Análise às Equipas — Giro d'Italia (Parte II)
Vingegaard e tugas.
UAE Team Emirates - XRG

Isto sem o João não tem a mesma graça, mas ao menos temos o nosso Bigode Voador, António Morgado, com mais liberdade para dar show nas etapas mais explosivas. O jovem português, tal como Jan Christen, faz a sua estreia em Grandes Voltas. Em substituição do nosso Bota Lume na liderança, temos Adam Yates, agora com um Gran Camiño no palmarés. Se for alternando com o seu irmão Simon, pode perfeitamente subir ao pódio em Roma.
É uma equipa talhada para caçar etapas de todas as maneiras e feitios à excepção dos sprints massivos. Jhonatan Narváez ainda mal competiu em 2026 mas sabe o que é vencer uma etapa e vestir a maglia rosa. Marc Soler e Jay Vine são craques na montanha e irão certamente querer adicionar uma vitória no Giro ao CV. O motor Mikkel Bjerg e o trepador Igor Arrieta completam o bloco versátil da UAE Emirates.
bitaite falso plano: Morgadão vence etapa(s).
Movistar Team

Longe vai o tempo em que a Movistar vinha ao Giro para atacar o pódio. Se calhar já devia ter aprendido a não o subestimar, vai na volta e o Enric Mas chega aqui e faz um resultadão na sua estreia nesta Grande Volta. Apesar de estar a ter uma época discreta, o ciclista calvo é especialista nas três semanas e a concorrência não assusta assim tanto. Se calhar um top-5 ou até mesmo um top-3 não é assim tão descabido. Einer Rubio é um trepador conceituado, já foi 7.º em 2024 e levou uma etapa em 2023 aqui, e vai ser uma peça fundamental no suporte ao espanhol, juntamente com os castelhanos Juan Pedro López e Javier Romo.
Para os sprints contam com o solitário Orluis Aular, que na última edição acumulou top-3 apesar de não ter conseguido um triunfo, mas Iván Garcia Cortina pode ser chamado à responsabilidade em algumas chegadas mais punchy. O capitão é o nosso Nelson Oliveira, que juntamente com Lorenzo Milesi vão ajudar a controlar o ritmo.
bitaite falso plano: Mas completa a trilogia de top-5 nas três Grandes Voltas.
Decathlon CMA CGM Team

A Decathlon somou quatro vitórias nas últimas três edições e quem continuar essa sequência. Este bloco tem dois nomes interessantes para a classificação geral e para a classificação dos pontos. Felix Gall é um dos melhores trepadores da startlist, teve boas prestações nas etapas rainhas das corridas por onde passou (UAE e Catalunha), e conta com os competentes Gregor Mühlberger, Callum Scotson, e Johannes Staune-Mittet. Querem o top-3 e eu acho que é um objetivo difícil mas realista.
O outro sub-bloco estará mais dedicado a Tobias Lund Andresen. Quem sai da Picnic por norma dá-se bem e o dinamarquês não se pode queixar: são já três vitórias, sempre com prestações muito sólidas por onde tem passado. É um outsider para a maglia ciclamino. Ao seu serviço tem Tord Gudmestad, Rasmus Søjberg Pedersen, e Oliver Naesen.
bitaite falso plano: Gall e Lund Andresen picam o ponto.
Team Picnic PostNL

O descalabro da Picnic continua... Foram apenas quatro vitórias em 2025 e este ano ainda só conseguiram essa proeza na Volta à Turquia, onde Casper van Uden conseguiu bater os colossais Marcin Budziński e Nikita Tsvetkov num sprint em Kemer. É verdade que o neerlandês triunfou (surpreendemente) aqui na última edição, mas um raio não cai duas vezes no mesmo sítio. O plano inicial era virem com Max Poole para a geral mas o britânico ainda está a recuperar então vêm apenas fazer turismo. Talvez o Frank van den Broek tire umas fotos nas fugas.
Esta Picnic não é chiq. Olhamos para a cesto e não há framboesas do Four Seasons nem Tiramisú do Davvero. Há Timo de Jong, Gijs Leemreize e Tim Naberman. Nem traz garrafa de rosé. Vem um Warren Barguil fora do prazo de validade e um Chris Hamilton em vez do espumante.
bitaite falso plano: Vão sentir a falta de Frits Biesterbos.
Bahrain - Victorious

