Antevisão — Cyclassics Hamburg
Uma corrida que dá para toda a gente.
Introdução
Uma corrida que dá para toda a gente. É este o mote da ADAC Cyclassics, a corrida mais importante a acontecer no Norte da Alemanha. Todos os anos, é uma festa em duas rodas à volta da cidade de Hamburgo (não confundir com o Bürgerfest que, famosamente, também não tem nada a ver com hambúrgueres).
E porque é que esta clássica de 250 km dá para toda a gente? Primeiro porque, paralela à clássica profissional, acontece sempre a Jedermannrennen, que é alemão para "corrida que qualquer um pode fazer, a sério, basta inscrever, é tipo o Grande Passeio de Cicloturismo de Fernão Ferro". Sim, os alemães têm nomes grandes para tudo.
E depois porque, se olharmos para o percurso e para o historial da corrida, dá mesmo para acontecer de tudo. Ela é sprints reduzidos, ela é sprints em grupo (foi assim que Elia Viviani limpou esta corrida três vezes).
Mas também é, como na última edição, uma batalha até aos últimos metros entre um atacante da fuga inicial e o pelotão e que deu a vitória ao fugitivo Rory Townsend. Sorte dos irlandeses ou nova fórmula para ganhar aqui? Veremos.

O percurso
Sabiam que o conto original de "A Lebre e a Tartaruga" acontece na cidade de Buxtehude? É poético que esta clássica parta da cidade, uma vez que vamos quase certamente ter um remake do conto nos primeiros 150 quilómetros. Uma fuga a ritmo de lebre e um pelotão a ritmo de tartaruga. Atenção que o ano passado ganhou a lebre, portanto não vão querer parar muitas vezes no caminho.
Pelo meio, as cinco passagens pelo Waseberg (700 metros a 9.1%) vão fazer alguma seleção no pelotão, mas não o suficiente para afastar sprinters em boa forma para o dia.
O último quilómetro parece mais inclinado neste perfil do que realmente é: nano-micro falso plano para fechar a clássica. Como acaba? Mais vale perguntar aos irmãos Grimm.

O que esperar
A edição do ano passado teve um resultado surpreendente: uma vitória de Rory Townsend vinda da fuga e tirada mesmo nos metros finais. Este ano, não contem que o pelotão seja tão simpático.
2025 trouxe mais um trauma de guerra para Hamburgo e, por isso, desta vez o pelotão irá querer controlar a fuga bem mais cedo que o habitual. Isto é, tudo indica que a corrida será decidida ao sprint entre os homens mais rápidos do pelotão, mas só entre aqueles que também saibam aguentar algumas lombas pelo caminho. O ritmo alto nas subidas finais favorece o posicionamento (e as pernas) dos sprinters de clássicas vs. os amantes de etapas estilo tábua de engomar.
Por outro lado, o meu lado caótico também tem um feeling que um controlo excessivo do pelotão à fuga possa resultar em alguns ataques tardios, sobretudo ali no histórico Waseberg (a 15 km da meta) ou na subida seguinte. Há muito boa gente à espera de apanhar o pelotão a dormir. E às vezes, para seguir corridas como esta, temos que seguir com o nosso coração.
Favoritos
Jonathan Milan — Na Polónia, foi tudo dele: três chegadas ao sprint, três vitórias. O novo campeão italiano quer ganhar o estatuto de homem mais rápido do pelotão.
Paul Magnier — Sim, isto vai ser basicamente uma luta a dois. Depois de se meter por direito próprio na nata do sprint mundial após o Giro, Magnier tem aqui um percurso bem ao seu jeito. É chegada rápida, mas tem subidas pelo meio que nunca o cansam muito. Quem já ganhou em Tavira este ano, ganha onde quiser.
Olav Kooij — Três corridas este ano, venceu uma etapa em todas. O sprinter favorito da Decathlon terá um belo comboio e vem para mostrar serviço. Já venceu aqui em 2024.
A não perder de vista
António Morgado — Leram bem. O protegido entre os protegidos falso plano, mas não está aqui por isso. Foi 7.º na edição anterior e a chegada assenta-lhe bem, tanto para um bom resultado ao sprint como para um late attack que dê um bigode ao pelotão. Bora, Morgadão, já estamos a sentir mais uma para a playlist.
Dylan Groenewegen — O Rocket não corre desde junho, mas teve uma primeira metade de época muito em órbita. É meter o nitro e esperar pelo melhor.
Arnaud de Lie — A época do Touro só não é para esquecer porque ninguém se lembra dela. Ainda assim, de Lie continua a ser, no papel, um dos melhores nomes para pódio na prova. Está com um pé fora da Lotto e, quem sabe, pode ser essa a motivação que encontra para uma grande surpresa aqui.
Pavel Bittner — O único ciclista de jeito da Picnic (além de Frits Biesterbos) está de saída para a Q36.5. Antes de arrumar a trouxa, dobrar a toalha e deitar as migalhas aos patos, pode deixar aqui uma prenda de despedida.
Florian Vermeersch — É um bocado descabido? Claro. Se é possível? Basta a corrida ser caótica que ele sabe o que fazer.
Taco van der Hoorn — Ok, ouçam esta: a fuga volta a pegar como no ano passado. Quem é a pessoa mais provável de lá estar e sacar uma vitória do sítio que pousa no selim? O especialista em fugas da Lotto. Tacada certeira.
Apostas falso plano
André Dias — A prova é manhosa? Vai para Magnier.
Henrique Augusto — Estoy cansado, jefe.
Miguel Pratas — Finalmente uma clássica WT para o Jonathan Milan.
Nuno Silva — Keijo Kooij
Rogério Almeida — Esta vai para o Toro De Lie.
Vítor Ferreira — Jonathan Milan vence a sua primeira clássica no World Tour.