Cycling Fantasy — Czech Tour

Czech Mate: um sprint e três paredes.

Cycling Fantasy — Czech Tour
Cycling Fantasy

Introdução

É uma história de paciência e gradual investimento. Um pouco como o falso plano, no fundo, que começou de forma despreocupada numa Zoom call e continua de forma despreocupada na Volta a Portugall. O Czech Tour talvez tenha mais paciência, talvez tenha mais sabedoria, talvez, sim, por confirmar. A verdade é que já cá anda desde 2010, que eu saiba ainda não teve problemas de fígado e torna-se este ano, pela primeira vez, um evento Pro Series. A 18.ª edição da corrida é, de longe, a mais dura de toda a sua história: um sprint a abrir, três chegadas em alto después.

A estratégia é, naturalmente, simples: levem o vencedor da primeira etapa (no limite, o primeiro e o segundo, mas têm mesmo de acertar) e homens de geral para compor o ramalhete. Infalível. Até falhar.

Análise ao percurso

Etapa 1 – Karlovy Vary é conhecida por ter um dos mais importantes festivais de cinema do contexto europeu. E apesar desta primeira jornada ter uma sinopse que indica sprint, dou apenas nota que é dia com 2300 metros de desnível positivo acumulado e várias subidas (categorizadas e não-categorizadas) — e aquele final perigoso em descida? A isto tudo acresce ainda o facto de o número de velocistas presente na lista de partida ser francamente reduzido. O maior candidato ao Prémio Especial do Júri é Ben Turner.

Praha  Karlovy Vary (163km)

Etapa 2 – Primeira de três chegadas em alto, sendo que esta primeira categoria final só o é pela extensão. A dureza é bastante relativa e as diferenças (poucas) vão fazer-se no último quilómetro a 9%. Só tem mais 200 metros de acumulado do que a primeira etapa.

Mlada Boleslav – Ještěd (155km)

Etapa 3 – É uma subida já clássica desta Volta à Chéquia, esta Dlouhé Stráně, vencida o ano passado por Junior Lecerf. É uma subida algo irregular, com alguns patamares acima de 7 e 8%, mas que se torna mais exigente pela subida e sobretudo pela forma como os corredores a decidirem fazer.

Pardubice – Dlouhé stráně (171km)

Etapa 4 – Pustevny volta a ser o momento decisivo da corrida. 8 quilómetros, onde os dois primeiros são fáceis, mas os últimos 6 são bem durinhos, sempre acima dos 7% de média. Foi a subida onde Cian Uijtdebroeks conseguiu passar de ter a corrida ganha a ser ultrapassado nos últimos metros.

Kroměříž – Pustevny (161km)

Shortlist falso plano

600:

  • Mikel Landa — O Landismo vai voltar a casa. A partir de 2026, Landa estará de regresso à sua Euskaltel-Euskadi. O dorsal 1 desta corrida tem tido uma época para esquecer, mas com todo o orçamento disponível... Landismo vive, certo?
  • Jordan Jegat — Outro enorme candidato à geral. E logo um corredor que nunca venceu uma prova por etapas na carreira. #GroupeJegat
  • Ben Turner — É caro. Mas aqui o valor não interessa. Não sei se é o mais rápido desta lista de partida, mas é capaz de ser o maior favorito à primeira etapa. Aposto que por ter escrito isto não vai ganhar.

400:

  • Marco Frigo — Há rumores de saída para a UAE. E a temporada, convenhamos, não é famosa para o italiano nascido em Bassano del Grappa. Aqui tem uma oportunidade para fazer uma boa classificação geral, mesmo que tenha de trabalhar para Jan Hirt (não sei se esta frase já alguma vez tinha sido dito na história da existência humana: trabalhar para Jan Hirt). Uau.

200:

  • Mauri Vansevenant — Vanse-a-ver e é o líder da equipa.
  • Andrew (AJ) August — 20 anos de muito talento, embora alguma irregularidade. Ainda assim, esta é, inegavelmente, a melhor temporada da sua carreira desde que está na equipa principal da Netcompany. Provável líder.
  • Embret Svestad-Bårdseng — A equipa britânica tem mais cartas para jogar. O norueguês é um trepador de nível bastante interessante, sobretudo olhando para o resto da startlist. Acredito que estará junto a AJ a maioria do tempo.
  • Óscar Rodríguez — No Troféu Joaquim Agostinho só foi batido por Tiago Antunes, Fábio Costa e José Neves. Ou seja? Obrigatório.
  • Jan Hirt — Tem 35 anos, mas continua a ser um trepador muito fiável. Além disso, corre em casa e tem aqui uma bela probabilidade de chegar à sua terceira vitória da carreira em competições por etapas.
  • Joe Blackmore — Aos 23 anos, Blackmore esteve desaparecido em combate até San Sebastián, onde não terminou a prova. O azar dos ciclistas, chamado endofibrose da artéria ilíaca, bateu-lhe à porta. Ainda assim, diz-se que já assinou com a Netcompany e isso é sinal que terá tempo para voltar a mostrar a tremenda qualidade que tem nas pernas. Passo a passo.
  • Jan Castellon  — É, aos 23 anos, uma das grandes surpresas da temporada dentro da estrutura da Caja Rural. Candidato a top-5.
  • Samuel Fernández — Outro belo jovem atleta dentro da estrutura espanhola. Aquela Volta a Eslovénia ficou na retina.
  • Alex Tolio — É um daqueles corredores under the radar que acabam sempre (relativamente) bem posicionados nas classificações gerais. Isso, por norma, são pontos.
  • Alessandro Fancellu  O ano passado foi terceiro. Vejamos se este ano almeja a subir mais um degrau. O nome é bonito e o estilo a pedalar é invejável.
  • Kamiel Bonneu — Foi quarto na GC em 2024. E em 2022, no Sazka Tour, ganhou uma etapa na subida de Dlouhé Stráně. Ou seja, conhece o terreno, e esta temporada já foi segundo no Japão e terceiro na Turquia.
  • Domenico Pozzovivo — Pozzo só há um. Voltou aos 43 anos porque o pelotão não consegue viver sem ele. Vejamos como se entende com Bonneu na luta pela liderança na equipa.
  • Francisco Muñoz —Boa Volta a Dinamarca. As expectativas estão em altas.
  • Max Bock — A equipa devo da Red-Bull traz aqui um dos seus pupilos mais interessantes. Max Bock foi 9.º no Giro Next Gen e 3.º em Valle d'Aosta só atrás de Henrique Bravo e Mateo Ramírez. Vamos ver como se dá num pelotão com alguns corredores muito mais experientes. Eu prefiro Sagres, mas pronto.
  • Nicolas Breuillard — Mostrou força numa ou outra ocasião durante o Tour. Não sei se vai transportar essa energia e forma para a Chéquia, mas fiquei com a pulga atrás da orelha.
  • Romet Pajur — O estoniano prometeu bastante enquanto júnior — sabe o que é vencer em solo checo, fê-lo na Corrida da Paz em 2021. Continua a ter 21 anos e, por isso, vai mais do que a tempo de se fazer ciclista.
  • Dominik Neuman — É sprinter, pode ganhar a etapa 1.
  • Scott McGill — Este é sprinter mas já ganhou na Grandíssima, muito melhor. E está na altura de aproveitar a ausência de Ben Oliver.

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