Antevisão — Bretagne Classic - CIC
Já Amália Rodrigues cantava: Bretanha forma de vida.
Introdução
Amália cantava Bretanha Forma de Vida, claramente numa alusão às bicicletas e estradas estreitas dessa região. Há cidades que ficam conhecidas pelo ciclismo. E depois há Plouay, que praticamente decidiu construir uma identidade inteira à volta dela.
Estamos a falar de uma pequena vila bretã com cerca de cinco mil habitantes que conseguiu aquilo que muitas grandes cidades nunca conseguiram: receber um Campeonato do Mundo e transformar uma corrida local numa clássica do World Tour, chegando este ano à 90.ª edição.
O percurso
À primeira vista, a organização decidiu ser simpática ao passar dos 262km de 2025 para os 228.3km este ano e ter cerca de menos mil metros de desnível positivo acumulado. A grande novidade está no final: depois de uma primeira parte constantemente ondulada, a corrida tem três voltas a um circuito de 16.6km. E com elas regressa Ty Marrec, ausente do percurso desde 2019, com cerca de 1.3km a quase 6%. Portanto simpática, dentro dos padrões de quem organiza corridas de bicicleta na Bretanha.
Dentro de cada volta haverá ainda a Côte de Lezot, e as subidas talvez não sejam suficientemente duras para eliminar os homens rápidos de uma vez. Mas há oportunidades suficientes para o fazer.

O que esperar
Se calhar já me alonguei em demasia no percurso e já fui explicando um bocadinho do que espero. Vejo essencialmente dois cenários: um grupo reduzido que ainda leva alguns sprinters até Plouay ou uma corrida suficientemente partida para um atacante - ou pequeno grupo - conseguir resistir até à meta.
Favoritos
Jasper Philipsen — Vem de ganhar sem espinhas três etapas e a geral no Renewi Tour e é um dos favoritos em caso de se proporcionar o primeiro cenário.
Paul Magnier — Outro homem rápido que se dá muito bem com estes pequenos muros e que terá de ser descartado caso queiram lutar pela vitória.
Louis Barré — Tem conseguido arranjar maneira de enganar o pelotão e vencer a solo. Penso ser o maior perigo dos sprinters.
A não perder de vista
Jenno Berckmoes — Acabou de ganhar uma etapa depois de atacar num percurso de muros, estradas estreitas e mau tempo, por isso até mesmo o pelotão não o pode perder de vista.
Romain Grégoire — Consegue partir a corrida e chegar sozinho, como também sprinta bastante bem num grupo pequeno. É tipo Hannah Montana, tem o melhor dos dois mundos.
Jan Christen — Mais um nome muito perigoso para lançar ataques.
Marc Hirschi — Sabe o que é ganhar aqui. Talvez já não seja esse mesmo Hirschi, mas gostei de o ver no Lidl Deutschland Tour.
Laurence Pithie — Juro que não foi ele que me disse, mas preferia que Philipsen e Magnier não tivessem vindo.
Apostas falso plano
André Dias — Na Bretanha, Magnier vai tirar as magnias ao pelotão.
Henrique Augusto — Duro de mais para os sprinters, soft de mais para os trepadores. Ganha o sprinter-trepador Alex Aranburu.
O Primož do Roglič — Paul com a Magnier que é o maior.
Miguel Branco — Vai dar Vercher em Plouay.
Miguel Pratas — Morgadix entre os Bretões.
Vítor Ferreira — Amália também cantava: tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é Philipsen.