Antevisão — Grand Prix Cycliste de Montréal
Com o Québec aprendi uma grande lição, não se ama alguém que dá ao Remco um metro de alcatrão.
Introdução
A irmã mais dura das clássicas do Canadá tem este ano uma edição muito especial, já que o seu percurso é praticamente idêntico ao que os ciclistas apanharão pela frente daqui a 15 dias, no Mundial deste ano. Se o Mundial já é, por si mesmo, uma prova ímpar no panorama internacional da modalidade, este ano ganha um cariz ainda mais especial por ser visto por muitos como uma grande e rara oportunidade de envergarem a camisola arco-íris durante a próxima temporada, fruto da ausência de Tadej Pogačar.
Esse fator ajudará certamente a explicar a espetacular startlist que se apresentará à partida na prova canadiana. A "segunda linha" estará em preso a preparar as pernas para o objetivo maior, tentando pelo caminho somar uma clássica WT ao currículo.
Se eu já adoro sempre esta clássica, aliás, estas clássicas canadianas, pelo seu perfil imprevisível e por ser a única corrida do ano inteiro que é transmitida a horas decentes, este ano o estimulo ainda é maior e a corrida promete ser espetacular. A luta pelo lugar de príncipe do ciclismo está on.

O percurso
Pegaram em 10 quilómetros acidentados e fizeram copy/paste até lhes doer o dedo. No fundo foi assim que nasceu este circuito de Montréal que se vem mantendo inalterado nos últimos anos, já que em equipa que ganha não se mexe.

A subida decisiva é o Côte Camillien-Houde. Mais dura, e mais longa, que qualquer uma das subidas do Québec, costuma tornar a corrida mais partida e beneficiar mais os melhores trepadores. Afinal, quase 2 quilómetros a quase 8% feito 59 vezes pesa nas pernas. A sua última passagem acontece a 11 quilómetros do fim, rumando depois o pelotão até à meta numa tendência descendente, embora com dois intervalos para pequenos topos perfeitos para movimentações.

O que esperar
"Contigo aprendi uma grande lição, não se ama alguém que dá ao Remco um metro de alcatrão".
Eu espero que o pelotão tenha cantado estes versos depois da corrida do Québec. Remco Evenepoel, assim que tem uma pequena margem na frente, é praticamente inalcançável, é o melhor rolador (de longe) desta geração, pelo que quando ataca não podem existir hesitações.
Conto com uma corrida um pouco menos anárquica, com menos gente na disputa e com menos ataques e contra-ataques nos grupos da frente. Isto porque a maior dureza da subida principal permitirá que a dinâmica da prova seja diferente, com a tática e o timing a assumirem um papel mais secundário. É mais a lei das pernas que vingará em Montréal.
Acredito que possam voltar a existir alguns movimentos de antecipação por parte de alguns outsiders, mas a UAE (e a Decathlon) quererão uma corrida decidida Côte da Camila e controlarão para se certificarem que assim será. Depois da seleção inicial, a 3/4 voltas do fim e já com um grupo restrito, começarão os ataques entre as principais máquinas deste pelotão e, aí sim, veremos quem é o mais forte e quem se vai colocar na Pole Position para ser campeão do mundo.
Favoritos
Remco Evenepoel — Parte como favorito depois da vitória no Québec, mas eu espero mais dificuldades aqui. Não é que ele não se dê bem em esforços mais longos, claro que dá, mas o nível dos adversários sobe com esta mudança. Além disso, será o ciclista mais marcado dificultando o objetivo de se voltar a isolar. Ainda assim, com o sprint que vem mostrando hoje em dia, pode vencer na mesma.
Paul Seixas — O menino d'oiro do ciclismo atual andou mais no Québec do que o resultado final mostra. Acredito que aqui se vai mostrar ainda mais forte e é a minha aposta para a vitória. Em Montréal amanhã e em Montréal daqui a 15 dias.
Isaac del Toro — O líder está de férias, é hora de assumir. Traz um belo bloco, boas pernas e muita vontade de se continuar a assumir, depois do fantástico Tour que fez, como o grande candidato a herdeiro de Pogi.
A não perder de vista
Thomas Pidcock — Está em grande forma neste final de época e este percurso assenta-lhe que nem uma luva. Só não está na categoria de cima porque achei que 4 favoritos era demasiado, mas ficaria zero surpreendido se vencesse esta corrida.
Giulio Ciccone — O rival de Remco no Québec adora este tipo de terrenos. Sobe, desce, olha para o lado, ataca, persegue. É nisto que Ciccone se sente como peixe na água e amanhã é mais um desses dias à espera de ver o italiano mandar os seus óculos de sol pelo ar.
Brandon McNulty — Respect ao campeão em título. É verdade que em condições diferentes e com uma oferta do seu líder, mas McNulty é um ciclista muito perigoso nestes terrenos e um daqueles que se apanha num dos movimentos de antecipação pode depois tornar-se uma dor de cabeça para alcançar.
Matteo Jorgenson — Sempre muito consistente neste tipo de clássicas, mas sempre a faltar um danoninho para levar a vitória para casa. Vai ser difícil ser desta, mas mais uma vez estará na disputa e procurará uma oportunidade.
Ben Healy — Fella Healy tem sempre um espacinho especial no meu coração e estou sempre À espera de o ver abanar-se vitorioso rumo ao pano de meta. É atacar a 70 quilómetros e esperar que hesitem.
Apostas falso plano
André Dias — Há 4 anos que vence um UAE, este ano é igual. Vamos, Paul Seixas!
Henrique Augusto — PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIID.
O Primož do Roglič — A Remco ou a nado vai dar Evenepoel.
Miguel Branco — Agora é que ganha mesmo o favorito: Guillermo Thomas Silva.
Miguel Pratas — Isaac Del Bluff.
Nuno Gomes — Paulo Seixas.
Nuno Silva — Novo Merckx Remco.
Rogério Almeida — PogaToro.
Vítor Ferreira — Evenepoel junta-se ao clube de Matthews e Gerrans.