Cycling Fantasy — Tour of Magnificent Qinghai

O Tour a sério chegou.

Cycling Fantasy — Tour of Magnificent Qinghai

Todos os anos, o mês de julho é um mês perfeito. É aquele mês antes das férias, mas em que os colegas mais chatos já estão de férias. Em que é aceitável cancelar planos na rua para ficar no sofá. Mês de concertos, festas de aldeia e do meu aniversário. Tudo detalhes. Porque também há muito ciclismo e a prova mais importante do ano: a Volta ao Lago Qinghai.

O Lago Qinghai é o maior lago de água salgada na China. (O segundo maior? O lago feito pelas lágrimas de Paul Seixas por não estar a limpar etapas aqui.) Acho que só o facto de ter uma centena de ciclistas de terceira linha a correr à volta de um lago já devia ser aperitivo suficiente. Mas enfim.

Facto importante: este ano, a prova começa no meu dia de aniversário porque os chineses sabem bem o quanto eu os adoro. Já enviei mensagem a pedir para me darem shout-out na primeira etapa. Vá, vejam a transmissão toda e depois avisem-me se apareço.

São oito madrugadas épicas nas montanhas chinesas, etapas imprevisíveis do início ao fim. Percursos bizarros onde tudo pode acontecer, com fugas enormes que nunca dão em nada e os sprinters mais velozes da sua aldeia.

Bem-vindos ao Tour of Magnificent Qinghai, onde tudo pode acontecer e ninguém faz ideia do que está realmente a fazer. É mêm magnífico, maninhos.

Análise ao percurso

Oito dias de perfis de etapa completamente aleatórios. Quem precisa de inteligência artificial quando podemos ter esta genialidade natural? É sempre difícil perceber se isto é uma prova para sprinters com montanhistas ou uma prova de montanha com sprinters.

Uma coisa é certa: ao menos aqui nunca se sabe quem é o vencedor, ao contrário da outra corrida chata lá para a França.

Etapa 1 – A abertura clássica em Xining, a maior cidade da província de Qinghai, nove voltinhas à cidade. Dá sempre sprint, o ano passado vencido por Manuel Peñalver. Acertar no vencedor desta etapa é meia prova.

Xining - Xining (121 km)

Etapa 2 – Ora aqui está uma etapa à Qinghai. Montanhão nos primeiros 10 km de etapa para deixar logo os pinos chineses para trás, mas depois a coisa nunca acalma. Na última chegada a Menyuan, a coisa parecia para a Geral, mas deu sprint de Salby na mesma. Desta vez, Bahadaban deve fazer a triagem, antes de um grupo ultra reduzido discutir as primeiras bonificações da prova.

Huangyuan - Menyuan (228 km)

Etapa 3 – Um falso plano invertido para os primeiros 100 quilómetros, bem bonito. Depois a subida a Bellongshan Pass muito atacada pela malta da GC. Carreguem bem essas equipas de montanheiros.

Etapa 4 – A etapa imperatriz da prova. Ou, adaptado à China do século XXI, a etapa gestora de chão de fábrica. Nos 20 km de subida em Zongkalaize, vai haver muita gente a andar para trás.

Etapa 5 – Aqui vão de visita de estudo até uma reserva natural no cimo de uma montanha. Bela trip que aqui fizeram. Com o grupo já livre de Pinazzis, olhem que até é bem capaz de dar sprint.

Etapa 6 – É por perfis bizarros como este que eu amo as provas chinesas. Chegam todos em família.

Etapa 7 – Mais uma daquelas cheia de pura diversão em retas, antes de uma subida de alta categoria que nem é das maiores na corrida. Mais uma para a Geral lutar por bonificações.

Etapa 8 – Chegada ao molho para a despedida.

Dica de estratégia Qinghai-style: Nos últimos anos, a Geral da prova acaba por se decidir nas bonificações entre os favoritos à Geral. No entanto, como grande parte das etapas acaba ao sprint, as "melhores equipas" estão cheias de homens rápidos. Este ano, eu recomendo um rácio GC/sprint de 5/4, com o devido espaço para um gajo que se engane e vença uma etapa.

Não há fotografias no site da prova, mas tirei este print screen da zona onde deviam estar.

Shortlist falso plano

Mais do que uma Volta ao Lago, isto é uma Volta à Cabeça para fechar equipa. Ninguém acima de 400, portanto, o desafio aqui é tentar estourar o budget.

(Como sempre, atenção ao posicionamento dos ciclistas na equipa.) Não queiram deixar os melhores para o fim, tipo Almeida em todas as corridas deste ano.)

