Cycling Fantasy — Tour of Slovenia
Lipowitz e o seu grande rival Pellizzari.
Análise ao percurso ou uma espécie de introdução: A Eslovénia é um cantinho tramado. Entre lagos, montanhas, neve e uma mão cheia de agitadas cidades cosmopolitas, este é um país que tem sido capaz de produzir uma sem-fim de atletas de topo no que à alta competição diz respeito. Eles podem ser poucos (algures acima de 2 milhões), mas são bons e são em muitos desportos diferente. No que ao ciclismo diz respeito, dispensam apresentações, mas a verdade é que esta Volta a Eslovénia é uma espécie de percursora do que estava para vir. Provavelmente, sem Volta a Eslovénia (cuja primeira edição foi para a estrada em 1993) não seria possível que um tal de Tadej Pogačar sonhasse um dia ganhar o Tour. É por isso que esta espécie de introdução não deixa de ser um agradecimento a quem há 32 edições, continua a partir pedra numa prova que nunca foi de excelência, que a maior parte dos anos não atrai os melhores corredores, mas que já conquistou o seu lugar no pelotão internacional.
Olhando para o traçado destas cinco etapas: as duas primeiras sugerem sprints, embora sempre ali com uns degraus e umas dificuldades na aproximação à meta, pode dar bagunça; a terceira, com chegada a Celje tem duas segundas categorias não muito duras e ainda longe da meta, ou seja, fuga ou sprint em grupo reduzido com homens da geral e um outro infiltrado com ponta final; no sábado temos a etapa rainha, com a subida de Vrisic, que tem a dureza que o perfil abaixo demonstra e que não é feita há 13 anos (diga-se que o cume da subida fica a coisa de 15kms da meta, ao qual se segue uma perigosa descida), todos os caminhos vão dar aqui, a geral vai ser decida neste local; e no domingo, etapa 5, temos a típica chegada a Novo mesto, dia de subidas curtas e duras que promete espectáculo.
A startlist é bastante curta de grandes nomes, ou seja, ainda bem, vai ser preciso ser criativo.

Shortlist falso plano
1200:
- Florian Lipowitz — Continua um mistério para mim, esta coisa de Lipowitz escolher vir preparar o Tour à Eslovénia, num percurso que nem sequer tem muita dureza. Mas, se calhar, tem algo de que ele precisa: a possibilidade de vencer. O germânico é um corredor pouco ganhador e aqui tem a obrigação de ser o número um.
1000:
- Giulio Pellizzari — No caso de Pellizzari, percebe-se melhor. O Giro foi estranho e por isso vamos lá ver qual o nível para perceber se faz sentido ir ao Tour (vontade já demonstrada pelo italiano) ou se o destino é a Vuelta. Pode ser interessante — já que a diferença destes dois para os restantes candidatos à geral é tão grande — a equipa dar liberdade para fazerem um mano-a-mano na subida Vrisic, atacarem-se mutuamente e assim, só para dar bons vídeos para as redes socias. E vá lá, a Volta ao Eslovénia é pródiga em momentos caricatos entre colegas de equipa.
400:
- Laurance Pithie — Temporada de grande nível, depois de um primeiro ano na Red Bull de habituação ao novo habitat. Este ano parece tudo dele. Aposto que molha a sopa.
- Arne Marit — Melhorou enquanto corredor juntando-se à Red Bull. Por outro lado, o espaço é reduzido e as oportunidades não abundam. Aqui, no entanto, é capaz de ter um ou dois dias para sprintar de braço-dado com Pithie. Um vai pela esquerda, o outro pela direita?
- Edoardo Zambanini — Do bloco rival (a Bahrain e a Red Bull são as únicas formações World Tour presentes na corrida), Zamba é um corredor que gosta deste género de cenário: teóricos sprints em dias não 100% planos e montanha não muito dura se excluirmos o paredão de sábado. Para a geral, a equipa traz Omrzel, mas para os sprints talvez seja o italiano o protegido.
- Giovanni Lonardi — Inegavelmente, um dos melhores sprinters que se desloca à Eslovénia. Os dois primeiros dias estarão marcados na agenda há algum tempo.
- Enrico Zanoncello — A temporada não é famosa, mas a concorrência também não. Vocês é que sabem.
200:
- Jakob Omrzel — Ainda antes de vencer o Giro Next Gen em 2025, foi quarto na sua prova caseira, na sua primeira grande aparição em elites. Este ano, andou bem nos Alpes, teve azar na Hungria. Enfim, é obrigatório.
- Martin Marcellusi — Já sabem o que podem contar de Marcellusi: ataques infinitos. Válida opção dentro da Bardiani.
- Luca Covili — Parece ser o líder da Bardiani. Se isso rende? Talvez? Não sei? Sabe Deus.
- José Manuel Díaz — Um evidente candidato a andar bem na etapa rainha e concluir num bom lugar de geral. O facto de terminar em descida é que já não abona a seu favor.
- Sebastian Berwick — Está a fazer um 2026 bastante positivo e vem aqui preparar um Tour onde quererá vencer uma chegada em alto. Mas é isso, é um trepador que precisa de montanha mesmo dura.
- Stefano Oldani — É verdade que a sua carreira já viveu melhores momentos. Mas estando na Caja Rural acaba por ser uma das figuras do projecto espanhol. Não sei se conseguirá amealhar assim tantos pontos, mas vai andar por lá.
- Iván Cobo — O cartão de visita é dos mais estilosos: venceu a chegada a Fornos de Algodres na primeira etapa do GP Internacional Beiras e Serra da Estrela. Não é qualquer um.
- Xabier Berasetegi — O sprinter-trepador da Euskadi é um corredor muito confiável, que inclusive venceu a classificação dos pontos no Tour de Hainan. Acho que está tudo dito.
- Alessandro Fancellu — O trepador italiano é um dos homens mais regulares nestas provas onde os homens de geral de enorme qualidade não abundam. Não estou a dizer que ele não é bom, estou a dizer que não contem com ele para ir fechar top-10 no Tour. Até porque não vai lá estar, infelizmente.
- Ben Oliver — Só faltava vir aqui ganhar duas etapas. Admirem-se.
- Thomas Pesenti — Quarto na Coppi e Bartali, terceiro em Hainan. Thomas está Pesenti.
- Domenico Pozzovivo — Até ao infinito e mais além. Os 40 são os novos 20.
- Dušan Rajović — Já leva cinco vitórias este ano e vem aqui tentar aumentar a contagem.
- Matteo Fabbro — Eu achei que este iogurte já tinha expirado de validade, mas a verdade é que chega aqui depois de vencer a Volta ao Japão, assinando uma bela exibição no monstro Monte Fuji. Interrogações. Muitas interrogações.
- Nikiforos Arvanitou — A United Shipping é uma das equipas continentais que mais costuma animar este tipo de corridas Pro. Desta vez, além dos homens que vão colocar na fuga, têm o brilhante campeão nacional grego para as chegadas rápidas. Cuidado.
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