Antevisão — Tour Auvergne - Rhône-Alpes
Quando faltar Critérium, que não falte altitude.
Introdução
Com o Giro d'Italia terminado, a elite do ciclismo e os seus aficionados apontam agora as baterias para o Tour de France e a preparação que o antecede. O Tour Auvergne - Rhône-Alpes, antigo Critérium du Dauphiné, é a clássica passagem dos ciclistas que se preparam para o Tour.
Na edição do ano passado tivemos o primeiro embate da temporada entre Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard. Mas este ano as coisas serão diferentes: nenhum dos aliens irá estar presente (por razões diversas), mas isso não significa que não teremos os aliens do futuro, Paul Seixas e Isaac Del Toro e a nossa esperança nacional de volta ao ativo. Sim, o João voltou. Bota lume sta chega más un bes.

O percurso
Etapa 1 — Esta edição começa logo a subir depois da partida em Vizille. É uma etapa que conta com cinco contagens de montanha, sendo a mais dura o Côte de Rousset (8.3km @ 5.4%) que deixará os ciclistas a cerca de vinte quilómetros da meta. O final não é plano, ideal para puncheurs.

Etapa 2 — É a etapa mais longa da prova (234km), para não falar dos 3345 metros de desnível positivo, sendo a última metade uma espécie de planalto. É o dia dos sprinters polivalentes, se tiverem pernas.

Etapa 3 (TTT) — Desde 2018 que a prova não tinha um contrarrelógio coletivo. Vai ser o dia em que se irão começar a fazer diferenças na geral, com vantagem para os blocos com melhor estrutura.

Etapa 4 — É a chamada etapa “carrossel” ou “sobe e desce", com cinco subidas categorizadas num espaço de quarenta quilómetros, seguido de um final com trinta e cinco quilometros em terreno plano. Dia para a fuga?

Etapa 5 — Esta será a única oportunidade para os sprinters puros sentirem a dopamina de estar nesta prova. O início tem algumas subidas, mas vão diminuindo à medida que a etapa vai avançando em direção à chegada, que será junto ao Parc des Oiseux. Papagaios não irão faltar.

Etapa 6 — Finalmente chegamos aos Alpes. A corrida entra (definitivamente) na alta montanha com a subida à Côte d'Héry-sur-Ugine (11,5 km @ 5,1%), culminando na estreia da subida final para a estância de esqui de Crest-Voland (5,9 km @ 7,7%). Os favoritos à geral vão começar a destacar-se.

Etapa 7 — Esta é a etapa rainha. Já na segunda metade da etapa, o pelotão ultrapassa o Lucets du Grand Colombier (7.1km @ 8.4%) antes de enfrentar o mítico Grand Colombier na versão dos crescidos (Virieu-le-Petit). Estamos a falar de 8,4 km a 10,2% de inclinação média, onde os primeiros 4,4km têm 11,7% de média. Quem não tiver pernas e estiver na luta pela geral, escusa de aparecer no dia seguinte, porque as diferenças poderão ser assustadoras.

Etapa 8 — Na última etapa, não se deixem enganar pela distância, porque são praticamente 4000 metros de desnível positivo. Se dúvidas existirem à geral, elas serão tiradas na subida final para o Plateau de Solaison (11,3 km @ 9,1%).

O que esperar
Com os dois astros de fora, esta será uma edição pautada pelo duelo da nova geração de ciclistas. Paul Seixas, Isaac Del Toro e Juan Ayuso serão certamente os nomes que irão estar na luta pela amarela.
Sendo que nem tudo gira em torno da geral, estou expectante para ver Wout Van Aert ou Ben Healy na caça por etapas, podendo a primeira ser logo para um destes nomes.
Favoritos
Paul Seixas — A hype continua até que ele diga que é para parar. Favorito à geral, com possibilidade de limpar os Alpes todos.
Isaac Del Toro — Vai liderar a UAE juntamente com João Almeida e certamente que irá trabalhar para ele mesmo, de forma a fazer frente ao menino do momento.
Juan Ayuso — Regressa após dois meses sem competir, esteve três semanas em altitude. Veremos se tem pernas para isto.
A não perder de vista
João Almeida — O nosso João está de regresso após uma forçada paragem que o impossibilitou de participar no Giro. Veremos como se apresenta nos Alpes.
Oscar Onley e Carlos Rodríguez — A equipa britânica traz nestes dois e Kevin Vauquelin a agressividade para a corrida, principalmente nas etapas dos Alpes.
Mattias Skjelmose — O dinamarquês lidera o bloco da Trek (juntamente com Juan Ayuso). Forte na montanha e no contrarrelógio, pode ser uma surpresa na prova.
Matteo Jorgenson — Sabemos que o americano é forte em provas de uma semana. É o líder da equipa, veremos se consegue destacar-se no meio dos miúdos.
Apostas falso plano
André Dias — Ninguém está pronto para a supremacia de Jørgen Nordhagen.
Fábio Babau —Seixou.
Henrique Augusto — Se o Paulinho mostra os dentes, eles até caem. Seixas em modo easy.
O Primož do Roglič — Força Stopira faz o golo... Eles até até caem.
Miguel Branco — Juan Ayuso. Corredor de uma semana.
Miguel Pratas — Hype Train Seixas, primeira classe.
Nuno Silva — Seixada.
Rogério Almeida — João Ayuso.
Vítor Ferreira — Dr. Seixas passa a receita da vitória aos regressados.