400:

  • Henok Mulubrhan — Vencedor em título. Três anos, três vezes o ciclista mais pontuado da prova. Já só falta escolher oito.
  • Cristián Rodríguez — Das melhores hipóteses para partir na montanha e isto não acabar com uma GC decidida por segundos. Dos poucos ciclistas que sabe andar nisto, abdicou do Tour para vir à prova mais importante do verão. O teu esforço será recompensado.
  • Enrico Zanoncello — O sprinter da Bardiani já não é favorito a vencer etapas, mas a consistência nos sprints aqui dá pontos. Não acho obrigatório. Mas para o que é, cannelloni basta.

200:

  • Alexander Salby — Eu amo um homem careca (além do Silva). É dinamarquês, usa bigode e é um sprinter que dá sempre tudo em solo chinês. Menos de duas etapas para casa é mau resultado.
  • Pierre Barbier — A rivalidade Salby / Barbier vai ficar inscrita na história do ciclismo do século XXI que acontece ali no Sudeste Asiático. Depois de anos de domínio de Salby, Barbier foi a estrela da Taça Tailandesa da Princesa Maha Chakri Sirindhorn (sim, isto é a sério). Empataram 2-2 em etapas. Aqui vai chegar o desempate. Mesmo com uma queda forte de Barbier no Azerbaijão, eu levo os dois para ver.
  • Manuel Peñalver — A aposta da Polti para as chegadas rápidas levou uma etapa para casa em 2025. Spoiler: vai acontecer o mesmo este ano.
  • Alexis Renard — Já esteve muito bem nesta época. Também já esteve péssimo. Um clássico Cofidis para os sprints mais difíceis.
  • Jon Agirre — É bom na montanha (tanto que ganhou essa camisola em 2025), mas depois falta aquele punch final em plano para discutir pódios com o resto da malta da Geral. Top-5 em 2025, "pontos garantidos" escrito na testa.
  • Eric Antonio Fagúndez — Nas duas vezes que veio a Qinghai, fez sempre mais de 100 pontos (e "melhor equipa"). E nas provas que fizeram juntos em 2026, está a andar ao nível do Henok. Se acreditam no padrão, levem o patrão.
  • Josh Burnett — A Burgos traz uma história interessante para Qinghai. É que, em teoria, Fagúndez será o líder para a GC. Mas no (renovado) Volta ao Azerbaijão, um ataque louco na última etapa – e uma etapa de perfil bem parecido às de Qinghai – deu uma vitória de Geral a Burnett. Estão a sentir o hot take?
  • Simon Carr — Pá, em teoria é um dos melhores montanhistas em prova. Mas Qinghai não se rege pela lógica dos mortais. Não levo, mas vou acabar a insultar-me por isso.
  • Jan Castellon — Se lhe derem espaço, este Caja Rural vai ser um caso sério para a GC.
  • Samuel Fernández — O da Caja Rural (não confie em imitações da Euskatel). Na Eslovénia, só perdeu montanha para Lipowitz, Pelli, Omrzel e o mítico Hugo de la Calle. Preciso de dizer mais?
  • Cesar Macías — Como eles crescem. Ainda ontem andava a fazer pódios no Avenir, agora já fecha top-10 no Presidential Cycling Tour of Turkiye.
  • Eduardo Sepulveda — Bons indicadores com um 2.º lugar de GC na Tailândia. A aposta da Li Ning Star para atacar a GC.
  • Iúri Leitão — Um português a brilhar em Qinghai? Seria o meu pedido para a fundação Make a Wish. Bora, Iúri, dá-me essa prenda.
  • Jesper Rasch — Sprinter constante ali entre o 3.º e o 7.º lugar. Muito habituado a aparecer no fundo das fotos dos vencedores. Sou capaz de levar o emplastro.
  • Cristian David Pita — Sprinter de terceira linha.
  • Mathis Avondts — Vai render pontos ao sprint, leram aqui primeiro.
  • Petr Rikunov — Cinco vezes no Top-10 do ano passado. Este ano? Esqueçam.
  • Lucas de Rossi — Shout-out ao vencedor da montanha no GP Internacional Beiras e Serra da Estrela.
  • Haoyu Su — O melhor ciclista chinês está tapado na Astana para grandes resultados, mas vale a menção.
  • Kuicheng Wang — Mas querem mesmo um chinês na equipa para se sentirem em Qinghai? Levem o 3.º melhor chinês da atualidade (e o único que pontuou o ano passado).
  • Kongqing Wei — Não confundir com o Qing Kong.

Código da liga falso plano: FALSOPLANO
Password: 2474

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