Antevisão — La Flèche Wallonne

Eu acho que ganha um francês. Aliás, eu acho que vamos ter um pódio só com franceses. Très jolie.

Antevisão — La Flèche Wallonne
La Flèche Wallonne

Introdução

A semana das Ardenas tem o encanto de, apesar das três corridas terem percursos relativamente semelhantes, serem bastante diferentes entre si e assentam melhor em diferentes ciclistas. Talvez daí venha a tamanha dificuldade em alguém vencer as três no mesmo ano. No ciclismo masculino não acontece desde que o lendário Philippe Gilbert alcançou esse feito num ano de 2011 que foi provavelmente o melhor da sua carreira. Outros tempos, quando havia classicómanos a sério a ganhar aqui e não voltistas. No feminino, Demi Vollering conseguiu exercer esse domínio mais recentemente, em 2023. Vencer ao longo de toda a semana é de tal forma complicado que nem o todo poderoso Pogačar conseguiu, apesar de já ter tentado uma série de vezes. E Remco Evenepoel, depois de vencer a Amstel, abdicou sequer de efetuar a sua tentativa e não estará aqui presente.

Ainda assim, apesar da imprevisibilidade típica das Ardenas, esta é, normalmente, a corrida mais fácil de prever e de explicar. Mais ou menos endurecimento, mais ou menos confusão e ataques antes, no fundo, em 99% das vezes, tudo se resolve na última passagem pelo mítico Mur de Huy. E aí é o teste mais puro de punch do ciclismo mundial. O campeonato do mundo dos puncheurs. Três minutos de escalada que são de tirar o fôlego, num sprint a 15% onde a tática pouco importa e quem fala são as pernas.

Quando quem fala são as pernas, as surpresas são mais improváveis e os dominios mais avassaladores. Alejandro Valverde, lenda da prova, venceu cinco edições, quatro delas de forma consecutiva entre 2014 e 2017. Depois chegou Loulou, que muito feliz foi e me fez aqui, com três vitórias em quatro edições, entre 2018 e 2021. Bons tempos.

Era feliz. E sabia.

O percurso

Não tem nada que saber. Sobe desce desce sobe, repete. Raramente há lugar para grandes estratégias ou ataques fora de horas (tirando se estiver a cair o céu em cima da cabeça dos ciclistas, como aconteceu em 2024, mas nada disso está previsto para esta edição). Pelo que tudo se decide na última de três passagens pelo Mur de Huy.

200 quilómetros e depois o Huy.

É assim. Curto mas duríssimo.

Quando está a preto é sinal que os ciclistas vão devagarinho.

O que esperar

Sem a meteorologia a pregar partidas e sem um super favorito a obrigar as restantes equipas a tentarem fazer algo de diferente, espero uma corrida bastante "straight forward". Fuga e tal, pinazzis apanhados, alguma intensificação nos últimos 50 quilómetros, uma luta demoníaca pelo posicionamento no já reduzido pelotão à entrada para o Mur de Huy e depois uma batalha feroz para ver quem se afirma como sendo o mais forte.

Segue-se o poker, ver quem lança a primeira bala, a primeira aceleração. E, a partir daí, é cada um por si. Não há colegas, trajetórias ou gestão de esforço que lhes valha. O mais forte ganhará, e também aí reside a beleza desta prova.

Favoritos

Paul Seixas — O menino prodígio. The chosen one. Trepador sabemos que é. Punch sabemos que tem, mas terá o punch suficiente para uma prova com esta especificidade? Se tivesse que apostar, diria que sim. A concorrência não é incrível e com fenómenos destes duvidar é sempre um risco. É verdade que o objetivo dele é a Liège, mas se puder já carimbar aqui a sua primeira vitória em clássicas World Tour, não hesitará. E eu acho que é o que vai acontecer.

Lenny Martinez — Petit Lenny está agora na sombra de Seixas, deixou de ser o menino bonito dos franceses. E se é verdade que se pode sentir um bocadinho abandonado agora, também é verdade que a pressão sobre si se tornou menor, o que poderá ser benéfico. Esta prova é uma grande oportunidade de ganhar a Seixas enquanto isso é possível e eu vejo-o como o maior candidato a surpreender o Paulo. Muito punch nas pernas deste rapaz.

A não perder de vista

Kévin Vauquelin — Vem de dois segundos lugares aqui, mas eu não olho para ele como tendo o mesmo nível dos dois acima mencionados. Acho que as corridas onde se destacou foram outliers dentro do que costuma ser esta prova. Em 2024, chuva torrencial e muito frio. Em 2025, Pogi a arrancar desde a base tornando o esforço mais longo que o habitual. Além disso, tem estado inconsistente este ano mas, mesmo não estando a transbordar de confiança nele, não descarto de forma nenhuma mais um pódio.

Romain Grégoire — Estou a gostar muito de o ver correr este ano e acho que esta é uma prova onde pode finalmente atingir a grande vitória que ainda vai faltando na sua carreira.

Benoît Cosnefroy — Isto vai ser uma luta de franceses. Até agora, 5 favoritos, 5 franciús. Corre numa UAE desfalcada mas que não deixa de ser a UAE e depois de um início de ano duvidoso, o nível de Benoît desde que chegaram às Ardenas tem sido elevadíssimo e será um perigo à solta no Huy.

Mattias Skjelmose — O único verdadeiro candidato a vencer que não é francês. Já fez pódio aqui, está em boa forma e tem a liderança da equipa.

Tobias Halland Johannessen — A afirmação continua para o norueguês. Não acho que seja o tipo de esforço perfeito para ele mas não me admiraria nada de o ver na discussão por um top-5.

Daniel Martínez — É explosivo e está a ter uma grande época. Além disso, eu amo-o, por isso vou usá-lo como joker.

Apostas falso plano

André Dias — Michiel Lambrecht, ataque a solo na 2.ª passagem pelo Mur de Huy.

Fábio Babau — Hirschi hot? Não, Hirschi Hawtin.

Henrique Augusto — O melhor Paulo desde Paulo Bento vai vencer com tranquilidade.

O Primož do Roglič — Huy! Grégoire.

Miguel Branco — Jøga, Nordhagen.

Miguel Pratas — Seixas, fácil.

Nuno Gomes — Sem pressão Lenny, que agora nem os franceses apostam em ti!

Nuno Silva — Seixalíadas.

Rogério Almeida — Agora todos apostam em ti Vauquelin. Mas o ano passado que acreditou fui eu...

Vítor Ferreira — You will never walk wallone Seixas.