Mais uma voltinha, mais uma moedinha. Vamos lá para mais uma tentativa de Santiago Buitrago numa corrida de três semanas. Spoiler alert: vai terminar algures entre o top-10 e o top-15. Desculpem o hate mas faz-me confusão a malta querer ser toda voltista. A colombiano é um caçador de etapas exímio, anda muito bem também em corridas de um dia, e depois anda nisto. Enfim, como se não tivessem um Afonso Eulálio que, com a mentoria de Damiano Caruso, pode um dia vir a ser o chefe de fila da Bahrain numa Grande Volta. Para já ainda só pedimos uma etapa.
Quem também tem boa pinta de ganhar uma etapa é o Edoardo Zambanini. Italiano, não sobe mal e sprinta bem em grupos reduzidos. Alec Segaert é outro nome forte para as fugas, tendo também uma palavra a dizer no contrarrelógio. Govekar ia ser o sprinter da equipa mas lesionou-se e foi substituído por Robert Stannard que vai dar uma preciosa ajuda aos seus líderes, tal como Fran Miholjević e Mathijs Paasschens.
bitaite falso plano: O nosso Eulálio vai vencer pela primeira vez no World Tour.
Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team

Quando não há Pidcock geralmente é só pinos. Pudera, é o que há. Matteo Moschetti para os sprints, Fabio Christen para as fugas. O resto é paisagem.
Há quem sonhe com um top-15 de Chris Harper, afinal ele até ganhou uma etapa na última edição e fez 7.º nos Alpes, há uns dias. David González é outro que pode surpreender se os astros se alinharem e o hantavírus não se tornar pandémico entretanto. Bons desempenhos do espanhol, ultimamente. Sobram Sjoerd Bax, David de la Cruz, Mark Donovan e Nickolas Zukowski, que já demonstraram a sua valia em tempos longínquos.
bitaite falso plano: Moschetti só faz um top-5. E é na Bulgária.
Red Bull - BORA - hansgrohe

A equipa de Evenepoel e de Roglič? Ganhem tino. A Red Bull ganha asas com Giulio Pellizzari, o maglia bianca desta edição e maglia rosa numa das próximas edições. Provou que passa bem as três semanas com o duplo 6.º lugar no Giro e na Vuelta do ano passado. Este ano subiu sempre ao pódio nas provas por etapas, e aqui não vai ser excepção. Jay Hindley, vencedor em 2022, costuma apontar bem o pico de forma para estas corridas e é um plano B de luxo. Ainda há Aleksandr Vlasov e Giovanni Aleotti, dois gregários muito confiáveis na montanha.
Sobram os domestiques para terrenos menos inclinados e tenho de destacar o Mercedes da equipa, Nico Denz. Trabalhador incansável e ainda consegue arranjar tempo para se meter em aventuras. Nas últimas duas edições em que participou (2023 e 2025) conquistou três etapas. Contam ainda com Gianni Moscon (um dos MVPs da vitória de Bernal), Mick van Dijke e Ben Zwiehoff.
bitaite falso plano: Pellizzari ganha a juventude e sobe ao pódio final.
Lotto Intermarché

Não entusiasma, não desilude. Se ganharem uma ou outra etapa ninguém faz uma festa, se não se passar nada também ninguém faz cara feia. O destaque da equipa? Arnaud De Lie, o Touro de Lescheret, ou sprinter agricultor. O hype reacendeu com o triunfo na Famenne Ardenne Classic e até já se fala nos cafés que pode vestir a maglia ciclamino em Roma, antes de se pirar — também há quem diga que não passa da etapa 10. Ah, pois é, também anda a circular esta, parece que vai para a Tudor. Enquanto por aqui está, lançado por Milan Menten e Joshua Giddings, surpreender.
Alguém sabe como está o índice de pólen atmosférico por Itália? O uso excessivo da bomba da asma costuma beneficiar as prestações de Lennert Van Eetvelt, que nesta temporada ainda só foi competente no UAE Tour (poeiras desérticas...). Em sentido oposto está o templário italiano, Simone Gualdi. O miúdo está a fazer uma boa época de estreia no WT, e até fez top-5 em Frankfurt, na corrida conquistada pelo seu colega Zimmermann. O bloco fica fechado com o estreante Toon Aertsm, com o gigante Jonas Rutsch e com o deambulante Lorenzo Rota.
bitaite falso plano: Arnaud De Lie afinal chega a Roma.
Soudal Quick-Step

