Antevisão — Giro d'Italia Women

Boas Wiebes para Lorena no início e Demi termina a dar uma Vollering de rosa.

Antevisão — Giro d'Italia Women
Giro d'Italia Women

Introdução

O ciclismo feminino tem tido um forte crescimento nos últimos anos, com cada vez mais provas a acontecerem inclusive ao ponto de hoje em dia já termos as três grandes voltas para as senhoras (embora com menor número de etapas).

No entanto, se há corrida que se marca pela consistência e ininterruptibilidade é o Giro, esta é a 37.ª edição desta corrida que se realiza desde 1993. Apesar da importância que tem o Tour, em termos de simbolismo, o Giro, dada a sua consistência, acaba por ser sempre uma prova de extrema importância e de um grande prestígio.

No ano passado tivemos uma vitória de Elisa Longo Borghini pela segunda vez consecutiva, curiosamente sem vencer nenhuma etapa, mas a ser mais regular que Marlen Reusser, que desfaleceu já na parte final da prova, e mais completa que Sara Gigante, que só é gigante a subir.

Curiosamente este ano ambas têm estado um pouco azaradas, Borghini falhou as Ardenas por doença e Reusser por queda, mas vão estar aqui presentes. Já Gigante esteve também com problemas físicos e era para cá estar, mas foi substituída à última hora por Mireia Benito.

Quem não esteve no ano passado vai estar este ano (e tem estado imparável) é Demi Vollering, por isso a concorrência que se cuide. Mas não será só Vollering: Anna Van der Breggen, Antonia Niedermaier, Marion Bunel, Isabella Holmgren, Niamh Fisher-Black entre outras já mencionadas vão estar presentes, um bloco de geral bem forte.

Já as sprinters vão estar cá todas: Lorena Wiebes, Charlotte Kool, Elisa Balsamo, Chiara Consonni, Lara Gillespie, Nienke Veenhoven, etc... e ganha Wiebes na mesma.

Pódio com Elisa Borghini (centro), Marlen Reusser (esquerda) e Sarah Gigante (a mais baixa). (foto: Cor Vos)

O percurso

Etapa 1 — Ao contrário de anos anteriores desta vez não temos o tradicional crono a abrir o Giro, temos antes uma etapa plana para Wiebes vencer. De resto esta é uma edição muito simpática para as velocistas.

Cesenatico-Ravenna (140 km)

Etapa 2 — Tal como nos homens o Muro Da' Del Poggio marca também presença mas desta vez muito longe da meta. As velocistas (Wiebes) agradecem.

Roncade H.Farm- Caorle (156km)

Etapa 3 — Em príncípio será mais uma etapa ao sprint para Wiebes, desta vez sem a presença das velocistas mais puras, pois a subida de Montenars (2.5km @ 7.1%) e Gemona del Friuli (700m @ 5,2%) deixa as ciclistas a 17 quilómetros da meta, o que abre até possiblidades a algumas atacantes.

Bibione - Buja (156km)

Etapa 4 (ITT) — Um contra relógio de 12.7 km que é praticamente uma cronoescalada a Nevegal (7.4km @ 8.2%). Primeira etapa importante de geral — as duras pendentes desta subida vão fazer diferenças.

Belluno - Nevegal (12.7km)
Nevegal (7.4km @ 8.2%)

Etapa 5 — Uma etapa que poderá ser um pesadelo para as trepadoras que descem mal (Marion Bunel). Final em descida e antes temos muito sobe e desce com montanhas bem duras. Vollering tem tudo para ganhar e cimentar o seu primeiro lugar logo após ganhar também a cronoescalada.

Longarone - Santo Stefano di Cadore (146km)

Etapa 6 — Regressamos à formula inicial: sprint massivo para Wiebes.

Ala - Brescello (160km)

Etapa 7 — Uma etapa que tem duas subidas não muito duras que terminam a 27 quilómetros da meta, depois será sempre a descer. Não descarto a possibilidade de uma fuga triunfar dado ao rápido final pós subidas, mas Wiebes em princípio é a principal candidata.

Sorbolo Mezzani - Salice Terme (159 km)

Etapa 8 — A etapa rainha, vamos ter a mítica subida de Finestre (18.1km @ 9.3%) com grande parte deles a serem percorridos em sterrato. Por fim temos chegada em alto a Sestriere (9.3km @ 5.3%). É uma etapa onde as puras trepadores se podem evidenciar face às restantes apesar da longo descida que têm pela frente.

