Antevisão — Tour de Pologne
João de regresso para um sucesso? Christen(os) a acreditar mas esperemos que sim.
Introdução
Uma corrida que serve de transição de modo Tour para modo Vuelta, pois muitas das caras que vamos ver aqui vão estar presentes na última Grande Volta do ano.

Para ser sincero, é uma corrida que me traz memórias de circunstâncias trágicas; falo de Bjorn Lambrecht, o jovem promissor belga da Lotto, que faleceu nesta corrida em 2019 com apenas 22 anos. A tentativa de homicídio involuntário protagonizada por Dylan Groenewegen a Fabio Jakobsen numa chegada ao sprint na primeira etapa de 2020. Para além de muitas quedas e finais perigosos que esta corrida já teve, como por exemplo em 2022, Phil Bauhaus a ganhar a etapa 5 ao sprint após uma queda aparatosa no pelotão. A realidade é que esta é uma corrida World Tour já com alguma história (desde 2005) e é capaz de ser a corrida mais importante realizada fora dos países tradicionais do ciclismo.
No entanto, se olharmos para o lado mais tuga da vida, foi aqui que João Almeida obteve a sua primeira vitória em gerais de corridas de uma semana (e logo de nível World Tour) ao bater Matej Mohorič e o ex-campeão do mundo Michal Kwiatkowski, atletas de alto nível. Mais tarde, em 2023, Mohorič vingar-se-ia do português ao vencer a corrida por um mero segundo a Almeida.
O principal foco de interesse será precisamente o João Almeida, ao regressar à competição numa corrida que lhe traz boas memórias, tudo o que o João precisa para recuperar a sua forma nesta amarga temporada.
O percurso
Etapa 1 — Começamos com uma longa etapa de 234 km sem grandes dificuldades até à subida de Gora Chelmska (1,5 km a 4,1%), que também não é propriamente uma dificuldade, pois até o Sam Welsford poderá passar esta subida que deixa os ciclistas a apenas 7 quilómetros da meta.

Etapa 2 — Etapa plana e sprint massivo. Esperemos sem quedas.

Etapa 3 — Mais um sprint inclusivo.

Etapa 4 — Agora sim a corrida começa a ficar interessante, etapa para os homens da geral com a chegada em Karpacz (7km a 6,2%). Uma chegada já algo tradicional nesta corrida, mas este ano temos uma diferença os ciclistas descem e terminam numa colina de 1,1km a 8,3% um final bem durinho.

Etapa 5 — Mais um dia para os ciclistas da geral no entanto se por um lado temos menos dureza até a subida final, as pendentes da subida a Kocierz acabam por tornar esta etapa bem díficil 1,4km a 11,3% é mais um etapa para os ciclistas de geral.


Etapa 6 — Talvez a etapa rainha 125,6 quilómetros de sobe e desce sempre em colinas duras nomeadamente a Sciana Bukowina (1.6km a 9,5%) ultrapassada três vezes, terminamos num falso plano após 1,6 quilómetros a 7,9%.

Etapa 7 — Contra-relógio plano maioritariamente de 12,4 quilómetros, etapa que fará as diferenças finais e potencialmente decisivas na geral.

O que esperar
Uma luta pela classificação geral que vai ser taco a taco, não há espaço para haver grandes diferenças e até a chegada do crono final, o top 10 vai estar separado por meros segundos. Mesmo o crono de apenas 12 quilómetros não fará grandes diferenças especialmente entre os bons contrarrelógistas aqui presentes. É daquelas provas onde se se tiver perdido 30 segundos, já não existem hipóteses de ganhar a geral posteriormente.
Em relação ao João, é verdade que já ganhou esta corrida em 2021, mas era um João diferente, um João que tinha um punch que desde que saiu da Quickstep nunca mais voltou a ter. No entanto, a presença de um contrarrelógio, o facto de as colinas, embora curtas, serem bastante duras e a ausência de grandes nomes podem beneficiar o português para obter um bom resultado na geral.
Pode ganhar? Pode, mas não será fácil e termos um João competitivo já será algo bastante positivo a retirar desta prova.
De resto dentro da UAE se retirarmos a etapa final, este tipo de subidas até são mais favoráveis a explosão de Jhonatan Narváez e Jan Christen. No entanto, o perigo não será só dentro da equipa; Ivan Romeo é um ciclista explosivo e excelente contra-relógio que vem com ambições de, à semelhança do João, recuperar forma. Alexandr Vlasov tem aqui uma rara oportunidade de liderar a equipa e certamente irá tentar tirar o máximo proveito dela. Santiago Buitrago tem aqui também um bom percurso para fazer esquecer a época que tem tido, e atenção ao recente campeão dos Países Baixos, o neerlandês da Visma Wilco, Kelderman, que tem um bom histórico nesta competição.
Favoritos
João Almeida — É o ciclista com mais estatuto de todos nesta prova, o contrarrelógio final poderá ser uma forte arma para o português. No entanto, para ser um percurso perfeito, precisava de subidas mais longas. Ainda assim, em condições normais, é o principal candidato a vitória. Esperemos que se apresente nessas condições.
Jan Christen — Depois de em 2025 ter tirado uma vitória de etapa ao colega Brandon McNulty, Christen regressa a esta corrida e logo como companheiro de João Almeida, não podia ser melhor para o português. Foi 4º em 2025 e este ano pode perfeitamente vencer.
Jhonathan Narváez — Desiludiu em San Sebastián, mas, acreditando que se vai apresentar melhor aqui, é uma corrida perfeita para Narváez, que é dos mais rápidos neste tipo de subidas explosivas, pode colecionar várias vitórias.
A não perder de vista
Wilco Kelderman — Neerlandês da Visma tem um histórico bastante bom aqui, foi terceiro em 2024 e é dos ciclistas de geral que melhor andam no esforço individual.
Aleksandr Vlasov — De saída para a Astana, Vlasov pode sair em bons termos da Red Bull retribuindo com uma boa exibição esta prenda que a equipa lhe deu correndo aqui sem ter de trabalhar para nenhum colega de equipa.
Ivan Romeo — Começou bem a época, mas depois teve tantos azares que nem conseguiu ir ao Tour. Em condições normais, é super favorito a ganhar a corrida, pois não só é explosivo como também é um bom contra-relógio.
Santiago Buitrago — Outro azarado foram mais as vezes que terminou no chão que a cortar a meta esta época, tem um bom punch ótimo para este tipo de finais.
Finn Fisher-Black — Há uns anos era um forte candidato a geral, mas nas últimas duas épocas tem sido mais punchour tipo Cosnefroy do que um punchour de geral. De qualquer forma, anda bem no ITT e, no passado, já subiu bem colinas íngremes como as que temos aqui.
Christian Scaroni — Péssimo no ITT mas está em boa forma pode ganhar as restantes etapas de geral.
Matteo Sobrero — Ano passado andou bem aqui se lhe apetecer pode andar novamente.
Edoardo Zambanini — Quinto classificado em 2025 tem feito uma época interessante e adapta-se a este perfil-
Apostas falso plano
André Dias — Uma prova tão fechada só pode ser de Walter Calzoni.
Fábio Babau — João Almeida, a chuchar no dedo porque a cegonha está no ninho.
Henrique Augusto — Scaronizão, porque não?
Miguel Branco — Esta é fácil. Vlasov despede-se da Red Bull com vitória.
Nuno Silva — O bom colega Jan Christen.
Rogério Almeida — Christen, o Solitário.