Volta à Suiça que lhe falta vencer para ser o ciclista que conseguiu ganhar todas as tradicionais corridas de 1 semana do 1º escalão do ciclismo. Ainda assim não apresentou má forma no País Basco, apesar do desaire no último dia, e parece estar em subida de forma.
Florian Lipowitz — O único a acompanhar Paul Seixas em algumas subidas no País Basco. É um ciclista estilo Almeida, poucas mudanças de ritmo, mas muito fiável (até mais que o João atualmente). Faltam-lhe vitórias, não será aqui que as vai conquistar, mas mais um pódio é uma forte possibilidade.
Lenny Martinez — Segundo o ano passado aqui. Já bateu Vingegaard esta época e ao contrário da Bahrain tem feito uma excelente temporada. Vai perder algum tempo no prólogo, mas nada de preocupante dadas as dificuldades dos dias a seguir.
Oscar Onley — Muito azarado, ainda não vimos o melhor Onley esta época. Encontra aqui uma prova onde pode confirmar que a performance no Tour do ano passado não foi obra do acaso.
Valentin Paret-Peintre — Quando pensamos que ele vai brilhar desilude, quando pensamos que flopa brilha. Ainda muito errático, se acordar no lado certo da cama até poderá estar perto do pódio.
Apostas falso plano
André Dias — Ivo Oliveira faz 4.º no prólogo (quem sabe na GC?).
Fábio Babau — Ele Pogačar que vai só para picar o ponto. Mas pronto.
Henrique Augusto — A minha aposta vai para o neerlandês da Visma, Steven Kruijswijk.
O Primož do Roglič — Um esloveno qualquer.
Miguel Branco — Flip Maciejuk ganha o prólogo.
Miguel Pratas — 5/7 Pogi.
Nuno Silva — Soderqvist pró prólogo.
Rogério Almeida — Pogačar. Já só falta Suíça e País Basco.
Vítor Ferreira — Nem sei em quem devo apostar. EnCrabbei completamente.