Sem Landa, vai ter de ser Filippo Zana, em bom plano nas Ardenas, a assumir a candidatura da equipa ao top-10 na classificação geral. Se a coisa não estiver a correr bem, pode sempre apontar agulhas para a classificação da montanha. Ele e o miúdo Gianmarco Garofoli são candidatos à maglia azzurra.
Para a maglia ciclamino têm Paul Magnier. Talvez ainda tenha de demonstrar mais consistência para poder ser um candidato a sério para esta classificação mas é, indubitavelmente, um dos mais rápidos. Lançado por Jasper Stuyven, tudo o que não seja vencer um par de etapas será uma desilusão. Andrea Raccagni Noviero tem estado a portar-se muito bem e não ficarei nada surpreendido se fizer top-5 em fugas ou sprints meia ganga. Os belgas Ayco Bastiaens, Fabio Van den Bossche e Dries Van Gestel são os outros elementos da matilha.
bitaite falso plano: Magnier versão Algarve faz o bis.
Team Visma | Lease a Bike

Ufa, não há Pogačar, vamos ter uma corrida animada e sem vencedor decidido à partida. Tava a brincar, o menor aliciante desta edição é mesmo a luta pela camisola rosa. Jonas Vingegaard vai ser dono e senhor desta corrida, sem forçar muito vai ganhar com meia dúzia de minutos de vantagem e começar a preparar o Tour a partir da segunda semana. Até deve dar para o Sepp Kuss completar a trilogia de vitórias em etapas de Grandes Voltas.
Mas nem por isso vão dar abebias. É um bloco de trabalho, com foco total no seu líder, com ciclistas muito competentes em três semanas. Destaco David Piganzoli, ou Pellizzari da Temu, se preferirem, e Victor Campenaerts. Um na montanha e outro no plano, vão ser fundamentais no controlo da corrida mas deverão ter direito a um ou outro dia de fuga. Timo Kielich poderá amealhar alguns pontos nas etapas rápidas e os neerlandeses Bart Lemmen e Wilco Kelderman vão ser os primeiros a trabalhar na montanha.
bitaite falso plano: Vingegaard ganha com menos de 10 minutos de vantagem.
Netcompany INEOS

A INEOS ainda é uma sombra daquilo que foi na década passada mas apresenta-se aqui com dois legítimos candidatos ao pódio: Egan Bernal & Thymen Arensman (vencedor em 2021). Os dois apresentaram-se a um bom nível nos Alpes e subiram ao pódio com o Pellizzari, onde foram 2.º e 3.º, respetivamente. O colombiano está cada vez melhor e confirmou a boa forma com o 5.º lugar na Liège-Bastogne-Liège. O neerlandês pode completar a trilogia de vitórias nas três Grandes Voltas. Jack Haig, Magnus Sheffield e Embret Svestad-Bårdseng formam o bloco da montanha. Não é topo de gama mas já vi pior.
Filippo Ganna dispensa apresentações. É uma superstar. Já venceu sete etapas no Giro e provavelmente conquistará a oitava no contrarrelógio de 42 quilómetros que termina em Massa. O britânico Ben Turner, em transição para puro sprinter, vai ser lançado por Connor Swift.
bitaite falso plano: Arensman é um único a bater Vingegaard numa chegada em alto.
EF Education - EasyPost

Como não podia deixar de ser a EF é a última equipa a apresentar a seleção para uma grande volta. Costuma-se dizer que o melhor fica sempre para o fim mas aqui nunca é o caso. Sem Carapaz (3.º na última edição), este ano não há ataque à maglia rosa. Há caçadores de etapas para todos os gostos mas não há nenhuma truta. Destaco o veterano Michael Valgren, a fazer uma temporada a um bom nível, e até já venceu no WT (etapa 5.º do TirrenoAdriatico).
A receita é simples: Madis Mihkels para os sprints e o resto é à vez nas fugas. Jefferson Alexander Cepeda, Samuele Battistella, Darren Rafferty, James Shaw, Jardi Christiaan van der Lee e o míudo Markel Beloki deverão ter carta branca para saírem do pelotão.
bitaite falso plano: Valgren vence pela primeira vez numa Grande Volta.