Rivoli - Sestriere (106 km)
Colle delle Finistre (18.1 km @ 9.3%)

Etapa 9 — Por fim terminamos com uma etapa estilo lago Qinghai, dificuldades ainda bem longo da meta e a parte final plana. É uma etapa difícil de decifrar, pode dar para uma fuga de ciclistas atrasadas que subam bem ou até um ataque tardío de uma ciclista que não ofereça grande perigo na geral. Mas devido a ser a última etapa é provável que Demi Vollering se queira despedir em grande.

Saluzzo - Saluzzo (145 km)

O que esperar

Temos aqui um grande leque de ciclistas, podemos dizer que tirando uma ou outra exceção o topo do ciclismo feminino está aqui presente e vamos ter algumas etapas a dar-nos bons espetáculos (lá mais para a parte final da corrida). No entanto temos também varias etapas que não terão grande história ainda para mais com Lorena Wiebes presente que tem tudo para sair deste giro com a barriga bem cheia de vitórias ao sprint. Gostava também de ver mais uma etapa com uma chegada em alto ou perto da meta pelo que a última etapa não me faz muito sentido.

Demi Vollering tem estado imparável esta época, claramente bem mais forte que na anterior. É a principal candidata e apesar de existir uma forte concorrência espero um domínio de Vollering, devido também ao facto de a única etapa talvez desafiante para ela ser a de Finestre e até lá ela já pode ter uma margem confortável para gerir uma eventual quebra que possa vir a ter (embora para mim também seja a principal candidata à vitória nesta etapa).

Acima de tudo é um Giro que tem duas principais favoritas: Demi Vollering para a geral e Lorena Wiebes para os sprints.

Dito isto a luta pelos restantes lugares no pódio é bastante aberta ainda para mais havendo duvidas sobre a falta de ritmo de Marlen Reusser e Elisa Longo Borghini. A fragilidade de Anna Van der Breggen no Angliru abre as portas a potenciais outsiders brilharem tais como Marion Bunel (se aguentar as descidas), Antonia Niedermaier e Isabella Holmgren.

Favoritas

Demi Vollering — Ao contrário do ano passado, Vollering tem estado dominadora e das poucas vezes que não venceu foi devido a ataques que não foram respondidos a tempo. Sinceramente para Vollering não ganhar terá de ocorrer uma situação semelhante embora numa grande volta há sempre mais margem para recuperação.

A não perder de vista

Elisa Longo Borghini — Vencedora das duas últimas edições, não correu mais após a Volta a Flandres devido a uma doença pulmonar. Afirma já se sentir bem recuperada mas a própria admite que não sabe o que esperar pois pode acusar falta de ritmo ou não... Vai correr sem pressão e grandes expetativas, o que poderá ser positivo para a sua performance.

Marlen Reusser — Segunda o ano passado, tem tido uma época para esquecer com duas quedas que provocaram lesões. Também não corre desde a Volta à Flandres e o que se aplica a Borghini aplica-se a Reusser.

Anna van der Breggen — Vem de uma Volta a Espanha impressionante e dececionante ao mesmo tempo pois, vence em Les Praeres e quando pensávamos que tinha tudo para vencer a geral final, o Angliru provou ser demasiado duro para a veterana. Aqui temos Finistre, será que o cenário se vai repetir?

Marion Bunel — Esteve muito forte nas chegadas em alto em Espanha e é a Sarah Gigante de 2026 para este giro a partida. Muito pura trepadora, se conseguir não perder muito tempo nas etapas iniciais é capaz de conseguir digladiar-se de igual para com Vollering na alta montanha.

Antonia Niedermaier — Depois de uma campanha positiva pelo País Basco onde provou ser a melhor trepadora presente, a alemã parte para o Giro com expetativas alta e é para mim uma forte candidata ao pódio final.

Isabella Holmgren — Foi sétima no ano passado e venceu o Tour sub-23. Esta época ainda só correu por quatro vezes, sendo que na última terminou em sexto lugar, na Liège. Com apenas 21 anos continua a evoluir e acredito que possa ser a surpresa desta competição.

Apostas falso plano

André Dias — Aprender italiano é no Duo-Longo.

Fábio Babau — Ele (eu) só acorda para a borga, mas se for Martini é Borghini.

O Primož do Roglič — Vamos dar um Giro e à Demi Volle dar um ring.

Henrique Augusto — Demi Vollering completa a trilogia. Fácil.

Miguel Branco — Classe e finestre de Marion Bunel.

Miguel Pratas — Vai ser um Longo Giro.

Rogério Almeida — 4 etapas para Wiebes.

Vítor Vilucho — Demi Vollering completa a trilogia.

Nuno Silva — Demi vai dar uma Vollering a Itália vestida de rosa.