Cycling Fantasy — Arctic Race of Norway
Para quem é, um bom salmão basta.
Introdução
Se não fosse maluco pelas corridas chinesas em Hainan ou no Lago Qinghai, uma coisa era certinha: a Arctic Race of Norway podia muito bem ser das minhas corridas favoritas.
É a corrida com as imagens mais bonitas de todo o circuito, daquelas dos postais, daquelas que te dão vontade de estoirar dois euros numa loja de souvenirs manhosa. É uma das poucas provas amigas dos "matulões" do pelotão: o ano passado foi para Corbin Strong, antes disso foi Magnus Cort, o Kristoff ganhava sempre aqui uma etapa antes de se reformar... E desde 2020 que a organização da prova tem uma parceria com o Ministério do Trabalho norueguês para criar empregos a pessoas fora do mercado de trabalho. Como não amar esta Noruega?
E depois eles arrancam para a estrada e a conversa é outra. Para este ano, a lógica também é simples: duas etapas para chegada ao sprint, duas para furar pernas numa subida final.
E no que toca à fantasy, há duas escolas de pensamento: investir mais em sprinters à caça do primeiro "camisola amarelada" (aquilo tem uns degradés esquisitos). Ou ir com homens fortes em subida (com a rapidez dos salmões, isto não é corrida para Carapazes), e bancam nas duas etapas finais + Geral.
Análise ao percurso
Etapa 1 – Na Noruega, o primeiro milho é para os salmões. Enquanto as trutas do pelotão esperam pelos últimos dias, esta vai para os sprinters em prova. O pelotão não vai dar grande margem à fuga: supostamente há segundos de bonificação em jogo na primeira passagem pela meta, atenção a isso também.

Etapa 2 – Esta ainda é mais direta. Tudo ao molho e fé em Thor.

Etapa 3 – O dia é calmo até chegarem à subida de Melbu, de cerca de três quilómetros, que vai começar a fazer as contas para a Geral. Na última edição, e numa subida deste estilo, chegou a dupla mítica de Tom Pidcock e Corbin Strong. Talvez algum sprinter com mais pernas consiga entrar na luta. Mas os últimos 400 metros (16.5% de média) são imperdoáveis.


Etapa 4 – No último dia, a subida parece menos dura, mas é um bocado golpe de vista. As contagens de montanha iniciais vão fazer a triagem num pelotão que meta ritmo forte (spoiler: vai meter) e a subida final, mais constante que a do dia anterior, vai premiar os especialistas de média montanha. Há mais potencial de diferenças aqui que no dia anterior.


Shortlist falso plano
800:
- Ethan Vernon — Sim, Vernon custa 800. Isto dói-me mais que olhar para o preço de uma lata de atum. A cena é que, com esta startlist, é grande candidato às duas primeiras etapas. E se estiver a subir como no início de época, cuidado.
600:
- Lennert van Eetvelt* — O meu favorito à Geral. Vai atacar bem nas últimas etapas. Deve estar motivado a sacar mais uns euros de contrato antes da provável mudança para a NSN.
- Guillermo Thomas Silva* — Surpresa no Giro? Só para quem não acompanhava este menino na Volta ao Lago Qinghai. Sprinta bem, punch ainda melhor, é grande candidato a ser o herdeiro de Corbin Strong. Se as subida não forem demasiado atacadas, é dele.
- Giovanni Lonardi — Uma boa Volta a Dinamarca já o habituou ao frio. Agora é só arregaçar as mangas e colecionar pontos nas etapas 1 e 2.
400:
- Anders Foldager* — Um nome da Jayco, para não irem sem nada.
- Casper van Uden* — Forte candidato ao Prémio Pinazzi 2026. Ainda assim, conseguiu um novo contrato com a Alpecin. Há coisas que a razão desconhece.
- Fabio Christen* — Época uns furos abaixo do esperado, mas continua a ser um nome de respeito nas subidas.
- Erlend Blikra — Não está tempo para calções de Blikra.
- Johannes Kulset* — O nome mais "caro" da Uno-X, mas não acho que vá ser a aposta da equipa. Continuem a ler, vá.
200:
- Alessandro Pinarello* — É protegido falso plano e já nem é só pelo meme. Começou bem a época, está na hora de voltar. Levo sem hesitar.
- Xabier Berasategi — A Eslovénia pô-lo debaixo de olho. Favorito em zero, potencial de pontos em todas.
- Ludovico Crescioli* — De quando em vez, a Polti atira uns ciclistas para a "melhor equipa", sem saber apontar a Noruega no mapa. Desta vez vai ser o Ludo. As últimas clássicas dão bons indicadores.
- Jason Tesson — Tendo em conta o leque de sprinters, pode gerar Tesson no grupo.
- Henrik Pedersen* — É tão bom que a Uno-X quebra a tradição e traz um dinamarquês para correr na Noruega. Depois do Tour of Denmark, bela hipótese no leque de sprinters a levar.
- Martin Tjøtta* — Corre na Uno-X. Pódio no Giro numa etapa punchy (à frente de Thomas Silva). Pódio em Omã, na Eastern Mountain. Querem arriscar deixar de fora?
- Mathieu Kockelmann* — O jovem sprinter da Lotto vai ser finalmente a aposta da equipa para as chegadas rápidas. Este ano, levar Kock já rendeu. Só custa a primeira.
- Sebastian Berwick — Sobe bem. Pronto, é isso.
- Nikiforos Arvanitou* — Quando virem os top-5 nas primeiras etapas, vão querer ter esta escolha de puras vibes.
- Wout Poels — O homem dos Rockets para a Geral. Eu não levo mas também não vos vou impedir.
- Andréa Mifsud — Contem com o campeão maltês para se atirar para uma fuga. Ou duas. Ou quatro.
- Riley Pickrell* — Para os alternos que gostam de jogar para a camisola da Juventude, está aqui o sprinter que faz a diferença.
- Byron Munton — Este deve andar a sonhar com a Senhora da Graça. A equipa faltou à Grandíssima para estar aqui, uma escolha que enfim. A prova tem menos montanha do que o Byron gostaria, mas pode render pontos.
- Eirik Vang Aas* — A Repsol, equipa da casa, gosta sempre de meter ciclistas na fuga e, na loucura, tentar a camisola da montanha. Quem será o sucessor espiritual de Storm Ingebrigtsen? A minha aposta vai para este.
- Henrik Teslo Fjellheim* — Prémio "Melhor foto oficial de ciclista".

* Conta para a camisola da Juventude.
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